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MUSEU DO AR – SINTRA

Há quanto tempo não vai ao Museu do Ar? Em Sintra, junto à Base Aérea n.º 1, é um órgão de natureza cultural da Força Aérea Portuguesa que está aberto ao público e estamos certos é conhecido de muitos dos nossos leitores. Ainda assim, porque de quando em quando há novidades, aqui deixamos uma visita.

O Fiat G-91, foi uma das aeronaves emblemáticas da Força Aérea na Guerra do Ultramar. [1]

O Fiat G-91 R3, T-3 e R4  foram aeronaves emblemáticas da Força Aérea na Guerra do Ultramar, tendo estes últimos combatido em todas as frentes (Angola, Moçambique e Guiné). Adquiridos na Alemanha, um total de 85 serviram na Força Aérea portuguesa entre 1965 e 1993.

O Museu do Ar, como o próprio nome indica, não é dedicado apenas à Força Aérea Portuguesa, é sim um espaço onde “tudo o que voou ou voa” tem o seu lugar, seja nas antigas componentes aeronáuticas do Exército e da Marinha, seja nos Transportes Aéreos Portugueses e ainda alguma coisa sobre a aviação civil e desportiva.

Este museu nasceu em Alverca em 1968, foi transferido para Sintra a partir de 2009 e está hoje em instalações próprias, com entrada autónoma junto à porta-de-armas da base, ocupando uma área coberta que começa a ser escassa, mas com espaço descoberto que permitirá expansão caso haja disponibilidade financeira. O Museu mantém um núcleo em Alverca e outro em Ovar, no Aeródromo de Manobra n.º 1.

Aqui em Sintra, a parte visitável do museu é genericamente composta por, bilheteira e loja; hangar principal; cafetaria; sala TAP e sala ANA; auditório e espaço aviação civil e desportiva; espaço Campanhas Militares em África, espaço aviação de treino e de transporte; sala dos pioneiros; exposição exterior.

O hangar principal está ocupado por aeronaves e seus componentes de todas as épocas desde os primórdios da aviação em Portugal até à era do jacto, sendo a principal novidade o Dakota TAP/DG Aeronáutica Civil que foi recentemente recuperado, de modo exemplar, diga-se. No exterior estão poucos aviões – e ainda bem, as condições atmosféricas são impiedosas e isso é visível – com destaque para os de patrulha marítima.

De um modo geral os aviões estão muito bem conservados e limpos (exceptuando os que estão ao ar-livre) e identificados. O espaço no hangar principal parece-nos está no limite, não cabe mais nada, nas restantes salas a exposição já está mais desafogada! A componente Tropas Pára-quedistas que em tempo esteva na sala alusiva á Guerra no Ultramar não estava presente quando da nossa visita. Não sabemos se vai ser reposta ou se a Força Aérea decidiu retirar esta sua componente (1955-1993) do museu, mesmo que haja uma ou outra pequena alusão em outros locais e/ou aeronaves.

Na loja junto à entrada/bilheteira, pode encontrar uma enorme gama de produtos ligados à aviação, muitos livros e kits.

A presente reportagem fotográfica dá uma ideia geral das várias salas e épocas, não pretendendo naturalmente abranger tudo o que está disponível em Sintra. Dependendo do interesse do visitante, diremos que será necessário no mínimo um período de 2 a 3 horas para visitar o museu, sem entrar em grandes detalhes, mas claro que o entusiasta da aeronáutica e da sua história em Portugal, pode demorar bastante mais. Tem muito para ler e ver!

Vista geral do hangar principal. [2]

Vista geral do hangar principal.

O JU-52 é uma das atracções do museu. [3]

O trimotor Junkers JU-52/3m é uma das atracções do museu. JU-52 de origem alemã e norueguesa e posteriormente os muito semelhantes Amiot franceses, serviram em Portugal de 1936 a 1972, um total de 27 unidades. Em primeiro plano um raríssimo Avro 631 Cadet. Chegou a Portugal em 1932 e foi usado em missões de instrução.

