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“PROTEGER A POPULAÇÃO É A MISSÃO”

Assim começa a nova directiva do comandante da ISAF, difundida pela internet a quem a queira ler. Ao longo de 7 páginas define aquilo que se poderá chamar a “doutrina Obama” para o Afeganistão e que os nossos militares também têm que aplicar no terreno.

O contacto com a população que já se verifica deverá ser incrementado [1]

O contacto com a população que já se verifica deverá ser incrementado.


“O conflito será vencido pela persuasão da população e não pela destruição do inimigo. A ISAF alcançará o sucesso quando o Governo da República Islâmica do Afeganistão alcançar o apoio da população”.
Claro que se fala em combater e derrotar o inimigo, mas a tónica geral está aqui bem expressa. Este documento que aqui deixamos à leitura de cada um, tem muito interesse a vários níveis.
Desde logo por ter sido divulgado abertamente. Basta pensarmos um pouco no modo como por cá se tratam este tipo de directivas para se dar importância a este facto.
Depois pelo modo como está escrito que é tudo menos formal ou técnico. Apresenta casos/exemplos que ilustram bem aquilo que se pretende evitar e tem vindo a ser feito, mas também casos positivos a repetir.

A ISAF têm que falar não só para a opinião pública do Afeganistão como para vastas audiências internacionais [2]

A ISAF têm que falar não só para a opinião pública do Afeganistão como para vastas audiências internacionais.

Claro que está escrito para que toda a gente o leia, não haja ilusões, isto não se destina apenas aos militares da ISAF. Também este aspecto é quanto a nós interessante, a ISAF (e a NATO) têm que ganhar o apoio das opiniões públicas para manter esta guerra distante, cara e com um preço em vidas humanas que vai paulatinamente aumentando.
Curioso ainda e ilustrativo de uma maneira de comandar a que não estamos habituados, o facto deste documento oficial vir assinado pelo comandante da ISAF/NATO, o general do Exército Americano Stanley A. McChrystal e pelo seu Sargento-Mor, Michael T. Hall.

A guerra vai continuar por vários anos e o inimigo já demonstrou grande capacidade de adaptação [3]

A guerra vai continuar por vários anos e o inimigo já demonstrou grande capacidade de adaptação.

Num país que fez uma guerra anti-subversiva longa como Portugal, e cujas Forças Armadas produziram doutrina baseada na experiência operacional – de que são exemplo mais conhecido os 5 volumes “O Exército na Guerra Subversiva” do Exército Português / 1963 – não deixa de ser no mínimo interessante ler algumas passagens deste documento americano.

É sabido que o material usado pelas forças nacionais no Afeganistão nem sempre foi o adequado [4]

É sabido que o material usado pelas forças nacionais no Afeganistão nem sempre foi o adequado à missão, foi o que havia disponível.

Em breve mais militares portugueses vão partir para o Afeganistão. Já este mês de Setembro para render os seus camaradas das OMLT e respectiva unidade de protecção da força que lá se encontram a terminar os seis meses de missão. Em Janeiro nova unidade de escalão companhia do Exército assume novamente a missão já desempenhada entre 2005 e 2008 por Comandos e Pára-quedistas.
Embora Portugal mantenha actualmente no Afeganistão um Destacamento da Força Aérea e um Destacamento Médico dos três ramos, são sobretudo estes (OMLT e Companhia) que irão materializar no terreno o cumprimento desta “doutrina Obama”. Como bem sabem muitos portugueses que já lá estiveram em missões anteriores, têm pela frente um inimigo temível que já se mostrou capaz de fazer frente aos diferentes procedimentos das forças aliadas, como no passado a outro tipo de guerra por outro tipo de forças estrangeiras.

O contacto com forças estrangeiras no teatro de operações permite troca de experiências e conhecimento sobre a adequabilidade ou não de novos equipamentos. [5]

O contacto com forças estrangeiras no teatro de operações permite troca de experiências e conhecimento sobre a adequabilidade ou não de novos equipamentos.

Como aqui se escreveu em Março de 2009 ( http://www.operacional.pt/preparar-a-proxima-missao/ [6] ) se a nível individual e colectivo os nossos militares não têm  grandes vulnerabilidades em termos de treino, já a nível de determinados equipamentos nomeadamente viaturas, armamento e comunicações, a situação não é brilhante. A decisão recente (Resolução do Conselho de Ministros n.º 72/2009) de atribuir uma verba adicional a esta nova missão (5 milhões de euros e não 13 como foi divulgado pela imprensa generalista, pois 8 destinavam-se à missão da Força Aérea [7]), deixa antever que algumas lacunas serão colmatadas em tempo útil.

A atenção que os media ingleses dispensaram às questões dos materiais que o Exército Britânico dispõe no Afeganistão é exemplar para demostrar como a opinião pública pode contribuir para o seu reforço. [8]

A atenção que os "media" ingleses dispensaram às questões dos materiais que o Exército Britânico dispõe no Afeganistão é exemplar para demonstrar como a opinião pública pode contribuir para o seu reforço.

Enquanto vozes autorizadas da NATO avisam que vão ser necessários muitos mais militares – dezenas de milhar – para alcançar a vitória e que a guerra vai continuar por vários anos, o que desejamos no “Operacional” é que os nossos militares disponham dos equipamentos que necessitam para cumprir a missão e que a “doutrina Obama” tenha mais sucesso que a anterior. Quanto ao modo como a irão os portugueses aplicar não temos dúvidas.

Descarregue aqui a “Counterinsurgency Guidance” do comandante da ISAF [9].

Outros artigos no “Operacional” sobre o Afeganistão:

MAIS MILITARES PORTUGUESES PARA O AFEGANISTÃO [10]

DE SARAJEVO A CABUL, AS NOVAS CAMPANHAS DOS MILITARES PORTUGUESES [11]

CONTROLADORES AÉREOS AVANÇADOS EM COMBATE [12]

A TP9/MP9 À EXPERIÊNCIA NO AFEGANISTÃO [13]

LEGISLAÇÃO SOBRE MISSÕES DE PAZ [14]

MISSÕES EXTERIORES EM DESTAQUE [15]

MILITARES PORTUGUESES MORTOS EM MISSÕES DE PAZ [16]