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EXÉRCITO PORTUGUÊS REGRESSA À “FRENTE LESTE”

Por • 28 Abr , 2017 • Categoria: EM DESTAQUE Print Print

A Lituânia será de novo o destino de uma Força Nacional Destacada do Exército que em breve participará nas operações da OTAN naquele país aliado. Portugal volta assim a participar nas Assurance Measures destinadas a dissuadir actividades agressivas por parte da Federação Russa, demonstrando o seu  empenho no esforço de defesa colectiva da Aliança Atlântica.

Em 2015 o Exército Português pela primeira vez empenhou uma unidade na Lituânia, a Recce Coy, da Brigada de Intervenção. Neste país parte importante das operações decorrem em áreas florestais.

Continuamos empenhados na OTAN

Ao mesmo tempo que retiramos o batalhão (185 militares) que mantínhamos no Kosovo no quadro na OTAN, substituído na Kosovo Force a cada 6 meses há duas décadas, enviamos agora uma força com efectivo ligeiramente mais reduzido (140 militares) para a Lituânia, e por um período de tempo limitado (4 meses). 

A Aliança Atlântica está a fazer rodar pela Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia battlegroups com efectivos semelhantes a batalhões, multinacionais, liderados pelo Reino Unido, Canadá, Alemanha e EUA.

Recordamos que Portugal tem participado episodicamente em missões da OTAN na Lituânia, primeiro com a Força Aérea – Baltic Air Policing – com F-16 (em 2007, 2014 e 2016) – e depois com o Exército. O ramo terrestre já ali operou com uma Companhia de Reconhecimento (em 2015) e com uma Bataria de Artilharia (em 2016). 

Em 2007 com os F-16 da Força Aérea Portuguesa começaram as missões de Portugal na Lituânia no âmbito do esforço da OTAN para garantir a sua segurança face à Federação Russa.

Em 2016 coube à Light ArtyBty  da Brigada de Reacção Rápida participar nas Assurance Measures na Lituânia.

As “novas” FND / NATO

Olhando para estes últimos anos de envolvimento das forças terrestres portuguesas nas missões da OTAN na Europa, parece haver uma mudança de “padrão”. Ou seja, o contributo português abandona o modelo “FND de escalão batalhão por anos seguidos numa região“,  para um de “FND de escalão companhia por períodos muito limitados de tempo, onde necessário“.

No primeiro caso isto correspondia a um empenhamento de pessoal substancialmente mais significativo, não só porque os efectivos eram maiores como porque as missões eram mais prolongadas no tempo, e também a um conhecimento profundo de uma região e ligação às comunidades locais, sempre melhorada contingente após contingente;

Agora, estamos perante missões que se assemelham a prolongados exercícios tácticos, com muita actividade operacional simulada e fogos reais, também num ambiente multinacional como anteriormente e com idênticas exigências a este nível ou talvez mesmo superiores, e com a uma única força a testar todo o processo de preparação, projecção, instalação, operação e retracção, não só do pessoal mas também de todo o material, armamento e munições. 

Também é de relevar que a tipologia de forças, nomeadamente os equipamentos empenhados, sofreram nesta nova modalidade uma evolução interessante, com mais viaturas blindadas e de mais versões a operar.

Um Special Operations Land Task Unit do Centro de Tropas de Operações Especiais vai actuar na Lituânia. Note-se, estão equipados (desde 2013) com a espingarda HK-416, idêntica à que França escolheu para substituir a FAMAS.

Lituânia 2017

Esta nova missão do Exército decorre do aprovado no Conselho Superior de Defesa Nacional de 6 de Dezembro de 2016 (*), vai empenhar uma Companhia de Atiradores Mecanizada da Brigada de Intervenção e um Destacamento de Operações Especiais da Brigada de Reacção Rápida.

Desconhecemos naturalmente detalhes da missão mas é público o enorme deslocamento de militares e armamento que vários países da OTAN estão a concentrar na região. Ali chegadas as forças aliadas são integradas em unidades multinacionais destinadas a reforçar o dispositivo das Forças Armadas dos países Bálticos.

Este mapa (abaixo) divulgado pela OTAN em Março deste ano dá bem a noção do esforço que está a ser feito pela Aliança Atlântica e países parceiros.

Na sua estadia de 4 meses na Lituânia os militares portugueses que integram a Companhia de Atiradores Mecanizada proveniente do Regimento de Infantaria 14 (Viseu) e a Special Operations Land Task Unit do Centro de Tropas de Operações Especiais (Lamego), podem esperar, actividade permanente, muitos exercícios de fogos reais, e, deseja-se…não mais do que isto.

(*) «…Apreciadas que foram as propostas apresentadas pelo Governo, o Conselho deliberou dar parecer favorável ao reforço da participação nacional na Operação SEA GUARDIAN no Mediterrâneo bem como à nossa contribuição para as ASSURANCE MEASURES na Lituânia e para a TAYLORED FORWARD PRESENCE na Roménia, operações de âmbito NATO. O Conselho deliberou, de igual modo, dar parecer favorável à nossa participação na Operação SOPHIA da União Europeia.”…»

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