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UMA MANHÃ NOS «COMANDOS»

Os Comandos, criados em 1962 para enfrentar a guerra no Ultramar, estão hoje de novo empenhados num cenário de conflito, o Iraque, onde juntamente com outros militares do Exército, são a parte mais visível da participação portuguesa no combate ao “estado islâmico”. A história dos Comandos é feita de muitas glórias e por um espírito de corpo e determinação pouco vulgares em Portugal, o que os mantém na primeira linha da capacidade de intervenção das Forças Armadas Portuguesas. O Operacional visitou o Centro de Tropas Comandos da Brigada de Reacção Rápida e mostra o que viu.

Assalto a uma instalação usada por "terroristas", uma das actividades de treino dos Grupos de Combate do Batalhão de Comandos na Serra da Carregueira. [1]

Assalto a instalação usada por “terroristas”, uma das actividades de treino dos Grupos de Combate do Batalhão de Comandos na Serra da Carregueira.

Serra da Carregueira

O Centro de Tropas Comandos da Brigada de Reacção Rápida (CTC/BrigRR), localiza-se nos arredores da capital, no quartel da Serra da Carregueira / Mira Sintra, uma unidade que dispõe de boas condições para instrução – uma enorme área arborizada com 250 hectares, carreiras de tiro, pistas de obstáculos, torre de montanhismo – e ao mesmo tempo está junto a excelentes vias de comunicação rodoviárias (A-16 e CREL), o que coloca os Comandos relativamente próximo dos portos e aeroportos de Lisboa, e também da Base Aérea n.º 1 em Sintra.

A visita que o Operacional acompanhou destinava-se prioritariamente a cadetes da Academia Militar (4.º ano/Arma de Infantaria), e o programa definido pretendeu mostrar a utilização prática de alguns tipos de armas de infantaria, possibilidade de emprego e questões relativas à formação e treino nesta área do armamento e tiro. Esta reportagem não pretende assim mostrar todas as capacidades dos Comandos, apenas o que foi mostrado a estas duas dezenas de futuros oficiais do Quadro Permanente do Exército Português, alguns dos quais em breve, poderão se assim o desejarem frequentar o Curso de Comandos. Talvez por isso, mas também certamente para enquadrar o assunto “comandos” para jovens militares que nunca ali tinham estado, na apresentação feita não deixaram de ser referidas com algum detalhe a história e as diferentes fases da formação do “comando” e, em simultâneo, sugestões ao voluntariado para o Curso de Comandos.

Cerimónia de hastear da Bandeira Nacional na Parada Major-General Jaime Neves. A rocha é uma "fraga" da região transmontana onde nasceu Jaime Neves. Se Gilberto Santos e Castro marcou as primeiras gerações desta tropa especial, Jaime Neves é certamente o Comando que maior reconhecimento alcançou, destacando-se o seu papel no 25 de Novembro de 1975 à frente do Regimento de Comandos e o modo como liderou a unidade nestes tempos conturbados. [2]

Hastear da Bandeira Nacional na Parada Major-General “Cmdo” Jaime Neves. A rocha é uma “fraga” da região transmontana onde nasceu Jaime Alberto Gonçalves das Neves (1936-2013). Se Gilberto Santos e Castro marcou as primeiras gerações desta tropa especial, Jaime Neves é certamente o Comando que maior reconhecimento público alcançou em Portugal, destacando-se o seu papel no 25 de Novembro de 1975 à frente do Regimento de Comandos, a sua personalidade carismática e o modo como liderou a unidade nesses tempos conturbados.

Apesar do regulamento de ordem unida comum aso três ramos das Forças Armadas, os Comandos - e outras unidades de elite, diga-se - continuam a manter algumas tradições. A posição de "à vontade" é uma delas. [3]

Apesar do regulamento de ordem unida comum das Forças Armadas, os Comandos – e outras unidades de elite, diga-se – continuam a manter algumas tradições. A posição de “à vontade” e a colocação da mão direita sobre a pistola são duas delas.