O "posto de pilotagem" do Santos Dumont SD Demoiselle XX. Trata-se de uma réplica construída em 1972 desta aeronave de 1908. [4]

O “posto de pilotagem” do Santos Dumont SD Demoiselle XX. Trata-se de uma réplica construída em 1972 desta aeronave de 1908.

Em primeiro plano o Chipmunk Mk20, ainda hoje voa ao serviço da Academia da Força Aérea na sua versão "modificado". [5]

Em primeiro plano o Chipmunk Mk20, ainda hoje voa ao serviço da Academia da Força Aérea na sua versão “modificado”. Em segundo plano o DC3/C47 Dakota, que está pintado em duas versões, a visível, quando ao serviço da Direcção Geral da Aeronáutica Civil (DGAC) e a outra, a da TAP. Este avião em concreto é um C47B fabricado em 1943 nos EUA, participou em missões na Europa durante a 2.ª Guerra Mundial, uma das quais largando pára-quedistas em 06JUN44 na Normandia. Foi vendido à AerLingus (Irlanda), depois à IsraeliAircrafIndustrie e em 1962 a Portugal, para serviço na DGAC. Em 1996 é transferido para o museu da TAP e entre 2013 e 2015 é finalmente restaurado para o que está visitável.

A "faceta" Transportes Aéreos Portugueses, versão Dezembro de 1946, a aeronave que inaugurou a Linha Aérea Imperial, que ligava Lisboa a Luanda e a Lourenço Marques. [6]

A “faceta” Transportes Aéreos Portugueses, versão Dezembro de 1946, a aeronave que inaugurou a Linha Aérea Imperial, que ligava Lisboa a Luanda e a Lourenço Marques.

Interior do DC 3 da Linha Aérea Imperial, com um impressionante nível de detalhe. A reconstrução deste aparelho foi executado pela TAP, voluntários, e do Vintage Aero Club. [7]

Interior do DC 3 da Linha Aérea Imperial, com um impressionante nível de detalhe. A reconstrução deste aparelho foi executado pela TAP, voluntários, e do Vintage Aero Club.

Aqui trabalhava o navegador. Note-se que os equipamentos, de origem estão expostos, mesmo muitos amovíveis, mas o interior da aeronave só pode ser visitado na companhia de um funcionário/militar do museu, o que é compreensível nestas condições. [8]

Aqui trabalhava o navegador. Note-se que os equipamentos, de origem estão expostos, mesmo muitos amovíveis, mas o interior da aeronave só pode ser visitado na companhia de um funcionário/militar do museu, o que é compreensível nestas condições.

A perfeição da recuperação é na realidade notável. [9]

A perfeição da recuperação é na realidade notável.

Um Supermarine Spitfire [10]

Um Supermarine Spitfire com a Cruz de Cristo. Várias versões serviram em Portugal entre 1942 e 1955 num total de 112 aparelhos. Em segundo plano um Beechcraft AT-11 Kansan.

O primeiro helicóptero no inventário da Força Aérea [11]

O primeiro helicóptero no inventário da Força Aérea foi um Sikorsky UH-19A, muito semelhante a este H-19D-Si de fabrico italiano que está no museu pintado com as cores da FAP.

Os North American F-86 Sabre serviram na Força aérea Portuguesa entre 1958 e 1980, tendo, entre 1960 e 1963 feito missões na Guiné Portuguesa. [12]

Os North American F-86 Sabre serviram na Força aérea Portuguesa entre 1958 e 1980, tendo, entre 1960 e 1963 feito missões na Guiné Portuguesa.

Cockpit de um L1049 G Super Constellation da TAP nos anos 50. Este avião em concreto operou na Lufthansa a partir de 1956, e em 1958 com matricula portuguesa operou na ponta aérea que recolheu refugiados da guerra no Biafra. Em Setembro de 1968 voou para Lisboa onde ficou, avariado, até 1981 ano em que foi desmantelado. Restaurado entre 1984 e 1993 para o museu da TAP. A companhia aérea nacional usou estes aparelhos entre 1955 e 1967. [13]

Cockpit de um L1049 G Super Constellation da TAP nos anos 50. Este avião em concreto operou na Lufthansa a partir de 1956, e em 1958 com matricula portuguesa operou na ponta aérea que recolheu refugiados da guerra no Biafra. Em Setembro de 1968 voou para Lisboa onde ficou, avariado, até 1981 ano em que foi desmantelado. Restaurado entre 1984 e 1993 para o museu da TAP. A companhia aérea nacional usou estes aparelhos entre 1955 e 1967.

