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MUSEUS MILITARES DE POZNAN: ARMAMENTO PESADO E AERONAVES

O Museu do Armamento do qual a parte interior se viu no artigo anterior, dispõe de uma área ao ar livre que apresenta muito material pesado quer do período da 2ª Guerra Mundial quer da época do Pacto de Varsóvia. Alguns, poucos, destes equipamentos ainda servem neste tempo em que a Polónia é, agora, membro da Aliança Atlântica.

O ISU 122 tendo em 2º plano um T-55 [1]

O ISU-122 (artilharia auto-propulsionada de origem soviética) usado na 2ª Guerra Mundial tendo em 2º plano um T-55 um dos principais carros de combate dos primeiros tempos do "Pacto de Varsóvia"

2ª Guerra Mundial
A participação polaca na 2ª Guerra Mundial não costuma ser muito falada a não ser para aludir ao inicio do conflito e à derrota face aos Exércitos do III Reich (a Oeste) e da URSS (a Leste). A participação dos polacos no decurso do conflito foi no entanto muito mais do que isso. Na realidade unidades polacas combateram em muitas frentes, ao lado dos Aliados, embora tal facto tenha sido “esquecido” ao longo dos anos de regime comunista. Foi um esforço de muitos milhares de polacos que combateram em diferentes unidades, apoiadas e armadas sobretudo pelo Reino Unido mas também numa fase inicial pela França. Narvik na Noruega, França, Reino Unido (batalha de Inglaterra) Tobruk (Líbia) e Itália, foram os teatros de operações onde se distinguiram tendo-se coberto de glória no assalto final a Monte Cassino onde conseguiram quebrar a resistência alemã. A história destas unidades exiladas e de cada uma, é uma autêntica epopeia que antes destes combates passou pela União Soviética, Pérsia, Síria, Palestina e arrastou centenas de milhares de polacos e suas famílias, muitas vezes desde os campos de prisioneiros para a frente de batalha. Nunca esquecendo – e os polacos não o esquecem – que parte importante dos oficiais polacos foram assassinados pelos russos em 1943 no tristemente célebre massacre de Katyn.
Claro que em termos de material pesado o que vemos neste museu de Poznan reporta-se apenas ao de origem soviética. A participação das unidades polacas ao lado dos aliados na 2ª guerra mundial nunca foi bem aceite pelo poder comunista do pós-guerra – o primeiro livro que abordou a participação polaca em Monte Cassino só foi autorizado em 1956 e os polacos que regressaram ao seu país depois de ter combatido ao lado dos aliados eram aconselhados oficialmente a nunca o referirem publicamente – e recordações dessa vertente da guerra mundial apenas nos apareceu nos outros museus em peças de uniforme e armamento ligeiro.

Podemos aqui ver um interessante conjunto de carros de combate de concepção russa, de um modo geral bem mantidos, tendo em consideração que estão ao ar-livre. Da 2ª guerra mundial destaca-se o T-34, o IS-2 e o ISU-122. Muitas peças de artilharia de vários calibres, desde os pequenos canhões anti-carro às peças de artilharia de campanha de 122mm e morteiros. Ainda presente um exemplar dos primeiros “Katyushas” montados em camiões de fabrico americano “Studebaker” e outras viaturas com finalidades especiais dessa época como as destinadas á defesa anti-aérea.

O T-34 certamente o mais célecre carro de combate soviético da 2ª Guerra Mundial [2]

O T-34 certamente o mais célebre carro de combate soviético da 2ª Guerra Mundial

O IS - 2, aqui com a torre apontada para a retaguarda, notando-se a particularidade de dispor de uma metralhadora na parte posterior dessa torre. [3]

O IS - 2, aqui com a torre apontada para a retaguarda, notando-se a particularidade de dispor de uma metralhadora na parte posterior dessa torre.

