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EM LAMEGO COM AS OPERAÇÕES ESPECIAIS DO EXÉRCITO (II)

Por • 1 Mai , 2018 • Categoria: EM DESTAQUE Print Print

Missões internacionais e de serviço público; conclusões. Depois de nos termos referido no artigo anterior aos aspectos organizacionais e às decisões que os consolidaram e também aos equipamentos e armamentos em uso, vamos hoje olhar para o enorme leque de missões cumpridas e para aquelas que se avizinham, como uma inédita no Afeganistão muito em breve, apresentar ainda mais algum armamento e equipamento mesmo não esgotando o assunto, e depois deixar ao leitor as nossas conclusões deste dia em Lamego.

São muitas as missões que as Operações Especiais do Exército cumpriram nos últimos 30 anos. Pela sua mão a Bandeira Nacional percorreu a maioria dos Teatros de Operações e países onde as Forças Armadas Portuguesas actuaram depois de terminada a Guerra do Ultramar.

Doutrinariamente as Forças de Operações Especiais cumprem uma grande variedade de missões – que qualquer manual refere e explica – e que podemos sintetizar num parágrafo:

Acção Directa, Reconhecimento Especial, Assistência Militar, Acção Indirecta, Operações de Contra Terrorismo, Protecção a Altas Entidades e Ligação com Facções.

É para isto que se formam, treinam e estão  equipados.  Agora, os militares não escolhem as missões, cumprem as que lhes são atribuídas pelo poder político em cada momento. Assim as capacidades das Operações Especiais portuguesas têm sido utilizadas, umas vezes mais próximo daquilo que a doutrina prevê, outras nem por isso, mas de todas têm dado conta e foram muitas!  Isto dava para um livro (*), mas vamos tentar resumir.

Simulação de um Ponto de Apoio à Missão, ou seja, simplificando, o local a partir do qual elementos de uma força de operações especiais empenhada em operações comunica com o seu escalão superior…que pode estar “do outro lado do mundo”, por isso a antena satélite.

A Acção Directa (golpes de mão, emboscadas, resgate de reféns, etc) é aquilo que “mais enche o olho” e as pessoas gostam de ver nas operações especiais, mas quer estas quer as de Reconhecimento Especial (avaliação de objectivos, reconhecimento ambiental, reconhecimento pós-ataque, e outras) e outras carecem sempre deste PAM que usualmente fica nas proximidades do local onde decorre a acção principal.

O militar está armado com a HK 417 calibre 7,62mm com mira Trijicon ACOG e RMR e no capacete Exfil Ballistic/Team Wendy tem o dispositivo de visão nocturna ANPVS 21. Esta 417 também é usada em Lamego com a mira telescópica Schmidt & Bender 1.5-8×26 PMII Short dot.

Um sniper “pesado” com a Barret M107A1 .50 (com uma mira telescópica Schmidt & Bender) que – a nosso pedido – colocou a arma à vista! A camuflagem é umas das áreas críticas nas operações especiais.

A camuflagem e a paciência! Uma missão de reconhecimento pode implicar longas horas, dias mesmo, em “postos de observação” que podem ser enterrados e com um mínimo de condições. Note-se, na última foto em baixo, o ponto de entrada/saída de um desses PO’s.

O capacete Exfil Ballistic/Team Wendy – que por exemplo as FND portuguesas na RCA também já usam –  permite o uso dos auscultadores do radio individual Thales 148. Na parte posterior tem um “contra peso” para equilibrar o conjunto – uma vez que na frente pode transportar o ANPVS21 – e no topo um “localizador” (Manta Strobe Helmet-Mounted Infrared) que permite localizar o militar mesmo de noite…sem dar nas vistas! Lateralmente está ainda equipado com uma lanterna.

Nas mãos do operador o Rover 5i  do Joint Terminal Attack Controller (já referido na anterior reportagem) ligado a um Ground Laser Target Designator (GLTD) III que pode “iluminar” alvos até 16Km para serem “batidos” pelos meios aéreos.

A Accuracy Internacional multicabre referida na reportagem anterior, aqui em exposição, com uma mira telescópica Schmidt Bender 5-25X56 PM II.

