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MUSEE ROYAL DE L’ARMEE ET D’HISTOIRE MILITAIRE

Visitamos o Koninklijk Museum van het Leger en de Krijgsgeschiedenis / Musée royal de l’Armée et d’Histoire militaire (Real Museu das Forças Armadas e de História Militar, em tradução livre), e deixamos aqui as nossas impressões e algumas imagens.

O Arico do Cinquantenário em Bruxelas. Passando as arcadas e virando à esquerda, está na entrada prinbcipal do Museu. [1]

O Arco do Cinquentenário em Bruxelas. Passando as arcadas e virando à esquerda, está na entrada principal do Museu.

Como sempre acontece nestas casos, o que aqui mostramos aos nossos leitores é apenas uma selecção do muito que há para ver neste grande museu militar da capital belga.
Localizado num dos locais de maior simbolismo de Bruxelas, o Parque do Cinquentenário – construído por ocasião das comemorações do 50.º aniversário da independência do Reino da Bélgica e da Exposição Universal de 1910 – o Museu (que tem entrada gratuita, coisa raríssima na Europa nos dias de hoje!), ocupa desde 1923 a ala norte de um complexo de pavilhões de enormes dimensões que ladeiam o monumental arco que é um dos ex-libris da cidade.

Desde que ali se instalou o museu foi sendo enriquecido com elementos museológicos das diferentes épocas históricas, muitas estavam dispersas por outros locais do Reino das Bélgica sobretudo quartéis, outros museus nacionais e também estrangeiros.

O visitante tem à sua disposição, além da recepção, loja e centro de documentação, um conjunto de áreas de exposição de que destacamos: sala histórica (1815-1914); sala 1914-1918; hall Bordiau (1918-1945); sala de armas e armaduras; grande hall. Gédéon Bordiau foi o arquitecto encarregado pelo rei Leopoldo II de construir o complexo do cinquentenário. Parte destes espaços têm elementos fixos, outros apresentam exposições temporárias e outros vão mudando de conteúdo ao longo dos anos acompanhando as novas técnicas de “contar a história” que o desenrolar do tempo vai aperfeiçoando.
Das salas em que literalmente nos encontramos perante um “armazém de armas” e de vitrinas cheias manequins em uniforme, a locais onde pequenos episódios de grandes batalhas nos são apresentados através de uma criteriosa selecção de documentos, armas, uniformes e insígnias, até a uma profusão de aeronaves de todos os tipos e épocas que o grande hall expõe, e ainda por dois pátios, um com blindados e outros com embarcações, o museu vale bem uma visita demorada.

Um aspecto que nos saltou à vista e que não é vulgar em museus militares estrangeiros que temos visitado, é a exposição de peças portuguesas. Na realidade em diversas áreas do museu podemos constatar a existência de documentos, condecorações e outros elementos museológicos relativos ao nosso país e inclusive um F-86 com a “Cruz de Cristo” (ver fotos e legendas).

Na ocasião em que fizemos a visita havia várias exposições temporárias, nomeadamente uma dedicada aos mais novos «War & Game (s)», outra relativa aos «Soldados Belgas na Alemanha 1945-2002», que assinala o 60.º aniversário das relações diplomáticas entre a República Federal da Alemanha (RFA) e o Reino da Bélgica. Os alemães não esqueceram que a Bélgica foi o primeiro estado europeu a reconhecer a RFA em 1951 e esta exposição foi promovida pela Embaixada da Alemanha em Bruxelas. Trata-se de uma área com muitos documentos fotografias e alguns uniformes e equipamento deste período da “Guerra-Fria”. Por cá acho que não há muito a noção do que foi esta época, mas note-se bem que durante anos e anos a maioria do Exército Belga estava aquartelado na RFA, a maioria dos jovens belgas (centenas de milhares) ali cumpriam parte do seu serviço militar obrigatório e que muitos dos militares dos quadros permanentes e suas famílias ali viveram muitos anos. A área de ocupação militar inicial – 1945/1955 (e depois de permanência no âmbito da NATO), como está ilustrado numa das fotos abaixo, era enorme, desde a fronteira belga, passando o Reno e chegando ao Weser.

Aqui fica então a nossa reportagem fotográfica desejando que os leitores possam também eles ter uma passagem pelo Real Museu das Forças Armadas e de História Militar da Bélgica, na certeza que será tempo bem empregue – e é necessário tempo, isto não se vê bem a correr! – não esquecendo a loja que tem uma enorme quantidade de publicações sobre temática militar, mesmo livros e revista já bem antigos porventura difíceis de encontrar no mercado livreiro, além de toda a espécie de recordações e muitos “kits”.

A Sala Histórica é dedicada à história militar da Bélgica entre 1815 e 1914... [2]

A Sala Histórica é dedicada à história militar da Bélgica entre 1815 e 1914...

