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SEGUNDO ANO DE MISSÃO NO IRAQUE: FORMAÇÃO E TREINO

As Forças Armadas Portuguesas continuam o seu empenhamento no Iraque, tendo já entrado no segundo ano de missão. Trinta militares portugueses actuam num dos teatros de operações mais perigosos do mundo, cumprindo as directivas do poder político nacional no sentido de formar e treinar os militares iraquianos que combatem o “Daesh”.

Sargento português, empenhado na Operação Inherent Resolve, supervisiona uma sessão de tiro no Besmayah Range Complex

Sargento português, empenhado na Operação “Inherent Resolve”, supervisiona uma sessão de tiro no “Besmayah Range Complex”, uma das 4 bases do género onde a Coligação Internacional garante o treino das forças armadas do Iraque.

Segundo ano de missão na Coligação Internacional – Iraque

Em Abril de 2015 o governo português determinou às Forças Armadas, através da Portaria n.º 275/2015(*) a constituição de uma Força Nacional Destacada para o Iraque com a finalidade de integrar a Coligação Internacional – Iraque, liderada pelos EUA, que então como hoje, combate o designado “Daesh” ou “Estado Islâmico”.

A força portuguesa atribuída à  Combined Joint Task Force – Operation Inherent Resolve  foi integrada no contingente espanhol, em Besmayah, num complexo militar que estes designam por “Base Gran Capitán” e a coligação por “BPC (Building Partnership Capability) Besmayah” ou “Task Force Besmayah”. Ali a cerca de 50 km de Bagdade a Bandeira Nacional foi pela primeira vez hasteada em 17 de Maio de 2015. Neste BPC de comando espanhol servem além dos espanhóis e portugueses, ingleses e americanos.

O Exército Português já enviou 3 contingentes para esta missão, no âmbito da Coligação Internacional liderada pelos EUA, tudo indicando que a mesma vai ser prolongada, pelo menos por mais um ano. À Brigada Mecanizada competirá render a Brigada de Reacção Rápida que empenhou estes 3 primeiros contingentes e depois, tudo indica, uma nova FND será aprontada pela Brigada de Intervenção.

Os militares portugueses que integram Coligação Internacional liderada pelos EUA para actuar no âmbito da operação "Inherent Resolve" estão no Iraque desde Maio de 2015, devendo o primeiro contingente ser substituído no sexto mês de missão. O compromisso inicial de Portugal é de garantir um ano de permanência no Iraque. [1]

Os militares portugueses que integram Coligação Internacional liderada pelos EUA para actuar no âmbito da operação “Inherent Resolve” estão no Iraque desde Maio de 2015.

Militares portugueses no Besmayah Range Complex (em 20JUN16), praticam "combate em áreas urbanas" como treino de manutenção. Aqui têm sido formados muitos militares iraquianos que combatem o "Daesh". [2]

Militares portugueses no Besmayah Range Complex (em 20JUN16), praticam “combate em áreas urbanas” como treino de manutenção. Aqui têm sido formados muitos militares iraquianos que combatem o “Daesh”.

A Força Nacional Destacada actualmente no Iraque pertence ao 1.º Batalhão de Infantaria Pára-quedista da Brigada de Reacção Rápida. [3]

A Força Nacional Destacada actualmente no Iraque pertence ao 1.º Batalhão de Infantaria Pára-quedista da Brigada de Reacção Rápida.

Como se pode ver nesta foto-reportagem os militares portugueses utilizam diferentes tipos de armas em uso no local. Aqui a americana M-16. [4]

Como se pode ver nesta foto-reportagem os militares portugueses utilizam diferentes tipos de armas em uso no local. Aqui a americana M-16.

Militares da 72.ª Brigada do Exército Iraquiano treinam "combate em áreas urbanas" em Besmayah. [5]

Militares da 72.ª Brigada do Exército Iraquiano treinam “combate em áreas urbanas” em Besmayah.

Este é um tipo de instrução muito útil para este teatro dem operações onde os principais combates se fazem em áreas urbanas. [6]

Este é um tipo de instrução muito útil para este teatro de operações onde os principais combates se fazem em áreas urbanas.

Militar português no Besmayah Range Complex durante uma sessão de tiro com militares da 35.ª brigada do Exército Iraquino [7]

Militar português no Besmayah Range Complex durante uma sessão de tiro com militares da 35.ª brigada do Exército Iraquino

08 Iraque I Resolve 160409-A-LE273-058 [8]

09 Iraque I Resolve 160409-A-LE273-055 [9]

010 160409-A-LE273-038 [10]

Nova missão, agora com a NATO?