Missões internacionais – exercícios e NATO Response Force

Os exercícios internacionais – a par com a formação de quadros das Operações Especiais em países amigos, com destaque para Espanha e EUA, entre outros – foi sempre um aspecto importante não só na actualização doutrinária e na adequação da formação como no equipamento da unidade. Tentando resumir uma história de muitos anos podemos dizer que depois da cooperação com as forças especiais de Espanha, talvez o aspecto mais importante (e motivador!) tenha sido a integração em 1996 de um Destacamento de Operações Especiais (CIOE) na AML (L), a Allied Commando Europe Mobile Force (Land), uma Força de Reacção Imediata da NATO nos tempos da “Guerra-Fria”. Na organização do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE) passou mesmo a haver este Destacamento individualizado e muito do equipamento então adquirido – por exemplo o material para operações em clima frio, mas também algum outro – adveio dessa missão, o que levou a formação e mesmo exercícios na Noruega em clima Árctico. Mais tarde, com a extinção da AMF pela NATO em 2002, as Operações Especiais passam a integrar a NATO Response Force. A partir de 2003 e até 2012 com algumas variantes, primeiro um Destacamento de Operações Especiais e depois um Special Operations Task Group  (2011 e 2012) as operações especiais portuguesas – como todas as outras, diga-se – aguardaram por um empenhamento operacional real neste âmbito que nunca aconteceu. Ficou o treino!

Em 2017 a FOE teve em “stand-by” uma Equipa Sniper para integrar uma unidade de Controlo de Tumultos (Crowd Riot Control) nacional que pudesse vir a ser empenhada em operações.

Treino de operações em climas frios, na Serra da Estrela em Portugal no ano de 2015. Esta área de actuação teve especial desenvolvimento no CIOE fruto do seu empenhamento na AMF (L) da NATO nos anos 90.

Equipamentos adquiridos fruto da experiência internacional também podem vir a ter uso em Portugal em situações de emergência.

A Serra da Estrela é o melhor cenário em Portugal para formar e treinar operações em climas frios.

Missões internacionais – operações reais

Os militares de Operações Especiais portugueses têm um longo empenhamento nas missões internacionais, iniciada logo na Cooperação Técnico-Militar com os Países de Língua Oficial Portuguesa ainda nos finais dos anos 80, mas também nas missões de apoio à paz e expedicionárias no âmbito das organizações internacionais (NATO, ONU, EU) e nas operações nacionais de evacuação de não-combatentes em África. Pela natureza das missões que desempenham os números envolvidos não são muito expressivos, até porque como veremos parte importante das missões não foram executadas por Equipas ou Destacamentos / SOTU, mas por quadros. A realidade é que um grande número de oficiais e sargentos, mesmo a generalidade deles até porque não são muitos, adquiriram uma enorme experiência internacional muito diversificada pelos vários países/teatros de operações onde mantivemos e mantemos militares.

Rara imagem de um militar do Destacamento de Operações Especiais do CIOE, em 1997 na Bósnia e Herzegovina, aqui numa missão de vigilância em Sarajevo.

Equipa sniper do CIOE em Timor-Leste no ano 2000, estava integrada no Destacamento de Apoio do 1.º Batalhão de Infantaria Pára-quedista na UNTAET / PKF (United Nations Transitorial Administration in East Timor – Peace Keeping Force)

Kosovo, 2007, meios de vigilância do Destacamento de Apoio – do CTOE – integrado no batalhão português que actuava como Reserva Táctica do Comandante da KFOR/NATO.

No decurso de um exercício de Controlo de Tumultos envolvendo portugueses e franceses, o comandante do Destacamento de Apoio coordena a acção da sua equipa sniper.

Um dos Destacamentos do CTOE que actuaram no Kosovo em 2007. Este esteve integrado no 1.º Batalhão de Infantaria Pára-quedista. Ficamos com uma boa imagem do armamento e equipamento então em uso nas missões expedicionárias pelas operações especiais e podemos comparar com a actualidade!