...e está recheada de peças expostas propositadamente "à moda antiga". Um museu dentro do museu, para o visitante ver não só o conteudo mas uma forma de expor que...é história. [3]

...e está recheada de peças expostas propositadamente "à moda antiga". Um museu dentro do museu, para o visitante ver não só o conteúdo mas uma forma de expor que...é história.

Um vitrine na Sala Histórica mostra-nos documentos portugueses relativos à presença de forças belgas em Portugal... [4]

Uma vitrina na Sala Histórica mostra-nos documentos portugueses relativos à presença de forças belgas em Portugal no reinado de D. Maria II e ...

«MANDA SUA MAJESTADE A RAINHA FIDELISSIMA participar ao Coronel Pierre Joseph Le Charlier, Commandante do Corpo d'Atiradores Belgas que, attendendo á maneira briosa com que se tem condusido esse Corpo... ...deverão trazer pendente sobre o peito esquerdo de fita das cores nacionaes, metade azul, e a outra metade branca...» Assina, 24 de Deembro de 1834, o Duque da Terceira. [5]

...«MANDA SUA MAJESTADE A RAINHA FIDELÍSSIMA participar ao Coronel Pierre Joseph Le Charlier, Commandante do Corpo d'Atiradores Belgas que, attendendo á maneira briosa com que se tem condusido esse Corpo... ...possão usar da medalha constante do modello... ...deverão trazer pendente sobre o peito esquerdo de fita das cores nacionaes, metade azul, e a outra metade branca...» Assina, 24 de Dezembro de 1834, o Duque da Terceira.

Em primeiro plano, à direita, uma colecção da Casa Real, com armas usadas por membros da familia real ao longo dos anos. [6]

Em primeiro plano, à direita, uma colecção da Casa Real, com armas usadas por membros da família real ao longo dos anos.

A sala dedicada à Grande Guerra tem uma enorme colecção de armamento de todo tipo e de usado no conflito por vários países, aliados ou não. [7]

A sala dedicada à Grande Guerra tem uma enorme colecção de armamento de todo tipo e usado no conflito por vários países, aliados ou não dos belgas.

Mesmo com muito material esta sala está hoje substancialmente mais arejada que no passado e alguns elementos até já estão dispostos de modo a dar ideia de sua utilização em combate. [8]

Mesmo com muito material esta sala está hoje substancialmente mais arejada que no passado e alguns elementos até já estão dispostos de modo a dar ideia de sua utilização em combate.

Um "Fahrpanzer" co canhão de 5.3 cm de tiro rápido que podia ser usado sobre carris em trincheiras ou rebocado por cavalos. [9]

Uma entre muitas curiosidades expostas, um "Fahrpanzer" alemão com canhão de 5.3 cm de tiro rápido que podia ser usado sobre carris em trincheiras ou rebocado por cavalos.

Neste espaço (época entre as duas guerras mundias) onde são apresentadas as mais altas condecorações de muitos países, Portugal está "representado" pela  Banda das Três Ordens e pela Ordem Militar da Torre e Espada. [10]

Neste espaço (época entre as duas guerras mundiais) onde são apresentadas as mais altas condecorações de muitos países, Portugal está representado pela "Banda das Três Ordens" e pela "Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito".

A participação portuguesa na Guerra Civil de Espanha no campo Nacionalista é lembrada por um galhardete da Legião Condor onde as cores da Bandeira Portuguesa se junta às dos outrso aliados de Franco e um capacete da Legião Portuguesa recorda esta organização do Estado Novo. [11]

A participação portuguesa na Guerra Civil de Espanha é lembrada por um galhardete da Legião Condor onde a Bandeira Portuguesa se junta às dos outros aliados dos Nacionalistas. Um capacete da Legião Portuguesa recorda esta organização do Estado Novo criada na época.

O caminho para a 2.ª Guerra Mundial desde a revolução bolchevique na Rússia e a tomada do poder em Itália por Mossulini e Hitler na Alemanha, estão presentes com muitos uniformes, insignias, armas, filmes e outros elementosa destes países e suas organizações. [12]

O caminho para a 2.ª Guerra Mundial desde a revolução bolchevique na Rússia e a tomada do poder em Itália por Mussolini e Hitler na Alemanha, estão presentes com muitos uniformes, insígnias, armas, filmes e outros elementos destes países e suas organizações paramilitares.

Um peça de fabrico belga FRC 120mm m/1931 (Fonderie Royal de Cannons, Liége), e um pequeno "canhão auto-motor" 47mm  T-13 (Vickers-Carden Loyd 13), material usado pelo Exército Belga na 2.ª Guerra Mundial. [13]

Um peça de fabrico belga FRC 120mm m/1931 (Fonderie Royal de Cannons, Liége), e um pequeno "canhão auto-motor" 47mm T-13 (Vickers-Carden Loyd 13), material usado pelo Exército Belga na 2.ª Guerra Mundial.

