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DEFESA E FORÇAS ARMADAS: INQUÉRITO À POPULAÇÃO PORTUGUESA

Por • 23 Out , 2009 • Categoria: 01. NOTÍCIAS Print Print

Realizou-se em 22 de Outubro de 2009 no ISCTE em Lisboa a apresentação pública dos resultados do Inquérito à População Portuguesa sobre Defesa e Forças Armadas, trabalho que está incluindo num outro de maior fôlego – que ainda está em curso – sobre as Forças Armadas Portuguesas após a Guerra Fria e do qual já aqui demos conta no “Operacional”.

Os inquiridos neste inquérito seguem a tendência normal em qualquer país de atribuir às Forças Armadas a satisfação de missões que outros não conseguem cumprir. A confiança na Instituição Militar continua em alta.

Os inquiridos seguem a tendência normal em qualquer país de "apelar" às Forças Armadas para cumprirem missões onde consideram que outros falham. A confiança na Instituição Militar continua em alta.

A sessão a que tivemos oportunidade de assistir incluiu a apresentação pela coordenadora do trabalho, Helena Carreiras, dos aspectos que considerou gerais sobre os resultados obtidos e uma análise aos mesmos – muito com base em comparação com outros estudos do passado – por Maria Carrilho.

Desde já, como “ponto prévio” se assim se pode dizer, uma observação de Maria Carrilho que sendo uma evidência, é da maior importância. Este tipo de estudos deve ser feito com regularidade. Só assim será possível avaliar com rigor e consistência as tendências que se vão desenvolvendo ao longo dos anos. Ou seja, espera-se que este seja o primeiro de uma série e não um estudo para uma década ou mais como tem acontecido.

Há a noção entre os inquiridos que se deve investir na modernização dos meios das Forças Armadas

Há a noção entre os inquiridos que se deve continuar a investir na modernização dos meios das Forças Armadas.

A síntese que a seguir se transcreve é parte da apresentação que Helena Carreiras fez e transmitem de modo muito sintético os resultados a que se chegou e que agora vão ser trabalhados para tentar chegar a conclusões mais detalhadas.

Síntese Bloco A – Defesa de Portugal e da União Europeia
Os inquiridos estão sobretudo preocupados com a crise económica e com o crime organizado e moderadamente preocupados com um conjunto de outras ameaças de tipo não militar;
Relativamente à organização da defesa do país, legitima-se o envolvimento em alianças internacionais (embora com diferenças de opinião no que diz respeito aos compromissos que isso pode envolver), há contudo uma percentagem significativa de inquiridos que subscreve uma atitude mais isolacionista;
Aprova-se a organização de uma força militar da União Europeia, mas sempre em complemento das forças armadas nacionais.
Síntese Bloco B – Forças Armadas Portuguesas
Imagem muito positiva das Forças Armadas
Em termos gerais, os inquiridos consideram as forças armadas muito necessárias, atribuem elevada importância ao seu papel para a defesa nacional, referindo-a como a instituição em que mais confiam. Consideram que as forças armadas cumprem eficazmente as suas missões e que contribuem para o prestígio internacional do país.
Apoio claro a importantes transformações que marcaram a organização militar nas últimas décadas:
– A diversificação das missões militares e das missões de apoio à paz;
– A instituição do serviço militar exclusivamente voluntário mas composto apenas por cidadãos nacionais;
– A entrada de mulheres nas Forças Armadas e o seu acesso a funções operacionais ou mesmo de combate.
Imagem muito positiva acompanhada por:
– Baixos níveis de informação, interesse e conhecimento sobre as Forças Armadas;
– Alguma retracção quando em situações concretas se avalia o envolvimento pessoal (ou de pessoas próximas) na defesa e forças armadas (atitude ‘sem mim’).
Orçamento da defesa
Significativa ausência de respostas, mas considerado adequado ou insuficiente por uma maioria dos inquiridos que manifestam opinião;
Maior contenção existe, contudo, face à possibilidade de atribuição de mais dinheiro dos orçamentos da defesa para a manutenção das Forças Armadas.
Avaliação positiva da formação e o emprego nas Forças Armadas
Valorizadas as oportunidades profissionais e prestígio da profissão militar;
Aspectos materiais como os salários ou os recursos à disposição dos militares suscitam apreciações menos positivas.
Apreciações globalmente positivas dos ramos das Forças Armadas
Positivamente avaliados aspectos como a preparação técnica e cívica que oferecem aos seus militares e os equipamentos e meios técnicos de que dispõem mas menos a sua proximidade em relação à população.
Permissividade face aos direitos dos militares
Apoio claro ao exercício de direitos de liberdade de expressão e manifestação;
Moderado, a um conjunto de outros direitos;
Esta atitude vai, no entanto, a par com um apoio moderado (e porventura paradoxal) à legitimidade de existência de restrições no sentido de garantir a neutralidade política ou a disciplina e coesão das Forças Armadas.
Síntese Bloco C- Identidade Nacional e Defesa
Os inquiridos afirmam sentir orgulho em ser Portugueses, emocionam-se muito perante símbolos nacionais como o hino, a bandeira, ou mesmo cerimónias militares, mas dividem-se quanto à existência de razões para sacrificar a vida (para além da família) ou para participar voluntariamente na defesa colectiva caso o país fosse atacado militarmente.