Boina vermelha (introduzida em 1975), com simbologia especifica e fitas pretas, é um dos símbolos maiores dos Comandos. O "crachat" e o "dístico" são outros. [4]

Boina vermelha (introduzida em 1974, primeiro como boina regimental e depois apenas para quem completa o curso de comandos), com simbologia especifica e fitas pretas, é um dos símbolos maiores dos Comandos. O “crachat” e o “dístico” são outros dois.

Duas V-200 "Chaimite" estão hoje, como monumentos, na Parada MGen "Cmdo" Jaime Neves, e foi uma boa opção. O Regimento de Comandos foi o maior utilizador deste tipo de viaturas no nosso Exército (50 unidades), exactamente nos anos do Coronel Jaime Neves. Não sabemos se está previsto ou não, mas seria interessante aplicar o esquema de cores desses tempos (camuflado) e instalar a torre que então utilizavam. Seja como for é uma bela homenagem à viatura e ao seu papel nos Comandos. [5]

Duas V-200 “Chaimite” estão hoje, como “monumentos”, na Parada MGen “Cmdo” Jaime Neves, e foi uma boa opção. O Regimento de Comandos foi o maior utilizador deste tipo de viaturas no nosso Exército (50 unidades), exactamente nos anos do Coronel Jaime Neves como comandante. Não sabemos se está previsto ou não, mas seria interessante aplicar o esquema de cores desses tempos (camuflado) e instalar a torre que então utilizavam. Seja como for é uma bela homenagem à viatura de fabrico nacional e ao seu papel no Regimento de Comandos.

Mais duas tradições nos Comandos, o "sentido" com a mão fechada, e a simbologia das Companhias, no ombro, em material metálico. [6]

Mais duas tradições nos Comandos, o “sentido” com o punho cerrado, e a simbologia das Companhias, no ombro, em material metálico.

Leitura do "Código Comando".  [7]

Leitura do “Código Comando” (transcrição no final deste artigo).

Depois da leitura do Código Comando o oficial procede à sua entrega comandante das forças em parada. Outra singularidade dos Comandos nos dias de hoje, o uso da "t-shirt" branca com o uniforme camuflado. [8]

Depois da leitura do Código Comando o Tenente Marçal procede à sua entrega comandante das forças em parada, neste dia o 2.º Comandante do CTC, Tenente-Coronel Ruivo. Outra singularidade dos Comandos nos dias de hoje, o uso da “t-shirt” branca com o uniforme camuflado.

Os cadetes da Academia Militar assistiram a uma exposição sobre a unidade, no auditório que ostenta a [9]

Os cadetes da Academia Militar assistiram a uma exposição sobre a unidade, no auditório que ostenta (não é visível na fotografia) a última Bandeira dos Comandos Hasteada em Angola. Pertenceu à 113.ª Companhia de Comandos que ali serviu em Junho de 1975. O culto da história, comum aos militares em geral, é aqui muito marcado pelos feitos da última guerra no Ultramar Português, bem vivos na memória de muitos, sobretudo os membros da Associação de Comandos, importante factor de ligação entre os que estão e os que estiveram nas unidades Comandos.

Da Zemba a Besmayah – 1962/2015

A história dos Comandos do Exército Português está escrita, há livros e inúmeros artigos sobre o tema (ver a Cronologia Oficial no final do artigo), vamos apenas fazer aqui uma síntese, organizando-a em épocas que nos parecem diferenciadas. O espírito Comando, esse, atravessa todo este tempo se não de modo igual, pelo menos muito semelhante, e no essencial, tem sido o cimento e a principal razão do sucesso com que têm enfrentado os “ventos da história”.

Consideramos assim, 5 grandes épocas:

Guerra de contra-guerrilha no antigo Ultramar, entre 1962 e 1974, na qual os diferentes centros de instrução (Angola – Zemba, Quibala, Luanda; Moçambique – Namaacha, Montepuez; Guiné – Brá; Lamego), prepararam cerca de 9.000 Comandos para missões de contra-guerrilha nas quais obtiveram excelentes resultados operacionais e por isso foram distinguidos com as mais elevadas condecorações quer a título individual quer colectivo. Foram 12 anos como unidades de intervenção, sempre na primeira linha dos combates, onde pagaram um elevado preço de sangue: 357 mortos, 771 feridos e 28 desaparecidos.

