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SEGUREX 2013

Estivemos mais uma vez de visita à «SEGUREX, Salão Internacional de Protecção e Segurança» que se realiza em Lisboa a cada dois anos. Justifica-se uma visita, há sempre uma ou outra novidade, mas continuam praticamente ausentes, ou muito discretos, os grandes fornecedores das Forças de Segurança e da Defesa Nacional.

4A. Segurex 13 [1]

O espaço da Tekever, inserido na área da PSP com a qual está a desenvolver e validar operacionalmente vários dos seus produtos. À direita na imagem o AR 1 Blue Ray e no chão, entre as duas pessoas, o LR 1 Spybot.

Sinal dos tempos, a componente comercial dedicada a equipamentos para forças militares e de segurança está representada com pouquíssimas empresas do ramo e não fora a participação institucional, sobretudo das Forças de Segurança mas também, menos, das Forças Armadas, e o certame nesta vertente, julgamos que não teria sequer justificação para se realizar. Para o público em geral terá interesse uma vez que pode tomar contacto com equipamentos das forças de segurança e das forças armadas que nem sempre estão acessíveis e há ali realmente uma ou outra novidade – mesmo que este ano também os organismos dependentes do Ministério da administração Interna e do Ministério da Defesa Nacional não estejam “em força” –. Para os profissionais, havendo menos novidades, sempre há uma ou outra na área nas tecnologias ligadas aos sistemas autónomos que podem interessar.

A grande lacuna quanto a nós verifica-se na área das empresas que em Portugal vendem material para as Forças de Segurança e Forças Armadas, as quais (segundo o anuário estatístico de defesa nacional de 2010, o último disponível) são uma centena, e ali estavam nem 10% deste número. Bem sabemos que as compras do Estado no último par de anos têm sido residuais e muitas empresas nacionais deixaram de ter capacidade para investir nesta área, ou, o que talvez ainda seja pior, mesmo tendo essa capacidade não o fazem porque não esperam vender nada nos próximos tempos! Não havendo grandes concursos de aquisição de armamentos e equipamentos em curso, uns foram cancelados outros adiados para melhor oportunidade, estão criadas as condições para as grandes empresas internacionais se desinteressarem deste nosso mercado, preferindo investir neste tipo de certames um pouco por todo o mundo, onde eles proliferam e realmente há negócio. Com uma ou outra excepção, as empresas estrangeiras fornecedoras de grandes equipamentos militares estão ausentes.

Ainda na área empresarial não deixa de ser estranho que o maior conglomerado nacional de empresas de defesa, a EMPORDEF, que até tem uma carteira de clientes razoável em algumas áreas (nomeadamente em Portugal mas também no estrangeiro), esteja representada por…uma mesa e uns folhetos!

Nota positiva para as empresas nacionais na área dos sistemas autónomos que continuam a lutar para impor os seus produtos, em Portugal e no estrangeiro. Uma singularidade bem portuguesa neste campo, o Estado apoia o desenvolvimento de sistemas que não têm como objectivo a criação de um produto nacional e a sua produção, mas apenas a investigação. Resultado, em Portugal as Forças Armadas e as Forças de Segurança não têm sistemas deste tipo para emprego operacional nas suas missões quer em território nacional quer nas missões internacionais. Na feira foi divulgado por uma das empresas (a TEKEVER) que está a trabalhar com a Policia de Segurança Pública (Unidade Especial de Policia) para validar operacionalmente alguns dos seus produtos, nomeadamente o «AR 1 – Blue Ray» (sistema autónomo aéreo) e o «LR 1 – Spybot» (sistema autónomo terrestre). Outra empresa a INTROSYS apresentou um produto, o «INTROBOT», que embora tenha clara aplicação para fins militares (vigilância, carga, e outras), está a ser direccionado para o mercado civil.

No espaço da Marinha / Mergulhadores estava exposto um «SEACOM 3» – designado ali como  detector de objectos afundados – desenvolvido pela Marinha e pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), financiado pelo Ministério da Defesa Nacional (MDN). Este ano o projecto PITVAN (Projecto de Investigação e Tecnologia em Veículos Aéreos Não Tripulados) [2], da Força Aérea e FEUP, também pago pelo MDN, estava ausente.

Seja como for, na área em que nos movemos, defesa e segurança, vale a pena uma visita e a nossa reportagem fotográfica tenta ilustrar isso.