Os portugueses continuam a apoiar expressivamente a participação nacional em missões de paz, embora - comparativamente com a década passada - a tendência pareça ser para a diminuição desse apoio

Os portugueses continuam a apoiar expressivamente a participação nacional em missões de paz, embora - comparativamente com a década passada - a tendência pareça ser para a diminuição desse apoio.

Após a apresentação dos resultados (descarregue aqui a apresentação de Helena Carreiras), Maria Carrilho fez uma análise comparativa em relação a estudos anteriores, parte dos quais por si elaborados em tempos idos,  e também se socorreu de alguns dados de estudos europeus.
Além da referida observação (nunca é demais repetir) que há agora necessidade de continuar a fazer estas avaliações, Maria Carrilho referiu que não encontrou, o que seria preocupante, mudanças repentinas em relação à opinião que foi expressa pelos portugueses relativamente à Instituição Militar.
Ainda assim assinalou algumas alterações, por exemplo em relação àquilo que os portugueses hoje pensam sobre o envolvimento das Forças Armadas em missões de segurança interna, em relação aos riscos e ameaças que são percepcionados pela generalidade dos inquiridos ou mesmo a opinião que hoje há sobre a equiparação dos direitos dos militares com os da generalidade dos cidadãos ou a aceitação do papel da mulher nas Forças Armadas. Também foi referido que parece haver, em relação a esses estudos da década de 90, um menor apoio da população ao envio de militares para missões exteriores, embora o continue a apoiar expressivamente.

Parece haver apoio popular ao papel das mulheres nas Forças Armadas e mesmo ao alargamento das suas funções.

O papel das mulheres nas Forças Armadas também foi objecto deste estudo e parece haver apoio popular à sua completa inserção no meio militar.

Maria Carrilho alertou ainda para a necessidade de não se tirarem conclusões precipitadas e de se ter sempre em conta o ambiente, nomeadamente internacional e mediático a que todos estamos sujeitos e que naturalmente influencia as opiniões expressas em cada momento histórico. Disse mesmo que é natural, por exemplo em tempo de grandes catástrofes naturais, a população achar que os militares devem reforçar ou mesmo substituir a protecção civil, ou perante atentados terroristas de grande alcance mediático (Nova Iorque, Londres, Madrid), quase que se exigir que as Forças Armadas participem na luta contra o terror. Será assim natural que hoje, havendo algum sentimento de insegurança em Portugal, a população ache bem que as Forças Armadas possam colocar as suas capacidades a colmatar insuficiências de outras instituições.

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