Os principais empenhamentos em operações reais em termos de duração e efectivos foram as missões no Kosovo no âmbito da NATO – de 1999 a 2001 e de 2005 a 2016) e em Timor-Leste (de 2000 a 20004) no âmbito da ONU. Na KFOR – Kosovo no primeiro período um Destacamento de Operações Especiais actuou integrado numa brigada de comando italiano, e no segundo período um Destacamento de Operações Especiais, com a designação de Módulo de Apoio, integrava a Força Nacional Destacada (FND) que constituía a KFOR Tactical Reserve Manoeuver Battalion (KTM) – Reserva Táctica do Comandante da KFOR.

Na ONU em Timor-Leste sob a designação de Destacamento de Apoio – aqui por razões que se prendiam com a política da ONU em relação a este tipo de unidades – um Destacamento de Operações Especiais actuou entre 2000 e 2004 integrados na FND.

Na missão SFOR da NATO na Bósnia e Herzegovina actuaram durante um curto período entre 1997 e 1998 integrados na FND. 

No Afeganistão uma equipa sniper actuou em 2007 e 2008 e depois em 2010, integrada na FND que tinha a missão de Quick Reaction Force do Comandante da International Security Assistance Force – ISAF/NATO. De realçar também que vários oficiais prestaram/prestam serviço em funções de Estado-Maior directamente ligados à Componente de Operações Especiais quer da ISAF quer da actual Resolute Support Mission, o que se traduziu e traduz num contacto directo e intervenção com o “estado da arte” desta actividade em operações reais. Fica o “amargo de boca” de Portugal por opção política nunca ter optado por enviar uma Special Operations Task Unit para essa componente das operações da NATO no Afeganistão.

No âmbito da coligação internacional que actua no Iraque, Operation Inherent Resolve, quadros do CTOE participaram integrados na FND em 2015 e 2016, aqui em funções ligadas à formação das forças armadas e de segurança do Iraque.

Na actualidade ou em anos recentes oficiais e sargentos de Operações Especiais têm actuado no Uganda, Somália, Mali, República Centro Africana nas missões de formação da União Europeia, como no passado participaram em missões da ONU no Sara Ocidental, Angola, Moçambique e na actualidade na Colômbia.

Em 2017 uma Special Operations Land Task Unit do CTOE/FOE esteve 4 meses na Lituânia no âmbito das Assurance Measures da OTAN, numa missão considerada FND por Portugal e que se traduz, na prática, num período muito alargado de exercícios em ambiente multinacional num cenário bem realista que…não se deseja mas pode sempre evoluir para uma operação real.

Este ano de 2018 a FOE está a finalizar o aprontamento de uma SOTU que irá actuar no Afeganistão no âmbito da participação portuguesa na Resolute Support Mission da OTAN como “módulo de segurança” (na gíria militar “guardian angels”) para a Equipa de Mentoria (Army Institutional Advisory Team – AIAT) composta por militares de artilharia do Exército Português que vão ajudar a formar militares afegãos na sua Escola de Artilharia nos arredores de Cabul. Esta é um tipo de missão nova para as Operações Especiais portuguesas no seu já vasto leque de missões cumpridas, vai decorrer nos locais de instrução e nos itinerários onde os “mentores” portugueses tenham que trabalhar/circular. Terá ainda uma outra novidade que é o uso de viaturas blindadas (fornecidas no teatro de operações pelos EUA a título de empréstimo) MAXPRO DASH tipo Mine-Resistant Ambush Protected (MRAP), idênticas às que a nossa nova FND – segurança ao Aeroporto Internacional de Cabul – também vai usar, visto que o Exército Português ainda não dispõe deste tipo de viaturas, pouco menos que imprescindíveis para muitas das operações da actualidade.

S. Miguel, Açores, 2003. Este Destacamento de Operações Especiais do CIOE estava a aguardar um SA-330 PUMA da Força Aérea que o transportaria para a ilha de Santa Maria, no âmbito de um exercício de evacuação de Não-Combatentes conduzido pelo EMGFA.