Período revolucionário e a normalização democrática em Portugal, entre 1974 e 1976, na qual se assistiu à criação do Regimento de Comandos na Amadora e a introdução da boina vermelha, tendo a acção do Regimento sido determinante na chamada normalização democrática, contribuindo para a derrota pela força das armas, em 25 de Novembro de 1975, das facções consideradas radicais que dominaram a cena política em Portugal depois do golpe militar de 25 de Abril de 1974;

Guerra-fria na Europa e a Cooperação Técnico-Militar em África, de 1976 até 1993, na qual o Regimento de Comandos, procurou o seu lugar num sistema de forças virado para eventual conflito na Europa, integrou a Brigada de Forças Especiais do Exército e participou com pequenos destacamentos em exercícios internacionais no âmbito da NATO, iniciando ao mesmo tempo com sucesso, diferentes acções de Cooperação Técnico-Militar em África, sendo a mais relevante e que ainda se mantém, com Angola [10];

Extinção do Regimento de Comandos e criação do Centro de Tropas Comandos, de 1993 a 2006, na qual o Regimento foi extinto, poucos militares comandos quiseram frequentar o curso de pára-quedismo para integrar a Brigada Aerotransportada criada no Exército a partir das unidades, pessoal e meios das Tropas Pára-quedistas da Força Aérea, também extintas. Manteve-se no Exército a possibilidade de oficiais e sargentos frequentarem o Curso de Comandos em Lamego, no Centro de Instrução de Operações Especiais, com várias finalidades, nomeadamente manter viva a Cooperação Técnico-Militar, o que foi conseguido, e preservar conhecimentos, capacidades e tradições consideradas necessárias ao ramo terrestre. Em 2002 foi criada a 1.ª Companhia de Comandos (100.º Curso de Comandos), depois a 2.ª Companhia e finalmente o Batalhão de Comandos, no Regimento de Infantaria n.º 1 (Serra da Carregueira). Em 2006 foi legalmente criado o Centro de Tropas Comandos, em Mafra, onde se manteve até 2008, ano em que regressou à Serra da Carregueira.

Missões expedicionárias, desde 2004 até aos dias de hoje. Em 2004, uma companhia de comandos é integrada no Agrupamento Hotel (com base num Batalhão da Brigada Ligeira de Intervenção) e parte para Timor-Leste participando na missão das Nações Unidas no território, dando assim início ao envolvimento dos Comandos, com unidades constituídas, nas missões expedicionárias(*). No ano seguinte uma Companhia de Comandos integra a força da NATO no Afeganistão e este vai ser um teatro de operações onde os comandos permanecem até 2014, embora com uma ou outra interrupção dando lugar a outras forças da Brigada de Reacção Rápida. Primeiro como uma companhia como Força de Reacção Rápida e depois, com efectivos variáveis, por vezes em conjunto com outras unidades nacionais, integrando a Protecção da Força do Contingente Nacional, mas também fornecendo oficiais e sargentos para diferentes cargos de assessoria/mentoria, os Comandos foram a força nacional que mais tempo permaneceu no Afeganistão [11]. Já este ano, coube ao CTC preparar o contingente português que está no Iraque, no âmbito da Coligação Internacional liderada pelos EUA para combater o “estado islâmico”. A maioria da Força Nacional Destacada é composta por militares Comandos, estando empenhados em missões de assessoria, instrução e segurança em Besmayah nos arredores de Bagdad, numa base espanhola.

Uma boa condição física é indispensável a qualquer militar e mais ainda a militares que podem ser sujeitos a missões como as dos Comandos. Só treinando muito se consegue ter boa condição física, não há outras alternativas! [12]

Uma boa condição física é indispensável a qualquer militar e mais ainda a militares que podem ser sujeitos a missões como as dos Comandos. Só treinando muito se consegue ter boa condição física, não há outras alternativas!