O camião Studebaker de fabrico US equipado com o lançador de Katyushas, transformando-se o conjunto em BM-13N os chamados popularmente "Órgãos de Estaline" [4]

O camião Studebaker de fabrico US equipado com o lançador de Katyushas, transformando-se o conjunto em BM-13N os chamados popularmente "Órgãos de Estaline"

O Most-2 camião com estação de radilocalização de alvos aéreos e em 2º plano o Z-15, projector . [5]

O MOST-2 (camião GAZ 63) estação de radiolocalização de alvos aéreos e em 2º plano o projector Z-15 4/3, em camião ZiS-5) .

Conjunto de canhões anti-carro de pequeno calibre, arma muito usada na 2ª Guerra Mundial por todos os contentores [6]

Conjunto de canhões anti-carro de pequeno calibre, arma muito usada na 2ª Guerra Mundial por todos os contentores

Esta peça de artilharia de campanha de 122mm m/1937 foi como se vê recentemente mantida apresentavel [7]

Este obus de 122mm m/1937 foi como se vê recentemente mantida em excelente estado de apresentação

Pacto de Varsóvia
Esta é a componente forte do espaço com helicópteros, aviões e mísseis, viaturas para várias finalidades e um ou outro carro de combate. De um modo geral trata-se de material de fabrico polaco, embora a generalidade segundo patentes soviéticas.
Os materiais expostos variam muito no seu estado de conservação. Percebe-se que não será fácil (nem barato!) manter com as condições atmosféricas do local, um bom estado geral. Nota-se que parte dos meios foram recentemente pintados e estão em estado novo e outros, sobretudo aeronaves, nem por isso.

As Forças Armadas Polacas eram umas das fortes componentes do Pacto de Varsóvia e à semelhança de muitos dos seus aliados de então acumularam enormes quantidades de armamento pesado nomeadamente carros de combate e artilharia, bem em linha com a doutrina soviética. Para se ter uma ideia da sua dimensão note-se que em 1988 quando Gorbatchev anuncia uma redução unilateral do arsenal do Pacto, só a Polónia reduziu cerca de 40.000 militares, 850 carros de combate, 900 peças de artilharia, 700 viaturas blindadas e 80 aviões. Em termos gerais isto significou uma pequena parcela da sua capacidade de então que incluiria (dados aproximados de 1975) 230.000 militares no Exército, 60.000 na Força Aérea, 25.000 na Marinha e 550.000 reservistas treinados.

Na realidade as Forças Armadas polacas eram as de maior dimensão de todo o Pacto (exceptuando a URSS) e eram também as únicas que tenham unidades de elite de escalão divisão: uma aerotransportada e outra de infantaria de marinha. Organizados, treinados e equipados para fazer frente aos exércitos da NATO não deixaram de ter um papel importante na manutenção do regime comunista no país.

Na cidade de Poznan teve lugar uma importante revolta popular em Junho de 1956 – na historiografia actual do país foi este o principio do caminho que levou à queda do comunismo na Polónia – a derrota da qual só foi possível com o emprego de duas divisões blindadas e duas de infantaria. O regime empregou 10.000 soldados e 400 carros de combate que abafaram pela força a revolta.

Como em muitos outros países estes factos são parte da história, mas estão ultrapassados. As Forças Armadas Polacas estão integradas na NATO, o país tem sido um dos grandes contribuintes em homens para as missões de apoio à paz quer da ONU, quer da UE quer na NATO  e ainda em outras coligações internacionais como no caso do Iraque. Nestas operações a Polónia tem envolvido além de efectivos muito consideráveis, meios materiais importantes e tecnologicamente evoluídos.

Da nossa curta passagem por Poznan fica também a imagem que os militares estão bem integrados na sociedade civil, com espaço visível em programas de televisão, vários museus abertos ao público como estes que apresentamos e outros,  várias publicações não-oficiais sobre temas militares históricos e actuais disponíveis nas livrarias e a realização de actividades tipo “carrossel” de reconstituição histórica.

Vista do SU-8. [8]

Vista do bombardeiro SU-20, cuja versão mais recente, o SU-22 ainda está em serviço na Polónia.