Treino de uma Acção Directa por um Destacamento de Operações Especiais do CTOE em 2006, no âmbito de mais um exercício da Força de Reacção Imediata do EMGFA, o “Lusíada” que decorreu em S. Jacinto/Aveiro

Operações nacionais de Evacuação de Não Combatentes

Destacamentos de Operações Especiais do então CIOE participaram em várias operações de evacuação de não combatentes em África, das quais se destacam em 1997 a operação “Leopardo”(*) na República do Congo Brazzaville (actualmente a República Congo) prevendo a eventual recolha de cidadãos nacionais do Zaire em conjunto com o Destacamento de Ações Especiais dos Fuzileiros; em 1998 um forte contingente do CIOE participa na operação “Falcão” a força de resgate de cidadãos nacionais e estrangeiros da República da Guiné-Bissau, uma operação conjunta das Forças Armadas Portuguesas de grande envergadura, a que se seguem outras acções de menor relevo mas em Maio de 1999 é ainda um Destacamento de Operações Especiais que discretamente recolhe de Bissau em guerra civil uma pequena força de Operações Especiais francesa e cidadãos desta nacionalidade que ali estavam retidos.

De realçar ainda que durante anos a instabilidade politica e militar na Guiné-Bissau levou a que as Forças Armadas Portuguesas tivessem em permanência planos de contingência para um empenhamento militar na evacuação de não combatentes da região. Nesse sentido unidades navais, terrestres e aéreas estavam de “prevenção”. No caso das Operações Especiais do Exército não só estiveram sempre envolvidas no planeamento das operações como elementos seus seriam dos primeiros a ser empenhados o que pressupunha em longos períodos de tempo sempre um grau de prontidão imediato.

Na actualidade uma eventual operação no âmbito do EMGFA poderá contar com o empenhamento de um Special Operations Task Group (SOTG) composto por: Estado-Maior /SOTG; Special Operations Land Task Unit/SOLTU ; Equipa Sniper ; Estação Rádio Base ; Proteção da Força; Destacamento de Apoio de Serviços.

Cabo Ledo, Angola, 2004. No exercício Felino deste ano, além de militares do CIOE do Exército e do DAE do Corpo de Fuzileiros da Marinha, o comando do Exército decidiu também empenhar militares dos Comandos, os quais mesmo durante os anos  em que estiveram extintos (1993-2000) sempre mantiveram oficiais e sargentos em acções de Cooperação Técnico-Militar com a Brigada de Comandos/Brigada de Forças Especiais de Angola. Cooperação que se mantém hoje.

Cooperação Técnico-Militar

Em termos de Cooperação Técnico-Militar o histórico da participação de quadros das OE’s iniciou-se nos finais dos anos 80 e cobre todos os PALOP’s com uma grande variedade de tarefas desempenhadas, naquilo que também é no fundo uma missão típica das operações especiais, a Assistência Militar. Das unidades operacionais nos PALOP às suas Escolas de Formação Academias Militares, em todas os nossos militares de operações especiais deram um contributo para tentar melhorar as capacidades locais. Pela sua longevidade podemos talvez destacar a assessoria às Forças Especiais Angolanas, agora com um oficial em permanência e pontualmente com assessorias temporárias para actividades específicas, e parece-nos ainda que será justo referir o papel pioneiro e fulcral que o então CIOE desempenhou no lançamento dos exercícios de série Felino. Portugal foi o primeiro país a acolher este exercício em 2000 e novamente em 2001, exactamente na região de Lamego e este manteve-se até 2004 (em Angola) como um exercício destinado às Forças Especiais dos países da CPLP. Pela parte nacional participavam militares do CIOE, do Destacamento de Acções Especiais do Corpo de Fuzileiros, e em 2004, também participaram elementos dos Comandos (reactivados em 2002). Os exercícios continuam até hoje – regra geral um ano com “tropas no terreno” (FTX) e outro apenas com “postos de comando” (CPX) mas sem a característica especifica de “operações especiais”, mesmo que em vários, nomeadamente em Portugal, as Operações Especiais tenham tido intervenção. O último destes exercícios em Portugal realizou-se Regimento de Infantaria n.º 10 em S. Jacinto no ano de 2015 e o de 2017 decorreu no Brasil. Este ano de 2018 está prevista a sua realização em S. Tomé e Príncipe formato CPX e novamente FTX em Angola no ano seguinte.