Primeiro o ministro dos negócios estrangeiros (em 20 de Maio) e depois o ministro da defesa nacional (15 de Junho), pronunciaram-se publicamente sobre a eventualidade de Portugal participar numa nova missão no Iraque. Quer um quer outro clarificaram que não é intenção de Portugal participar com meios militares no combate que a comunidade internacional tem em curso para aniquilar o “Daesh”, mas sim, se a NATO decidir avançar com uma missão, Portugal pode ponderar novo envolvimento para ajudar a “estabilizar” o Iraque, afastando os militares portugueses, mais uma vez, de missões operacionais, preferindo as de “formação e logística”, segundo Azeredo Lopes, que considerou que assim projecta «…o nome de Portugal na organização, até porque isso é também uma forma de projectar o País nas relações externas…».

Militares da 72.ª Brigada do Exército Iraquiano festejam o fim do seu exercício final de validação em Besmayah. Depoiis da formação aqui recebida são considerados aptos a entrar em combate, a realizar "operações complexas com meios variados e ultrapassar obstáculos como campos de minas ou de natureza urbana - portas, janelas, etc". [11]

Militares da 72.ª Brigada do Exército Iraquiano festejam o fim do seu exercício final de validação em Besmayah. Depois da formação aqui recebida são considerados aptos a entrar em combate, a realizar “operações complexas com meios variados e ultrapassar obstáculos como campos de minas ou de natureza urbana – portas, janelas, etc”.

Forças da 75.ª Brigada da 16.ª Divisão do Exército Iraquiano num exercício em Besmayah. Muito do material usado pelo Exército Iraquino é moderno e bem adaptado para o tipo de conflito em curso. [12]

Forças da 75.ª Brigada da 16.ª Divisão do Exército Iraquiano num exercício em Besmayah. Muito do material usado pelo Exército Iraquiano é moderno e bem adaptado para o tipo de conflito em curso.

Instrutores ingkleses e americanos em Besmayah ministram formação em "minas e explosivos". Parte da formação é nesta área uma vez que a realidade deste teatro de operações a isso obriga. Nesta caso em concreto estão a prepara uma "M58 Mine Clearing Line Charge" no decurso de uma formação de 6 semanas em "engenharia de combate". [13]

Instrutores ingleses e americanos em Besmayah ministram formação em “minas e explosivos”. Parte da formação é nesta área uma vez que a realidade deste teatro de operações a isso obriga. Neste caso em concreto estão a preparar uma “M58 Mine Clearing Line Charge” no decurso de uma formação de 6 semanas em “engenharia de combate”.

Militares americanos ministram formação em "M1 Abrams" a iraquianos da 35.ª brigada. [14]

Militares americanos ministram formação em “M1 Abrams” a iraquianos da 35.ª brigada.

Não queremos ou não temos capacidade?

Estas tomadas de posição sobre a tipologia da participação portuguesa parecem ter mais a ver com opções políticas – legítimas diga-se – de não empenhar forças de combate em determinados teatros de operações do que com as capacidades das Forças Armadas. Já em 2 de Abril deste ano, o ministro da defesa, em entrevista ao Expresso, sem clarificar, havia referido que «…Portugal não está em condições de participar no combate da Síria …». Ora é sabido que todos os chefes militares sempre declararam que todos aos ramos têm capacidade para actuar em qualquer teatro de operações da actualidade como, de facto, empenhamos militares e meios (navais, aéreos e terrestres) em operações reais e exercícios que o provam. As opções políticas são legítimas mas devem ser assumidas. A não participação militar portuguesa em determinadas componentes destas operações multinacionais em teatros de operações de elevado risco e complexidade, tem inevitáveis reflexos não só nas competências adquiridas que são mais limitadas e naturalmente diminuem a nossa real capacidade operacional como em questões relativas à imagem das Forças Armadas e de Portugal. Esta ausência portuguesa nas missões ofensivas comporta também o risco de atrasar ainda mais o mais do que necessário reequipamento, uma vez que as exigências para as missões de formação e treino e logísticas são substancialmente menores que outras “na linha da frente”.

Portugueses e espanhóis fazem tiro com a nossa G-3. A realização de treino em conjunto pelos militares das várias nacionalidades presentes é indispensável para o bom funcionamneto das actividades de instrução que depoiis t~em que ministrar aos militares do Iraque. [15]

Portugueses e espanhóis fazem tiro com a nossa G-3. A realização de treino em conjunto pelos militares das várias nacionalidades presentes é indispensável não só para a manutenção das suas capacidades, como para o bom funcionamento das actividades de instrução que depois, os formadores internacionais, têm que ministrar aos militares do Iraque.