Esta torre permite executar um leque muito diferenciado de técnicas relativas ao montanhismo e ainda outras, por exemplo, combate em áreas urbanas. [13]

Esta torre permite executar um leque muito diferenciado de técnicas relativas ao montanhismo e ainda outras, por exemplo, combate em áreas urbanas.

A pista de obstáculos pode ser utilizada para diferentes finalidades. Aqui treina-se a transposição com arma e, sempre, pronta a ser usada. [14]

A pista de obstáculos pode ser utilizada para diferentes finalidades. Aqui treina-se a transposição com arma e, sempre, pronta a ser usada.

E com a repetição de movimentos simples e com a automatização dos mesmos que se consegue, a proficiência em muitas destas técnicas que, num caso real, podem fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso. [15]

É com a repetição de movimentos simples e com a automatização dos mesmos, que se consegue a proficiência em muitas destas técnicas que, num caso real, podem fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Não sendo uma pista muito dura, nem muito complexa, não deixa de ter a sua exigência em ambos os aspectos, contribuindo para melhorar a capacidade física, técnica e o desembaraço de quem a executa. [16]

Não sendo uma pista muito dura, nem muito complexa, não deixa de ser exigente em ambos os aspectos, contribuindo para melhorar a capacidade física, técnica e o desembaraço de quem a executa.

Seja a subir as escadarias, seja a executar o rappel, arma sempre em posição! [17]

Seja a subir as escadarias, seja a executar o rappel, arma sempre em posição!

17  Comandos DSC_0773 [18]

Além de treinar as técnicas em concreto para transpor cada obstáculo, e de isso ser feito com arma, a pista acaba por ser também um bom sistema para cada militar avaliar a sua própria condição física.

Só aqui e no lançamento de granadas, a arma não está "apontada ao inimigo". [19]

Só aqui e no lançamento de granadas, a arma não está “apontada ao inimigo”.

Demonstração de entrada num edifício.  O local estava guardado por "terroristas", a acção começou com a eliminação com armas de apoio dos elementos visíveis, e seguiu-se a entrada em acção desta equipa de assalto. [20]

Demonstração de entrada num edifício. O local estava guardado por “terroristas”, a acção começou com a eliminação com armas de apoio dos elementos visíveis, e seguiu-se a entrada em acção desta equipa de assalto com arrombamento da porta e, na imagem, neutralização de eventual resistência no interior.

A equipa divide-se parte entra no edifício e outra parte mantém segurança periférica. [21]

A equipa divide-se parte entra no edifício e outra parte mantém segurança periférica.

Procedeu-se à captura do "alvo" e este tem que ser revistado... [22]

Procedeu-se à captura do “alvo” e este tem que ser identificado (será ele mesmo?),  revistado…

...neutralizado e transportado para o ponto de exfiltração. [23]

…neutralizado e transportado para o ponto de exfiltração.

Organização e missão

O CTC é uma das unidades da Brigada de Reacção Rápida, sendo esta uma das 3 brigadas que estão na dependência do Comando das Forças Terrestres do Exército. O CTC é uma unidade tipo regimento, sob o comando de um coronel, que dispõe de um estado-maior (secções de pessoal, operações/informações/segurança, logística e formação), uma companhia de comando e serviços, uma companhia de formação e o batalhão de comandos. Este está organizado em termos legais com uma companhia de comando e apoio e três companhias de comandos. Detalhando um pouco esta organização, as Companhia de Comandos, estão organizadas em Secção de Comando, Secção de Transmissões, Secção de Manutenção e 4 Grupos de Combate. Cada Grupo de Combate tem 30 militares e está dividido Equipas de Comandos. Estas são compostas por 1 sargento e 4 praças, tendo cada um deles uma especialização (pisteiro, sapador, socorrista, apontador metralhadora-ligeira).

Para este ano de 2015 o CTC está a preparar-se para empenhar na Força de Reacção Rápida do Estado-Maior General das Forças Armadas, o Comando e Estado-Maior do Batalhão e 1 Companhia de Comandos (período de “stand-by” em 2016), estando a outra companhia operacional disponível para ser empregue como Força Nacional Destacada, sendo uma unidade de reserva da componente terrestre do sistema de forças nacional.