OS militares portugueses empenhados no Felino 2004 tomam contacto com os meios aéreos angolanos que iriam ser empregues no exercício.

Os militares do CIOE não só participavam no planeamento do exercício como depois no terreno actuavam em funções de Estado-Maior  e nos destacamentos operacionais.

Um destacamento de operações especiais composto por militares de vários países da CPLP, sob o comando de um capitão do CIOE, no decurso de uma acção directa.

Estes exercícios eram e são uma boa oportunidade para tomar contacto com o armamento e equipamento de origem “soviética”.

Na actualidade e ainda em termos de cooperação pode estar para breve a abertura de uma nova assessoria do CTOE no estrangeiro, em Timor-Leste. É um assunto em aberto, este país tem enviado – como aliás vários outros da CPLP  – militares seus para frequentarem  cursos de operações especiais (neste preciso momento há militares timorenses em Lamego), e tem em estudo o levantamento dessa capacidade, eventualmente com o apoio de quadros das OE portuguesas em Timor-Leste.

Unidade do Exército

Como unidade do Exército à semelhança de todas as outras o CTOE é ainda empenhado em muitas missões destinadas a colaborar com a proteção civil e tarefas relacionadas com satisfação das necessidades básicas e a melhoria da qualidade de vida das populações. Não nos vamos alongar mas queremos deixar esta imagem: em 2017 o CTOE empenhou 276 militares em patrulhas nas serras de Montemuro e Leomil e 342 em acções de apoio ao combate a incêndios em Monção, Ponte da Barca, Cinfães, Lamego, Vila Real, Sabrosa, Sernancelhe, Vila Nova de Paiva, Mangualde, Ferreira do Zêzere e Mação.

Para se perceber bem do que estamos a falar em termos de esforço da unidade, este virado para o apoio à população, mais o apoio ao recrutamento que também é feito, formação, exercícios e actividade operacional, estamos a falar de uma unidade com um efectivo total que ronda os 400 militares em quadro orgânico, o qual não está completo como a generalidade das unidades do Exército e mesmo das Forças Armadas.

A boina “verde seco” das Operações Especiais foi adoptada em 1989 mas um par de anos antes já se usava o actual emblema na boina castanha que durante a Guerra no Ultramar quer as Companhias de Caçadores Especiais – de vida efémera – quer os militares formados em Lamego no CIOE, usavam. Quando a partir de 1994 todo o Exército adoptou um único emblema de boina – o actual – o CIOE conseguiu manter o seu. Com a recriação dos Comandos em 2000, estes foram autorizados a recuperar o seu emblema de boina e, acto continuo, o Exército autorizou um novo criado para as Tropas Pára-quedistas. As três Tropas Especiais do Exército têm assim hoje emblemas de boina exclusivos. De acordo com o Regulamento de Uniformes do Exército os militares com os cursos de Operações Especiais, Pára-quedismo Militar e Comandos podem usar as boinas respectivas – verde-seco, verde e vermelha – mas os emblemas de boina exclusivos só podem ser usados se estiverem em serviço nas unidades dessas tropas, devendo quem não estiver usar o emblema de boina do Exército e os oficiais generais a estrela de ouro fosco.

Uma novidade com semanas, a nova simbologia da Força de Operações Especiais – aqui num emblema de baixa visibilidade para os uniformes de campanha, as cores originais são o negro em fundo e o ouro/amarelo para as figuras e letring. O LEOPARDO – Simboliza a casta guerreira, que como hábil caçador alia à ferocidade a astúcia e a destreza, representa o gabo, a firmeza e a força; O PUNHAL – Simboliza o carácter castrense de quem faz do ousar, a sua conduta; A TROMPA DE CAÇA – símbolo histórico das Unidades de Caçadores Especiais; AS FOLHAS DE CARVALHO E LOURO – Simboliza a Vontade e o Valor das Operações Especiais; O TRIÂNGULO – O triângulo equilátero, símbolo da harmonia, da estabilidade e do equilíbrio entre o ser, o saber e o fazer. A identificação da unidade em semicírculo “FORÇA DE OPERAÇÕES ESPECIAIS”.