O armamento em uso no Iraque, seja qual for a sua origem tem que ser bem conhecido dos formadores. aqui, em 20 de Junho de 2016, um militar português faz tiro com uma Dragunov no Besmaya Range Complex. [16]

O armamento em uso no Iraque, seja qual for a sua origem tem que ser bem conhecido dos formadores. aqui, em 20 de Junho de 2016, um militar português faz tiro com uma Dragunov no Besmaya Range Complex.

Em Besmayah com as relações públicas da Coligação.

As fotos que hoje ilustram este artigo são provenientes da  Combined Joint Task Force – Operation Inherent Resolve Public Affairs Office. Quem nos acompanha aqui no Operacional sabe que temos publicado vários artigos sobre esta missão portuguesa no Iraque (ver listagem/links no final do artigo), invariavelmente compostos por excertos de comunicados e fotografias divulgadas pelo Estado-Maior de Defesa de Espanha. Hoje no entanto, fotos e legendas foram obtidas nas próprias Relações Públicas da operação, que publicou recentemente mais uma reportagem fotográfica com a Task Force Besmayah e das quais retiramos – devidamente autorizados – as fotos onde militares portugueses apareciam e ainda algumas outras (em várias datas), sobretudo de meios auto e armamento (iraquianos), para dar aos nossos leitores uma noção do que estão a fazer os portugueses no Iraque e os meios com que lidam. Em Portugal como é sabido, a nível do EMGFA que tem o comando das missões no estrangeiro, apenas tem sido divulgado o efectivo que temos em presença – 32 militares – e as partidas/chegadas de contingentes. O Exército costuma divulgar no seu site a realização dos exercícios finais de preparação para a missão e a cerimónia de entrega / recepção do Estandarte Nacional.

As fotos inseridas neste artigo são da autoria de militares do Exército dos EUA, aos quais manifestamos o nosso agradecimento. Todas as imagens estão identificadas mas queremos referir em especial o Sargento Paul Sale e o Cabo Jacob Hamby, que fotografaram os portugueses. Sem estes documentos a memória da participação militar portuguesas nesta missão ficaria bem mais pobre.

(*) Esta portaria de 27ABR2015 previa um ano de missão, o qual já foi ultrapassado. Desconhecemos se outro documento legal já prolongou a participação portuguesa na missão.

Ponto da situação em 20 de Junho de 2016: Os EUA e a Coligação realizaram: 13,470 ataques (9,099 Iraque / 4,371 Síria). U.S: 10,304 Restantes países: 3,166 Países empenhados nos ataques: Austrália; Bélgica; Canada; Dinamarca; França; Jordânia; Holanda; Reino Unido; Bahrain; Arábia Saudita,; Turquia; Emirados Árabes Unidos. [17]

Ponto da situação em 20 de Junho de 2016: Os EUA e a Coligação realizaram: 13,470 ataques (9,099 Iraque / 4,371 Síria). U.S: 10,304 Restantes países: 3,166
Países empenhados nos ataques: Austrália; Bélgica; Canada; Dinamarca; França; Jordânia; Holanda; Reino Unido; Bahrain; Arábia Saudita,; Turquia; Emirados Árabes Unidos.

Quer ler mais no Operacional sobre esta missão no Iraque? Clique em:

3.º CONTINGENTE NACIONAL DE PARTIDA PARA O IRAQUE [18]

MISSÃO NO IRAQUE & MAIS UM NATAL LONGE DA PÁTRIA [19]

IRAQUE: NOVO CICLO DE FORMAÇÃO [20]

NOTÍCIAS DAS FORÇAS PORTUGUESAS NO IRAQUE [21]

BANDEIRA PORTUGUESA DE NOVO HASTEADA NO IRAQUE [22]

MISSÃO DAS FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS NO IRAQUE – 2015/16 [23]

COMANDANTE  DA COLIGAÇÃO INTERNACIONAL VISITA ESPANHÓIS E PORTUGUESES [24]

EXÉRCITO PORTUGUÊS NO IRAQUE: A MISSÃO CONTINUA! [25]

Leia no Operacional sobre anteriores missões portuguesas no Iraque:

A GNR NO IRAQUE, 2003-2005 [26]

PORTUGUESES EM KIRKUK : A ÚLTIMA MISSÃO [27]

GUERRA É GUERRA [28]