Aspecto geral do certame com o espaço da Thales, uma das poucas firmas internacionais da área da defesa que esteve presente. [3]

Aspecto geral do certame com o espaço da Thales, uma das poucas firmas internacionais da área da defesa que esteve presente.

O interessante INTROBOT que pode transportar  350kg de carga útil, tem câmara de vigilância 360.º, 4 horas de autonomia e está a ser proposto para vigilância de áreas industriais... [4]

O interessante INTROBOT que pode transportar 350kg de carga útil, tem câmara de vigilância 360.º, 4 horas de autonomia e está a ser proposto para vigilância de áreas industriais…

Magno Guedes apresenta algumas da capacidades do equipamento, nomeadamente a possibilidade de se definir um trajecto através do google maps. Os seus sensores têm também, por exemplo, capacidade de reconhecimento facial de várias pessoas em simultâneo, e seguir caminhos detectados de modo autónomo. [5]

Magno Guedes apresenta algumas da capacidades do equipamento, nomeadamente a possibilidade de se definir um trajecto através do google maps. Os seus sensores têm também, por exemplo, capacidade de reconhecimento facial de várias pessoas em simultâneo, e de permitir ao «Introbot» seguir caminhos detectados de modo autónomo.

O AR 1 Blue Ray é um sistema autónomo aéreo que pode cumprir várias missões de interesse policial, nomeadamente vigilância, monitorização e reconhecimento. Pode operar de dia e de noite e alcança cerca de 20 km. É no fundo a versão policial do AR-4 Light Ray. [6]

O AR 1 Blue Ray (envergadura 1,80m) é um sistema autónomo aéreo que pode cumprir várias missões de interesse policial, nomeadamente vigilância, monitorização e reconhecimento. Pode operar de dia e de noite e alcança cerca de 20 km. É no fundo a versão policial do AR-4 Light Ray [7], concebido para missões militares.

O LR 1 Spybot é um mini sistema terrestre não tripulado para missões de reconhecimento que oferece imagens em tempo real de espaços interiores e exteriores. tem um alcance de 100m em espaços interiores e 250m em exteriores. Ideal para ambientes urbanos hostis, assaltos, operações de resgate, etc. [8]

O LR 1 Spybot (largura de 28,5 cm) é um mini sistema terrestre não tripulado para missões de reconhecimento que oferece imagens em tempo real de espaços interiores e exteriores. tem um alcance de 100m em espaços interiores e 250m em exteriores. Ideal para ambientes urbanos hostis, assaltos, operações de resgate, etc.

6.Segurex 13 [9]

Em primeiro plano, no solo, o SEACOM 3, detector de objectos afundados, capaz de atingir 50 m de profundidade. Tem uma autonomia de 18 horas e navega por GPS. O mergulhador tem o equipamento LAR VII COMBI, que opera em circuito fechado e semi-fechado.

Uma das duas viaturas "Streit" da Unidade Especial de Policia. Note-se que já foram adaptadas protecções de rede em diversos locais da viatura. [10]

Uma das duas viaturas “Streit” da Unidade Especial de Policia. Note-se que já foram adaptadas protecções de rede em diversos locais da viatura.

Um dos novos radares que as forças de segurança já utilizam para detectar viaturas em excesso de velocidade. Conseguem seguir uma viatura, podem ser ligados a semáforos para "disparar" sobre quem não respeite a sinalização, identificar duas viaturas em paralelo e indicar a que segue em velocidade autorizada e...a que não vai. [11]

Um dos novos radares que as forças de segurança já utilizam para detectar viaturas em excesso de velocidade. Conseguem, entre outras coisas, seguir uma viatura, podem ser ligados a semáforos para “disparar” sobre quem não respeite a sinalização, identificar duas viaturas em paralelo e indicar a que segue em velocidade autorizada e a que não vai.

Hoje em dia, quer a PSP, na foto, quer a GNR. dispõem de equipamento que em tempos estava reservado à Policia Judiciária, o que decorre naturalmente das alterações legislativas e das competências que forma atribuídas a estas forças de segurança. [12]

Hoje em dia quer a PSP quer a GNR dispõem deste tipo de equipamento que em tempos estava reservado à Policia Judiciária, o que decorre naturalmente das alterações legislativas e das competências que foram atribuídas a estas forças de segurança.