Parte do Hall , onde podemos ver ao fundo a exposição alusiva à presença belga na Alemenha, em baixo uma viatura de fabrico inglês Daimler MK II "Dingo" (a esquerda) também usado pelos belgas em Inglaterra                                                     e um Kubelwagen Kfz1. KdF/VW 82 [14]

Parte do Hall Bordiau onde podemos ver ao fundo a exposição alusiva à presença belga na Alemanha, em baixo uma viatura de fabrico inglês Daimler MK II "Dingo" (a esquerda) também usado pelos belgas e um Kubelwagen Kfz1. KdF/VW 82 alemão. À direita em cima a reconstituição de uma casamata. Também no respeitante à 2.ª guerra mundial são apresentados muitos elementos respeitantes quer aos Aliados quer ao Eixo.

Também povo usual num museu militar, as vitimas civis: refugiados na 2.ª Guerra Mundial. [15]

Pouco usual num museu militar, aqui são lembradas as vitimas civis: refugiados na 2.ª Guerra Mundial.

Infantaria belga no País de Gales, preparando-se para a invasão, com material e fardamento inglês. [16]

Infantaria belga no País de Gales em 1941 com material ("bren carrier") e fardamento inglês. Ao fundo uniformes das tropa coloniais belgas.

Os "navios da Liberdade" que atravessavam o Atlântico carregados de material de guerra "made in USA" em direcção ao Reino Unido e à Rússia. [17]

Os "navios da Liberdade" que atravessavam o Atlântico carregados de material de guerra "made in USA" em direcção ao Reino Unido e à Rússia.

Páraquedista americano em 1944. O assalto Aliado à Normandia, que também conduziria à libertação da Bélgica, está muito presente no museu. [18]

Pára-quedista americano em 1944. O assalto Aliado à Normandia, que também conduziria à libertação da Bélgica, está muito presente no museu...

...com repesentações de várias fases do desembarque e a presença de Aliados... [19]

...com representações de várias fases do desembarque e a presença de Aliados e Alemães.

O all princiaplk do museu alberga uma variedade enorme de aeronaves de asa fixa e rotativa de vários países do mundo e épocas. [20]

O enorme hall principal do museu alberga uma grande variedade de aeronaves de asa fixa e rotativa de vários países do mundo e épocas...

..com aeronavesque estiveram em uso na Bélgica mas algumas outras que não como várias provenientes dos países do Pacto de Varsóvia... [21]

..com aeronaves que estiveram em uso na Bélgica mas algumas outras que não como várias provenientes dos países do Pacto de Varsóvia...

...mas também de países da NATO como este F-86 da Força Aérea Portuguesa. [22]

...mas também de outros países da NATO como este F-86 da Força Aérea Portuguesa.

A Brigada Pára-Comando Belga e as esquadras de transporte aéreo ocupam espaço de relevo neste hall. [23]

A Brigada Pára-Comando Belga e as unidades de transporte aéreo ocupam espaço de relevo neste hall.

Curiosa esta sala dedicada às "relações Leste-Oeste" (dizemos nós!), onde um quadro de grandes dimensões, oferecido em 2001 pela Federação Russa, mostra na actualidade, um oficial russo a explicar a três oficiais das potencias vencedoras da 2.ª Guerra Mundial e depois membros da NATO (USA, Reino Unido e França), o sucedido na Batalha de Kursk. Ligeiramente afastado (à esquerda), olhando o quadro, um oficial também de um país da NATO, um alemão. Na direita um antigo combatente russo em cadeira de rodas aproxima-se [24]

Curiosa esta sala dedicada às "relações Leste-Oeste" (dizemos nós!), onde um quadro, oferecido em 2001 pela Federação Russa, mostra, na actualidade, um oficial russo a explicar a três oficiais das potencias vencedoras da 2.ª Guerra Mundial e depois membros da NATO (USA, Reino Unido e França), o sucedido na Batalha de Kursk. Ligeiramente afastado (à esquerda), olhando o quadro, um oficial também de um país da NATO, um alemão. Na direita um antigo combatente russo em cadeira de rodas aproxima-se empurrado pela filha, e mais atrás a sua neta olha desinteressada da batalha para uma imagem com a bandeira comunista (não visível na foto)

Os mais novos têm uma atenção especial no museu e as visitas de escolas são incentivadas. [25]

Os mais novos têm uma atenção especial no museu e as visitas de escolas são incentivadas.

A "10.º provincia belga" como era conhecida a área de ocupação na República Federal da Alemanha (a amarelo no mapa, estando a Bélgica a azul), tnha dimensões consideráveis. [26]

A "10.º província belga" como era conhecida a área de ocupação na República Federal da Alemanha (a amarelo no mapa, estando a Bélgica a azul), tinha dimensões consideráveis.