Em termos de efectivos o CTC está, em termos globais (Comandos e não-Comandos e Civis) com cerca de 65% daquilo que é o seu quadro orgânico, situação decorrente das restrições impostas à generalidade das unidades militares pelas reduções de efectivos globais das Forças Armadas.

A missão genérica do CTC é aprontar um Batalhão de Comandos (BCmds) e ministrar cursos na área formativa “Comandos”. Este batalhão deve estar capacitado para conduzir «…operações de combate de natureza eminentemente ofensiva, de forma independente ou em apoio de outras forças, em condições de elevado risco e exigência…». Nesse sentido os Comandos preparam-se para efectuar operações de resposta a crises, de contrainsurgência, de combate ao terrorismo, de cooperação técnico-militar, de interesse público e outras ainda.

O BCmds realiza um Ciclo de Treino Operacional muito exigente, os seus quadros e praças estão em elevado grau de prontidão como se percebe pelas missões que podem ser chamados a cumprir. Este plano semestral inclui não só aulas teóricas e acções de formação na Serra da Carregueira e no exterior, como a participação em exercícios, quer da unidade quer da BrigRR e do Exército. O BCmds participou recentemente no Orion 2015 [24], na parte respeitante à Operação de Evacuação de Não-Combatentes e certamente será empenhado no Trident Juncture 2015, o grande exercício da NATO que também vai ter lugar em Portugal. Ainda este ano o CTC manterá quadros e praças na Operação “Inherent Resolve” [25] (cerca de 20 militares) e quadros, embora em número reduzido, nas acções de Cooperação Técnico-Militar com Angola [26], alguns a título temporário, empenhados em acções de formação ligada ao tiro de combate, uma das áreas muito desenvolvidas e treinada no CTC.

Numa das carreiras de tiro do CTC a equipa que vai efectuar a demonstração de tiro de combate, está a fazer o aquecimento como se tratasse de uma sessão de treino físico. E vai ser mesmo, começa com a execução de uma pista de obstáculos. [27]

Numa das carreiras de tiro do CTC a equipa que vai efectuar a demonstração de tiro de combate, faz o aquecimento como se tratasse de uma sessão de treino físico. E vai ser mesmo, começa com a execução de uma pista de obstáculos.

A pista junto à carreira de tiro tem meia dúzia de obstáculos, é em terreno acidentado e deve ser executada em ritmo elevado. [28]

A pista junto à carreira de tiro tem meia dúzia de obstáculos, é em terreno acidentado e deve ser executada em ritmo elevado.

Terminada a pista os militares equipam e armam. Dentro de segundos vão iniciar a progressão prontos a fazer fogo real. A intenção é mesmo que cheguem aqui cansados, ofegantes, e que lhes seja dificil fazer tiro com precisão. [29]

Terminada a pista os militares equipam e armam. Dentro de segundos vão iniciar a progressão prontos a fazer fogo real. A intenção é mesmo que cheguem aqui cansados, ofegantes, e que lhes seja dificil fazer tiro com precisão.

Caíram "debaixo de fogo", procuram abrigo e vão ripostar, no meio de fumos e rebentamentos que lhes dificultam o tiro. [30]

Caíram “debaixo de fogo”, procuram abrigo e vão ripostar, contra alvos fixos e móveis a distâncias diferentes.

A espingarda automática SIG SG 543 5,56mm ainda é usada quer nos Comandos quer nas Operações Especiais, em situações de treino, mas espera-se que por muito pouco tempo. [31]

A espingarda automática SIG SG 543 5,56mm ainda é usada quer nos Comandos quer nas Operações Especiais, em situações de treino, mas espera-se que por muito pouco tempo.

Nesta Carreira de Tiro em concreto os militares não podem progredir no terreno como noutras,  por questões de segurança, executando o tiro sempre na mesma linha. Fumos e rebentamentos criam dificuldades acrescidas ao cansaço da pista de obstáculos, para testar os atiradores com o máximo realismo possível. [32]

Nesta Carreira de Tiro em concreto os militares não podem progredir no terreno como noutras, por questões de segurança, executando o tiro sempre na mesma linha. Fumos e rebentamentos criam dificuldades acrescidas ao cansaço da pista de obstáculos, para testar os atiradores com o máximo realismo possível.