O Centro de Inactivação de Explosivos e Segurança em Subsolo, integra a Unidade Especial de Policia da PSP. Aqui está uma actividade que não é para todos! [13]

O Centro de Inactivação de Explosivos e Segurança em Subsolo, integra a Unidade Especial de Policia da PSP. Aqui está uma actividade que não é para todos!

No interior da Carreira de Tiro Móvel da PSP. Os visitantes com uso e porte de arma podiam fazer tiro com pistola 6,35mm. Estas viaturas destinam-se a percorrer o país e permitir o treino de tiro aos profissionais da PSP. [14]

No interior da Carreira de Tiro Móvel da PSP. Os visitantes com uso e porte de arma podiam fazer tiro com pistola 6,35mm. Estas viaturas destinam-se a percorrer o país e permitir o treino de tiro aos elementos da PSP.

A GNR acaba de receber estas viaturas Toyota que estão pintadas com cor base de cinzento, um novo "layout" e símbolo.Este (em destaque) foi criado legalmente em 2009 - como Distintivo Profissional da GNR - regulado agora em 3 de Maio (Portaria n.º 172-A/2013), e também incluído no novo Regulamento de Uniformes ( Portaria n.º 169/2013), aqui como "Distintivo da GNR". [15]

A GNR acaba de receber estas viaturas Toyota que estão pintadas com cor base de cinzento, um novo “layout” e símbolo. Este (em destaque) foi criado legalmente em 2009 – como “Distintivo Profissional da GNR” – regulado agora em 3 de Maio (Portaria n.º 172-A/2013), e também incluído no novo Regulamento de Uniformes ( Portaria n.º 169/2013), aqui como “Distintivo da GNR”. Este distintivo está a substituir em muitos suportes o até aqui usado “Brasão de Armas da GNR”.

Muitos dos meios das nossas forças de segurança têm sido adquiridos com apoios comunitários. Note-se, sobre a legenda da foto anterior, o "Brasão de Armas da GNR", aqui numa moto-quatro da Unidade de Controlo Costeiro. [16]

Muitos dos meios das nossas forças de segurança têm sido adquiridos com apoios comunitários. Note-se, sobre a legenda da foto anterior, no canto inferior direito, o “Brasão de Armas da GNR”, aqui numa moto-quatro da Unidade de Controlo Costeiro.

A câmara térmica OPAL-P usada pela Unidade de Controlo Costeiro da GNR na vigilância da costa. Fabricadas em Israel, permitem a visão nocturna e funcionam com infra-vermelhos. [17]

A câmara térmica OPAL-P usada pela Unidade de Controlo Costeiro da GNR na vigilância da costa. Fabricadas em Israel, permitem a visão nocturna e funcionam com infra-vermelhos.

Interior de uma das 8 viaturas Iveco adaptadas pela Indra (Espanha) para o "Sistema Integrado de Vigilância, Comando e Controlo da Costa Portuguesa". Quando estiver operacional - o que tarda - os militares que vão operara estes monitores das estações móveis (que complementam 20 estações fixas),tornarão mais difícil a vida de quem se dedica ao crime nas costas do continente português. [18]

Interior de uma das 8 viaturas Iveco adaptadas pela Indra (Espanha) para o “Sistema Integrado de Vigilância, Comando e Controlo da Costa Portuguesa”. Quando estiver operacional – o que tarda – os militares da Unidade de Controlo Costeiro que vão operar estes monitores das estações móveis (que complementam 20 estações fixas),tornarão mais difícil a vida de quem se dedica ao crime nas costas do continente português.

Viatura de comando e controlo do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS), da Unidade de Intervenção da GNR. [19]

Viatura de comando e controlo do Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS), da Unidade de Intervenção da GNR.

O "detector de vida" (tradução livre) da Delsar em uso no GIPS / GNR, é na realidade um aparelho extremamente sensível que permite detectar os mais pequenos movimentos/ruídos, por exemplo, no caso de haver pessoas subterradas [20]

O “detector de vida” (tradução livre) Delsar (Con-Space / Canadá) em uso no GIPS/GNR, é na realidade um aparelho extremamente sensível que permite detectar os mais pequenos movimentos/ruídos, por exemplo, no caso de haver pessoas subterradas.

O clássico radar para detectar veículos em excesso de velocidade. [21]

O clássico radar para detectar veículos em excesso de velocidade.