Em primeiro plano um SS1C "Scud", que tem um alcance de 300 km e pode transportar ogivas convencionais, quimica ou nucleares (5 a 80 kiloton) e esteve em serviço no Pacto de Varsóvia a partir de 1965. Em 2º plano um SA 2 anti -aéreo também usado pelo Pacto e um pouco por todo o mundo onde se fazia sentir a influência soviética. [9]

Em primeiro plano um SS1C "Scud", que tem um alcance de 300 km e pode transportar ogivas convencionais, química ou nucleares (5 a 80 kiloton) e esteve em serviço no Pacto de Varsóvia a partir de 1965. Em 2º plano um SA 2 "Dzwina" anti -aéreo também usado pelo Pacto e um pouco por todo o mundo onde se fazia sentir a influência soviética.

Helicóptero SM 1, à frente, utilizado entre 1956 e 1960 pela Força Aérea Polaca e em segundo plano o MI 2 em serviço a partir de 1974. [10]

Helicóptero SM-1 (MI-1), à frente, produzido entre 1956 e 1960 na Polónia e em segundo plano o MI-2 também de produção local a partir de 1974.

O avião de instrução JAK-11 utilizado pela Força Aérea Polaca entre 1949 a 1962. [11]

O avião de instrução JAK-11 utilizado pela Força Aérea Polaca entre 1949 a 1962.

O Antonov AN-2 um dos mais robustos (e lentos!) aviões de transporte de origem soviética que também foram produzidos na Polónia desde 1960. [12]

O Antonov AN-2 um dos mais robustos (e lentos!) aviões de transporte de origem soviética que também foram produzidos na Polónia desde 1960.

O Mig-15 um dos primeiros caças a jacto de origem soviética produzido logo após a 2ª Guerra Mundial [13]

O Mig-15 um dos primeiros caças a jacto de origem soviética produzido logo após a 2ª Guerra Mundial

O jacto de instrução TS-11 Iskra foi totalmente concebdio e produzido na Polónia a parir de 1961. [14]

O jacto de instrução TS-11 Iskra foi totalmente concebido e produzido na Polónia a parir de 1961.

Mig-21 um dos mais divulgados caças a jacto de sempre, que equipou a Força Aérea Polaca entre 1963 e 2004. [15]

Mig-21 um dos mais divulgados caças a jacto de sempre, que equipou a Força Aérea Polaca entre 1963 e 2004.

O bombardeiro Ilyushin IL-28 que podia transportar bombas ou 2 torpedos e dispunha de 4 metralhadoras de 23mm. Produzido em larga escala na década seguinte à 2ª Guerra Mundial serviu na generalidade das Forças Aéreas da órbita soviética [16]

O bombardeiro Ilyushin IL-28 foi produzido em larga escala na década seguinte à 2ª Guerra Mundial e serviu na generalidade das Forças Aéreas da órbita soviética

Detalhe da traseira do IL-28 e duas das 4 metralhadoras de 23mm de que dispunha. Podia lançar bombas ou 2 torpedos. [17]

Detalhe da traseira do IL-28 e duas das 4 metralhadoras de 23mm de que dispunha. Podia lançar bombas ou 2 torpedos.

O veículo anfibio PTS-M que ainda hoje tem utilização militar e civil em terrenos inóspitos [18]

O veículo anfíbio PTS-M que ainda hoje tem utilização militar e civil em terrenos inóspitos

Dos va´rios veículos especiais expostos, na foto um hospital cirurgico de campanha [19]

Dos vários veículos especiais expostos, na foto um hospital cirúrgico de campanha

O T-55 um dos mais usados carros de combate  usados no mundo no período da "Guerra-Fria". [20]

O T-55 um dos carros de combate mais usados usados no mundo durante e mesmo depois do período da "Guerra-Fria" que também foi produzido sob licença na Polónia.

Folheto de divulgação de um "carrossel" que tem lugar em Poznan por uma associação de lanceiros que tantas tradições têm naquele país. [21]

Folheto de divulgação de um "carrossel" que tem lugar em Poznan por uma associação de lanceiros que tantas tradições têm naquele país.

Veja aqui a 1ª parte deste artigo:  MUSEUS MILITARES DE POZNAN – I [22]