A arma de apoio da equipa essa sim um arma moderna - mesmo que não estivesse equipada com visor óptico - a HK MG 4, calibre 5.56mm. [33]

A arma de apoio da Equipa, essa sim moderna a HK MG 4, calibre 5.56mm

Instrução Comando em 2015

Os Comandos hoje incorporam um misto de tradição e modernidade, um acumular de conhecimentos, que fazem deles uma das unidades de intervenção rápida das nossas Forças Armadas, capazes de actuar nos diferentes tipos da conflitualidade moderna, quer pela formação que têm quer pela sua predisposição para o combate. Não nos foi dito mas vimos, que parte do material em uso, do armamento a diversos equipamentos individuais, bem necessitam de um “upgrade” compatível com as características desta tropa!

Mesmo que as mudanças tenham sido muitas ao longo destes mais de 50 anos, a realidade é que a guerra tem coisas que mudam muito pouco. Os Comandos, com as continuadas presenças em operações no Afeganistão contactaram com um teatro de operações dos dias de hoje, introduziram técnicas, tácticas, procedimentos, e mesmo alguns equipamentos novos, mas por outro lado, valorizaram aspectos de sempre da sua formação.

Em linhas gerais a instrução para ser Comando assenta em três pilares: a técnica de combate, o tiro de combate e o treino físico. O Curso é ministrado durante 84 dias divididos em duas grandes fases, a da aquisição de conhecimentos e a da sua aplicação, que termina com um exercício, 12 dias, em ambiente “floresta” na região centro do país (Pinhal de Leiria), “água e planície” na zona do Alqueva e “montanha” na Serra do Marão.

No curso a complexidade da formação vai aumentando gradualmente da fase individual à fase de equipa e depois grupo de combate. Há um crescendo na instrução que incide sobre todos mas muito em especial sobre os militares com responsabilidade de comandar (equipas/grupos), obrigando-os a tomar decisões, a planear, sob muita pressão.

No CTC ministram-se também outros cursos destinados a aperfeiçoar as capacidades dos seus militares – e alguns em proveito de outras unidades – como por exemplo, o Curso de Instrutor de Tiro de Combate ou o Curso de Promoção a Cabo “Comandos”. O tiro é uma disciplina desde sempre muito acarinhada pelos Comandos, sabem bem a sua importância em combate, e nesse sentido têm vindo a melhorar a formação dos seus quadros o que depois naturalmente se reflecte nas tropas. Aqui o tiro que merece mais atenção é o que se realiza até aos 500m e o chamado “sharp shooter” (tiro com arma de precisão).

Foi uma pequena visita a uma grande unidade, esperamos ter dado com esta reportagem na Serra da Carregueira uma panorâmica muito geral aos nossos leitores sobre o que foram e são hoje os Comandos do Exército Português.

O Land Rover 130 TD4, designado por "Commando Assault Vehicle". Trata-se de uma viatura de uso civil adaptada à finalidade em causa, com vários componentes, como uma blindagem na sua parte inferior o que permite protecção acrescida aos ocupantes em caso de rebentamento de explosivos improvisados. [34]

O Land Rover 130 TD4, designado por “Commando Assault Vehicle”. Trata-se de uma viatura de uso civil adaptada à finalidade em causa, com vários componentes, como uma blindagem na sua parte inferior o que permite protecção acrescida aos ocupantes em caso de rebentamento de explosivos improvisados, apoios para armas e outras modificações.