Nord Aviation 2501/2502 Noratlas, uma dos "cavalos de trabalho" da Força aérea em África. os primeiros chegaram a portugal em 1960 e os últimos foram retirados de serviço em 1976. [14]

Nord Aviation 2501/2502 Noratlas, uma dos “cavalos de trabalho” da Força Aérea em África. os primeiros chegaram a Portugal em 1960 e os últimos foram retirados de serviço em 1976.

LTV TA-7P Corsair II. A Força Aérea chegoua  dispor de 50 "Corsair" entre 1981 e 1999. [15]

LTV TA-7P Corsair II. A Força Aérea chegou a dispor de 50 “Corsair” entre 1981 e 1999. Ao fundo, pendurado, um planador Schulgleiter SG 38, construído em Portugal sob licença alemã, foi usado pela Mocidade Portuguesa em Santa Iria da Azóia, onde na actualidade acabaram de ser recuperadas as antigas instalações aeronáuticas.

Detalhe de um Dassault-Breguet/Dornier Alpha Jet. Chegaram a Portugal em 1993 e ainda estão ao serviço. [16]

Detalhe de um Dassault-Breguet/Dornier Alpha Jet. Chegaram a Portugal em 1993 e ainda estão ao serviço. Pode ver-se, na posição ventral da fuselagem o canhão de 27mm e nas asas, dois contentores para foguetes e um tanque de combustível.

A cafetaria do Museu está bem localizada. [17]

A cafetaria do Museu está bem localizada.

No sector da TAP este curioso simulador de voo. Não é um brinquedo é mesmo um aparelho de instrução real, o "Link-Trainer" que foi usado entre 1948 e 1960. [18]

No sector da TAP este curioso simulador de voo. Não é um brinquedo é mesmo um aparelho de instrução real, o “Link-Trainer” que foi usado entre 1948 e 1960.

Muitos documentos do tempo em que a aviação comercial tinha um importante papel na ligação aos vários pontos do Portugal insular e Ultramarino. [19]

Muitos documentos do tempo em que a aviação comercial tinha um importante papel na ligação aos vários pontos do Portugal insular e Ultramarino.

Os pioneiros da aviação portuguesa foram muito tempo comparados aos navegadores do período das Descobertas.  Percebe-se porquê. [20]

Os pioneiros da aviação portuguesa foram muito tempo comparados aos navegadores do período das Descobertas. Percebe-se porquê.

Nesta sala podemos tomar contacto com "relíquias" com história, objectos que correram mundo e riscos com os aviadores do inicio do século XX. [21]

Nesta sala podemos tomar contacto com a história pessoal de muitos aviadores, objectos que com eles correram mundo e riscos no inicio do século XX.

O Troféu Clifford Harmonn atribuído (1934) pela Liga Internacional dos Aviadores aos portugueses Gago Coutinho, Humberto da Cruz, Carlos Bleck, Moreira Cardoso e Sarmento Pimentel, pelas viagens aéreas realizadas. [22]

O Troféu Clifford Harmonn atribuído (1934) pela Liga Internacional dos Aviadores aos portugueses Gago Coutinho, Humberto da Cruz, Carlos Bleck, Moreira Cardoso e Sarmento Pimentel, pelas viagens aéreas realizadas.

Piper PA -18/L-21 Super Cub.Chegaram a Portugal em 1952 e foram retirados do serviço em 1976. [23]

Piper PA -18/L-21 Super Cub.Chegaram a Portugal em 1952 e foram retirados do serviço em 1976.