Conclusão

A unidade não parou nem pára para se reestruturar! As muitas missões nacionais e internacionais que lhe são atribuídas, umas mais adequadas do que outras – a tal questão da doutrina versus necessidade – mas sempre executadas com determinação e grande empenho, continuam todos os dias. O ritmo da unidade é muito intenso e só não usamos a palavra alucinante para não chocar! Em boa verdade sentimos isto em Lamego como noutras unidades do Exército! As missões sucedem-se e o pessoal é escasso, um problema transversal a todo o ramo terrestre e mesmo às Forças Armadas, mesmo que aqui em Lamego, dizem-nos, a falta de praças não é tão grave como em várias outras unidades. A retenção dos efectivos em praças constitui bem entendido uma das preocupações e não será por acaso que foi exactamente pelos alojamentos e estruturas de apoio às praças que as melhorias em infra-estruturas começaram. Mas, as coisas são como são, e há problemas de fundo como este do recrutamento e retenção do pessoal que não se resolvem com uma única medida, mesmo que possa assim ser minorado, nem dependem das unidades nem mesmo do ramo ou das forças armadas. No momento actual da vida nacional, se um Cabo de operações especiais que é um militar muito especializado, com uma formação inicial demorada e depois uma formação continua dispendiosa, que utiliza armamento e equipamento sofisticado (e caro!), e que está permanentemente empenhado em missões fora da sua área de residência, muitas vezes por semanas inteiras, se esse militar não for pago adequadamente, é muito difícil que fique muitos anos ao serviço. Encontramos em Lamego muita esperança no futuro Regime de Contrato de Duração Prolongada e percebe-se. Não havendo para as praças soluções de continuidade, a situação só pode piorar e com ela uma efectiva diminuição da capacidade operacional das diferentes unidades. Esta situação tem maior gravidade nas forças de primeiro emprego do Exército – Operações Especiais, Pára-quedistas e Comandos – que deviam pelo nível de prontidão que lhes é exigido estar com os efectivos muito próximos ou mesmo a 100%, o que não se verifica.

Só uma grande dedicação às unidades a que pertencem, e no fundo ao tipo de vida que escolheram, a vida militar, ainda leva muitos contratados a permanecer vários anos nas fileiras.

Em Lamego vivem-se tempos de optimismo, finalmente as novas instalações para a Força de Operações Especiais vão ser construídas e serão um modelo – como os alojamentos para praças – estão desenhadas para a finalidade a que se destinam. O armamento e equipamento estão a chegar e com a qualidade desejada, diremos mesmo que por enquanto sem paralelo nas restantes forças do ramo terrestre e mesmo das Forças Armadas. 

Penude, aqui nascem os elementos de operações especiais do Exército Português e vários outros de forças nacionais e estrangeiras também são formados. A “placa” do Curso de Operações Especiais foi criada em 1970 para uso nos uniformes – insígnia de peito, metálica, “dois gládios passados em aspa, acompanhados à dextra e à sinistra por folhas de louro e carvalho”. De ambos os lados do mastro podem ler-se as designações dos cursos (a amarelo) e por cima, nas placas, a evolução das semanas já cumpridas em cada um deles.

Clique e veja o filme: Em Lamego com as Operações Especiais do Exército

Leia aqui a primeira parte desta reportagem: EM LAMEGO COM AS OPERAÇÕES ESPECIAIS DO EXÉRCITO (I)

(*) Mesmo que já tenha uns anos – é de 2011 – esta obra sobre o CIOE/CTOE, recomenda-se: CIOE/CTOE, OPERAÇÕES ESPECIAIS, 50 ANOS

(**) Esta foi a segunda operação de evacuação de não combatentes depois do final da guerra do Ultramar. A primeira teve lugar em 1992, em Angola, São Tomé e Príncipe e Congo Brazaville e foi conduzida maioritariamente pela Força Aérea (incluindo pára-quedistas) e Marinha, com empenhamento de pessoal médico do Exército e do Grupo de Operações Especiais da PSP. Leia aqui: ANGOLA, NOVEMBRO DE 1992: ONDE NECESSÁRIO QUANDO NECESSÁRIO

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