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O PRINCIPAL DISTINTIVO DAS TROPAS PARAQUEDISTAS PORTUGUESAS(1)

É quase unânime a ideia entre os especialistas em simbologia (a mais universal e fascinante linguagem sintética) e heráldica de que os distintivos / emblemas têm uma importância capital nas organizações militares (e não só), pois uma das suas finalidades básicas é a de «…identificar e distinguir o utilizador».

os distintivos têm uma importância capital nas organizações militares (e não só), pois uma das suas finalidades básicas é a de «…identificar e distinguir o utilizador». [1]

«A força armada é, nos momentos do perigo, nas ocasiões decisivas da vida das nações, a representação viva da virilidade dos povos. Deixar esmorecer nela o orgulho do uniforme, ou não criar e desenvolver a mística de que nele está a tradução de uma finalidade heróica, que pode ser igualada mas não excedida, é contribuir para a dissolução dos laços de disciplina militar e para o próprio definhamento da força material e moral da grei.» (Dec nº39833 – 1OUT1954)

O distintivo de paraquedista (vulgo brevê paraquedista) é um símbolo com elevado significado e prestígio, padecendo sempre de uma mística muito própria que é comum a todas as unidades militares capazes de fazerem uso da “terceira dimensão”: o ENVOLVIMENTO VERTICAL.

Começo por relevar, em jeito de introdução que no panorama militar internacional todos os distintivos de qualificação paraquedista apresentam dois “elementos heráldicos” unificadores:

a calote do paraquedas;

as asas e/ou asa (na posição de voo e/ou na posição de poisar).

A feitura do distintivo português, destinado a simbolizar a especialidade em paraquedismo militar, alicerçou-se, ainda, nos seguintes fatores:

universalidade das afinidades plásticas para visualmente se poderem associar;

realce da sua função distintiva / identificadora.

Observados estes postulados, os primeiros países a introduzir oficialmente o uso do distintivo de qualificação paraquedista nos seus uniformes militares foram:

1932 – URSS;

1936 – FRANÇA e ALEMANHA.

Em Portugal, a primeira versão deste símbolo muito especial e acarinhado por todos os militares especializados em paraquedismo, nasceu em 23 de novembro de 1955 através do Decreto Nº40395, ficando assim ordenado:

Versão metálica do primeiro distintivo de qualificação paraquedista português (Col. do autor) [2]

Versão metálica do primeiro distintivo de qualificação paraquedista português usado entre 1955 e 1961 (Col. do autor)

«CRUZ DE CRISTO envolvida por duas pernadas de louro e ladeada por duas asas abertas, na posição de voo, com 70mm de envergadura, sobrepondo-se a um paraquedas aberto, prateado.»

As duas principais regras de atribuição desta primeira versão do distintivo de paraquedista português eram:

– conclusão com êxito do período de instrução no solo;

– execução de um mínimo de 10 (dez) saltos.

Para demonstrar o valor e o elevado significado deste distintivo para os militares paraquedistas, nada melhor do que transcrever o art. 22º do mesmo diploma (Decreto 40395 de 23NOV55):

«…Os paraquedistas que se recusarem a saltar no espaço com para-quedas quando lhes for determinado, além das sanções militares que devem ter lugar, serão irradiados e perdem o direito aos distintivos, vencimentos e outras regalias que lhes estavam conferidas

Distintivo de qualificação paraquedista usado entre 1961 e 1966 (Col. do autor) [3]

Distintivo de qualificação paraquedista usado entre 1961 e 1966 (Col. do autor)

A saga do distintivo de qualificação paraquedista continuou ao longo de mais de cinco décadas tendo, muito justamente, sido objeto de uma comunicação pormenorizada, ilustrada (II Congresso de Heráldica Militar – 11DEC2012) e, estruturada da seguinte forma:

FORÇA AÉREA: “NASCIMENTO” E SIMBOLOGIA (1955…);

EVOLUÇÃO DA COMPOSIÇÃO PLÁSTICA (1961…);

TRADIÇÃO E MODERNIDADE (1966…);

O DISTINTIVO DE “ALUNOS PARAQUEDISTAS”;

LOCALIZAÇÃO NOS UNIFORMES;

O DISTINTIVO DE PARAQUEDISTA NO EXÉRCITO (1994…).

Distintivo de qualificação paraquedista: aprovado em 1966, mantém-se em vigor até aos nossos dias (Col. do autor) [4]

Distintivo de qualificação paraquedista/versão metálica: aprovado em 1966, mantém-se em vigor até aos nossos dias (Col. do autor)

Aos leitores mais dedicados e interessados pela emblemática militar e, ao público em geral, é agora disponibilizada na íntegra a comunicação, apresentada no II Congresso de Heráldica Militar, sobre o “percurso histórico” do principal distintivo dos paraquedistas militares portugueses, intitulada: «O PRINCIPAL DISTINTIVO DAS TROPAS PARAQUEDISTAS PORTUGUESAS: TRADIÇÃO, SIMBOLISMO E MEMÓRIAS [5]».

 

 (1) – Texto extraído da comunicação apresentada pelo Sargento-Chefe Paraquedista SUCENA DO CARMO no II Congresso de Heráldica Militar, realizado em 11DEC2012 – Lisboa.