A guarnição da viatura é de 5+1 e está equipada com 1 metralhadora pesada Browning 12,7mm (ou em alternativa uma HK MG 3 7,62mm) e 3 ou 4 HK MG 4 5,56mm. A viatura tem ums rolbar para proteger o pessoal em caso de capotamento e onde está o berço da arma principal e também... [35]

A guarnição da viatura é de 5+1 e está equipada com 1 metralhadora pesada Browning 12,7mm (ou em alternativa uma HK MG 3 7,62mm) e 3 ou 4 HK MG 4 5,56mm. A viatura tem uma “rolbar” para proteger o pessoal em caso de capotamento e onde está o berço da arma principal e também…

...para dois pneus suplentes, cunhetes de munições e um Carl Gustav. Do completo faz ainda parte um morteirete 60mm. [36]

…para dois pneus suplentes, cunhetes de munições e um Carl Gustav. Do completo faz ainda parte um morteirete 60mm, o que confere a esta viatura e sua guarnição um bom poder de fogo. Como sempre neste tipo de viaturas, a falta de protecção é compensada pela sua agilidade e velocidade (145Km/h).

Monumento ao Esforço Comando. Da autoria de Mestre Soares Branco, foi inaugurado em 10 e Junho de 1978, no antigo Regimento de Comandos, na Amadora, e transferido em 2008 para o Centro de Tropas Comandos, na Carregueira. “…o projecto do Monumento ao Esforço Comando é uma simbólica homenagem aos mortos na Guerra do Ultramar, eternizada num Comando de cobre martelado, em progressão cautelosa, procurando prudentemente o chão para o próximo passo, rodeado de perigos furtivos e dos nomes dos seus camaradas caídos em combate…” [37]

Monumento ao Esforço Comando. Da autoria de Mestre Soares Branco, foi inaugurado em 10 e Junho de 1978, no antigo Regimento de Comandos, na Amadora, e transferido em 2008 para o Centro de Tropas Comandos, na Carregueira.
“… é uma simbólica homenagem aos mortos na Guerra do Ultramar, eternizada num Comando de cobre martelado, em progressão cautelosa, procurando prudentemente o chão para o próximo passo, rodeado de perigos furtivos e dos nomes dos seus camaradas caídos em combate…”.

 

Cronologia histórica dos Comandos

(Fonte: site do Exército Português/página do Centro de Tropas Comandos)

A história dos Comandos começou em 25 de Junho de 1962, quando em ZEMBA, no norte de Angola, foram constituídos os primeiros seis grupos de combate, daqueles que seriam os antecessores dos Comandos. Os seis grupos obtiveram excelentes resultados operacionais

Em 1963 surgiu então, pela primeira vez, a designação de COMANDOS para as tropas instruídas no Centro de Instrução 16 em QUIBALA (Angola)

Em 13 de Fevereiro de 1964, iniciou-se na NAMAACHA (Lourenço Marques) o 1º Curso de Comandos de Moçambique

1965 – Passa a funcionar em LUANDA o Centro de Instrução de Comandos, criado por decreto-lei nº 46410 de 29 de Junho 65, que formaria Companhias de Comandos durante 10 anos, com destino às Regiões Militares de Angola e Moçambique (RMA, RMM)

1966 – Em Abril, é criado em LAMEGO um novo CI, onde passam a ser formadas Companhias de Comandos para os Teatros de Operações da Guiné e de Moçambique

1969 – Em Julho, é criado em BISSAU (Guiné) o Batalhão de Comandos da Guiné, que passa a integrar todas as Companhias de Comandos em actuação no Teatro de Operações da Guiné e, simultaneamente , funciona como CI, onde são formadas e recompletadas as 1ª, 2ª e 3ª Companhia de Comandos da Guiné

04Jul74 – É criado o Batalhão de Comandos nº 11, que fica aquartelado na Amadora, onde são integradas ou formadas as Companhias de Comandos

25Nov75 – O Regimento de Comandos intervém vitoriosamente e de forma altamente meritória nos destinos político-militares de Portugal, consolidando em definitivo a democracia e a liberdade conquistada em 25 de Abril de 1974 1976 – Nos diversos Centros de Instrução e até 1976, formaram-se um total de 67 Companhias de Comandos, que souberam sempre combater com determinação e valor, em todos os Teatros de Operações

01Out93 – É extinto o Regimento de Comandos

1996 – É ministrado o 99º Curso de Comandos, no Centro de Instrução de Operações Especiais / Lamego

09Maio02 – É reactivada a Unidade de Comandos, de escalão Batalhão a 2 Companhias, sedeada no Regimento de Infantaria Nº 1 – Serra da Carregueira

16Set02 – Início do 100º Curso de Comandos.