O Grupo de Intervenção de Operações Especiais da Unidade de Intervenção apresentou uma grande panóplia de armamento moderno (das HK G-36 às Accuracy 12,7mm e 7,62mm, passando pelo Lança Granadas Automático HK40mm), viaturas, e..uma nova boina, mais uma na GNR. Além da boina "verde -escuro" recentemente aprovada para a generalidade do efectivo da GNR, há ainda, pelo menos: GIOE (verde em cima e preta, em baixo); GIPS (castanha clara); Unidade de Intervenção (preta em cima e verde em baixo); Grupo de Intervenção Cinotécnico (azul). [22]

O Grupo de Intervenção de Operações Especiais da Unidade de Intervenção da GNR apresentou uma grande panóplia de armamento moderno (das HK G-36 às Accuracy 12,7mm e 7,62mm, passando pelo Lança Granadas Automático HK40mm), viaturas blindadas, e…uma nova boina, preta e verde (mais uma tonalidade desta cor, a terceira, nas boinas da GNR). No fundo a Guarda está a seguir as pisadas da PSP que também adoptou várias boinas para unidades especializadas. A GNR terá em breve uma boina para “todos” (e mais 4 boinas pelo menos para unidades especializadas), a PSP manteve para a generalidade dos seus elementos outras coberturas de cabeça, restringindo as boinas a um efectivo relativamente reduzido.

Uma viatura "rara", a Pandur II 8x8 Reconhecimento, dotada de equipamentos de VCB (Vigilância do Campo de Batalha). São apenas 4 das 240 destinadas ao Exército, e estão no Esquadrão de Reconhecimento da Brigada de Intervenção, que está aquartelado em Braga no Regimento de Cavalaria 6. Principais equipamentos, o radar BOR-A550 (na imagem à esquerda) e o Sistema de Reconhecimento, com câmaras térmica, diurna e telémetro laser. [23]

Uma viatura “rara”, a Pandur II 8×8 Reconhecimento, dotada de equipamentos de VCB (Vigilância do Campo de Batalha). São apenas 4 das 240 destinadas ao Exército [24], e estão no Esquadrão de Reconhecimento da Brigada de Intervenção, aquartelado em Braga no Regimento de Cavalaria 6. Principais equipamentos, o radar BOR-A550 (na imagem à esquerda) e o Sistema de Reconhecimento, com câmaras térmica, diurna e telémetro laser.

Os dois monitores da esquerda integram o sistema de observação (fabrico israelita) e o da direita o radar (alemão). O radar tem um alcance de 40 km; o sistema de observação detecta, reconhece e identifica alvos e dá as distâncias a que se encontram. Os computadores tácticos destes sistemas permitem variadas opções tácticas com as informações recolhidas. [25]

Os dois monitores da esquerda integram o sistema de observação (fabrico israelita) e o da direita o radar (alemão). O radar tem um alcance de 40 km; o sistema de observação detecta, reconhece e identifica alvos e dá as distâncias a que se encontram. Os computadores tácticos destes sistemas permitem variadas opções tácticas com as informações recolhidas.

O espaço do Instituto Geográfico do Exército era este ano de um a simplicidade extrema. [26]

O espaço do Instituto Geográfico do Exército era este ano de uma simplicidade extrema.

Os "Comandos" apresentaram a sua viatura Land Rover Defender 130, e algum (pouco) armamento individual e colectivo em uso no Exército Português. [27]

Os “Comandos” apresentaram a sua viatura Land Rover Defender 130, e algum (pouco) armamento individual e colectivo em uso no Exército Português. A viatura está armada com 1 Browning 12.7mm e 4 HK MG 4 5.56mm.

Aquela mesa com um pano verde era o espaço da EMPORDEF, Empresa Portuguesa de Defesa... [28]

Aquela mesa com um pano verde, 2 cadeiras e dois painéis, era o espaço da EMPORDEF, Empresa Portuguesa de Defesa, inserida na área da Marinha.

A Força Aérea esteve representada pelos Operadores de Assistência e Socorro (OPSAS) e... [29]

A Força Aérea esteve representada pelos Operadores de Assistência e Socorro (OPSAS) e…

Um dos HMMWV 1165A1/B3 das comunicações tácticas da Força Aérea que serviu no Afeganistão. [30]

Um dos HMMWV 1165A1/B3 das comunicações tácticas da Força Aérea que serviu no Afeganistão.

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FOTO REPORTAGEM «SEGUREX 09» [31]

SEGUREX 2011 [32]

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