O MG-151, canhão de tiro rápido de 30mm, como era empregue em África no Sud-Aviation SE-3160 Alouette III. [24]

O MG-151, canhão de tiro rápido de 30mm, como era empregue em África no Sud-Aviation SE-3160 Alouette III.

À direita o Alouette II e ao centro o Sud-Aviation SA-330 Puma. Portugal adquiriu 13 Puma em 1969, para a Guerra no Ultramar, sendo depois modernizados e transformados para a missão primária de Busca e Salvamento a partir de 1979. Foram retirados de serviço em 2011. [25]

À direita o Sud-Aviation SE-3130 Alouette II, recebidos (7) em 1958 e retirados em 1976. Foi o primeiro helicóptero a operar na guerra em África. Ao centro o Sud-Aviation SA-330 Puma. Portugal adquiriu 13 Puma em 1969, para a Guerra no Ultramar, sendo depois modernizados e transformados para a missão primária de Busca e Salvamento a partir de 1979. Foram retirados de serviço em 2011.

North American T-6. Chegaram a Portugal em vários lotes a partir de 1947 até 1969 de vários países. Serviram intensamente em África, foram retirados em 1978. [26]

North American T-6. Chegaram a Portugal em vários lotes a partir de 1947 até 1969 de vários países. Serviram intensamente em África, foram retirados em 1978.

Reims-Cessna FTB-337G, chegaram em 1974 e 1975 e foram retirados em 2007. O posição dos dois motores em tandem valeu-lhe entre nós a designação de "puxa-empurra". [27]

Reims-Cessna FTB-337G, chegaram em 1974 e 1975 e foram retirados em 2007. O posição dos dois motores em tandem valeu-lhe entre nós a designação de “puxa-empurra”.

Dassault-Breguet Falcon 20, avião destinado ao transporte de altas entidades e depois para missões de verificação e calibragem de ajudas à navegação aérea. 3 aeronaves estiveram ao serviço da FAP entre 1984 e 2005. [28]

Dassault-Breguet Falcon 20, avião destinado ao transporte de altas entidades e depois para missões de verificação e calibragem de ajudas à navegação aérea. 3 aeronaves estiveram ao serviço da FAP entre 1984 e 2005.

Na área exterior podemos ver um Lockheed P2V5 Neptune,  um Lockheed P3 Orion, um Northrop T-38 Talon, um Lockheed  T-33 T-Bird e um North American F-86. [29]

Na área exterior podemos ver um Lockheed P2V5 Neptune (em primeiro plano), um Lockheed P3 Orion, um Northrop T-38 Talon, um Lockheed T-33 T-Bird e um North American F-86.

O Homem Alado, réplica de uma escultura de Barata Feyo, executada pelo filho, João Barata Feyo, em 1992 para as comemorações dos 50 anos do Aeroporto de Lisboa. O original encimava a porta de entrada do aeroporto e foi retirada em 1967. [30]

O Homem Alado, réplica de uma escultura de Barata Feyo, executada pelo filho, João Barata Feyo, em 1992 para as comemorações dos 50 anos do Aeroporto de Lisboa. O original encimava a porta de entrada do aeroporto e foi retirada em 1967.

O Museu cumpre este dever e muito aqui ficou por dizer e por ver, há muita informação exposta que não está neste pequeno apontamento de reportagem. Vale uma visita! [31]

O Museu cumpre este dever e muito aqui ficou por dizer e por ver. Há muita informação exposta que não está neste pequeno apontamento de reportagem. Vale uma visita!

 

A visita ao Museu do Ar em Sintra custa 3,00€ para adultos (1,50€ para maiores de 65 anos), 1,00€ para estudantes e menores e com menos de 6 anos de idade não se paga.

Contactos:

Museu do Ar

Granja do Marquês

2715-021 Pêro Pinheiro (Sintra)

Tel.: 219678984

museudoar@emfa.pt

 

Horário da exposição:

3ªfeira a domingo – 10h | 17h

Encerra à 2ªfeira (No dias 24, 25 e 31 de Dezembro e 01 de Janeiro o Museu do Ar encontra-se encerrado).