01Jul06 – É criado o Centro de Tropas Comandos (CTCmds). Por Despacho nº 131/CEME/2006 de 26Junho.

31Mar08 – O CTCMDS é transferido do Quartel do Alto da Vela para o Quartel da Carregueira pela Directiva Nº12/CEME/08 de 10 de Janeiro.

Código Comando

O COMANDO ama devotadamente a sua PÁTRIA, estando sempre pronto a fazer por ela todos os sacrifícios. Constante exemplo de energia, de amor ao trabalho, de dedicação e de lealdade aos chefes, não discute as ordens que recebe, não admite nem conhece embaraços ou resistências à sua integral execução.

O COMANDO pratica a camaradagem e procura assegurar a solidariedade moral entre todos os seus irmãos de armas; mas não aceita a indignidade, nem a desobediência, nem o desrespeito pelas regras da disciplina e da honra. Sempre disposto a auxiliar quem precisa do seu apoio material ou do seu amparo moral, quer na paz, quer na guerra, e em frente ao inimigo, afirma-se constantemente pessoa de carácter.

O COMANDO ama as responsabilidades; sempre pronto a comandar e disposto a obedecer, não admite a suspeita de haver nos seus superiores a intenção de oprimi-lo ou de, por qualquer forma, o diminuir. Porque é sua constante preocupação agir como verdadeiro COMANDO tem nos seus chefes ou comandantes a mais segura confiança e a mais acrisolada fé.

Sempre generoso na vitória e paciente na adversidade, o verdadeiro COMANDO trata com solicitude, acarinha e estimula aqueles que lutam e sabem vencer todos os obstáculos. Não admite a mentira mas respeita os estóicos e abnegados que servem sem preocupação de paga ou de satisfação de interesses de qualquer natureza.

O carácter, a lealdade, a fidelidade, a obediência e a determinação são virtudes inalienáveis do COMANDO. Sejam quais forem os seus dotes de saber o COMANDO que as não possua ou as despreze deve ser inexoravelmente privado do seu título.

O COMANDO não foge ao perigo, não evita as situações que possam acarretar-lhe incómodos. Incumbido de uma missão, põe no cumprimento dela todas as suas possibilidades de actuação, todas as suas forças físicas, intelectuais e morais.

O lema dos Comandos "A sorte protege os audazes" e em primeiro plano a representação em bronze do cerimonial da Homenagem aos Mortos tradicional nos Comandos: Cerimónia do mais alto e sentido significado para todas as tropas COMANDO. Nela são homenageados todos os COMANDOS caídos no cumprimento das suas missões, os quais são simbolizados por um Oficial, um Sargento e uma Praça, que transportam uma boina e uma arma que cravam na terra junto à Bandeira Nacional. [38]

O lema dos Comandos “A sorte protege os audazes” e em primeiro plano a representação em bronze do cerimonial da Homenagem aos Mortos tradicional nos Comandos:  um Oficial, um Sargento e uma Praça,  transportam uma boina e uma arma que cravam na terra junto à Bandeira Nacional ou ao Crachat Comando.

(*) A título individual vários militares “Comandos” integraram as primeiras missões de observadores militares na Ex-Jugoslávia, a partir de 1992, e outras em locais como Moçambique e Angola. Em 1996, quando o 2.º Batalhão de Infantaria Aerotransportado iniciou a participação portuguesa nas operações terrestres da NATO na Bósnia, parte substancial dos militares “Comandos” que se haviam juntado à Brigada Aerotransportada Independente (BAI), estavam nessa força. Em outras missões de batalhões da BAI, como no Kosovo ou em Timor-Leste, sucedeu o mesmo.

Veja aqui a VÍDEO-REPORTAGEM, VISITA AO CENTRO DE TROPAS COMANDOS [39]