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MORRER NA BÓSNIA

Quinze anos depois do inicio da Missão das Forças Armadas Portuguesas na Bósnia-Herzegovina – assunto que passou despercebido quer a nível oficial quer da imprensa generalista – um facto de contornos pouco menos que inacreditáveis, trouxe-nos a este artigo. Aqui lembramos aqueles que alguns teimam em fazer esquecer: os militares que morreram e os que ficaram feridos e estropiados ao serviço de Portugal nas novas missões das Forças Armadas Portuguesas.

Não os esqueceremos! [1]

Os mortos e feridos nas novas missões das Forças Armadas Portuguesas têm, pelo menos, dois aspectos em comum com os da Grande Guerra e da Guerra do Ultramar: o serviço a Portugal; o sofrimento próprio e das famílias.

Na noite de 24 de Janeiro de 1996 o país era sacudido pela brutal notícia da morte de “número indeterminado de portugueses e italianos em Sarajevo no rebentamento de um engenho explosivo”. Os detalhes da morte dos dois portugueses, um italiano e dos ferimentos em outro português e  seis  italianos foram amplamente relatados, umas vezes com verdade outras nem tanto, e bem assim as questões familiares. Há muito esquecidos, hoje, quinze anos depois, os dramas familiares, o sofrimento físico e psicológico esbateram-se mas não se apagaram.
Nos anos seguintes a 1996, cumpridas lentamente as formalidades legais (e isto escrito assim não dá uma ideia nem aproximada do que seja o desespero de um militar depois de ferido, ou os familiares de um falecido, meses, anos seguidos, sem dinheiro que lhes permita viver!), ainda hoje nos tribunais portugueses há um processo em curso: familiares dos dois primeiros mortos, contra o Estado Português. Pretendem ser indemnizados pela falta de preparação para a missão que o Estado proporcionou aos militares que partiram para a Bósnia em 1996.
Não havendo inicialmente cobertura legal para estas missões (só em 1997 começou a ser publicada) também os processos relativos a “pagamentos por morte” foram algo atribulados. No entanto, face às declarações de boas intenções de responsáveis políticos e militares, feitas sobre o acontecimento, os familiares foram “pressionando” em público e através de personalidades do meio politico de então. Terá sido o próprio António Guterres (primeiro-ministro), que “deu ordem” para que fossem cumpridas as promessas. O facto é que as famílias dos primeiros mortos receberam 10.000 contos cada (cerca 50.000€). Esta importância foi definida em função do que as companhias de seguros tinham pago aos familiares dos militares mortos em Outubro de 1996, os quais já dispunham de seguro.


Neste ponto impõe-se deixar claro que não vou pedir pensões nem dinheiro para ninguém. O que aqui trago é tão só um apelo ao respeito pela memória destes jovens que deram a vida pela Pátria!

Como em tudo o mais – e ainda bem que assim é a natureza humana! -, a vida continua, a missão prosseguiu e foi cumprida, está a ser cumprida. Hoje ainda mantemos um simbólico contingente na Bósnia-Herzegovina. Outras operações se seguiram, infelizmente com mais mortos e feridos, alguns muito graves, neste e em outros teatros de operações.

Monumento aos mortos na Bósnia

Mas então o que nos leva a recordar hoje, estes factos dramáticos de Sarajevo? O que despoletou este assunto? Os factos estão descritos no artigo “À memória dos portugueses mortos na Bósnia e Herzegovina” publicado na revista “Combatente” de Setembro de 2010, mas passo a resumir numa pergunta: como foi possível o monumento que na Bósnia perpetuava o nome dos militares ali mortos ao serviço de Portugal, e pela manutenção da paz naquele país europeu, ser desvirtuado por portugueses e terem sido retirados os nomes dos mortos?
A Liga dos Combatentes que tem lutado em “várias frentes” pela preservação da memória daqueles que morreram ao serviço da Pátria, em França – recentemente ali reparou um significativo monumento que homenageia os caídos em La Lys – na Guiné e em Moçambique – com um difícil trabalho em relação aos cemitérios militares – já mostrou publicamente a intenção de homenagear estes cinco militares portugueses caídos na Bósnia:
Primeiro-Cabo Pára-quedista Alcino José Lázaro Mouta (24Jan1996);
Primeiro-Cabo Pára-quedista Rui Manuel Reis Tavares (24Jan1996);
Primeiro-Cabo Pára-quedista José da Ressurreição Barradas (06Out1996);
Soldado Pára-quedista Ricardo Manuel Borges Souto (06Out1996);
Soldado Pára-quedista Ricardo Manuel Pombo Valério (16Jul2004).

O Monumento aos Mortos Portugueses na Bósnia-Herzegovina, quando instalado no interior do aquartelamento de Doboj. [2]

O Monumento aos Mortos Portugueses na Bósnia-Herzegovina, quando instalado no interior do aquartelamento de Doboj.

Detalhe do monumento, com a placa onde estavam inscritos os nomes dos militares mortos na Bósnia, ao centro, e o lema "Que nunca por vencidos se conheçam" por cima da Cruz de Cristo. [3]

Detalhe do monumento, com a placa onde estavam inscritos os nomes dos militares mortos na Bósnia, ao centro, e o lema "Que nunca por vencidos se conheçam" por cima da Cruz de Cristo.

O monumento na cidade de Doboj como ai foi colocado em 2007 pelo último batalhão português que passou pela Bósnia-Herzegovina. [4]

O monumento na cidade de Doboj como ali foi colocado em 2007 pelo último batalhão português que passou pela Bósnia-Herzegovina.

Detalhe actual do monumento. A placa com o nome dos mortos desapareceu e o lema foi alterado. [5]

Detalhe actual do monumento. A placa com o nome dos mortos foi substituída e o lema foi alterado.

Por incrível que pareça este assunto permaneceu esquecido durante três anos. Aquilo que em muitos países seria assunto de “primeira página”, aqui nada, só no ano passado o assunto conheceu a luz do dia!  O “Diário de Noticias” abordou o caso [6], a Liga dos Combatentes pronunciou-se favoravelmente a uma homenagem e o Ministro da Defesa Nacional fez umas declarações dúbias.

Um exemplo, entre vários possíveis, de uma atitude diferente. Recentemente a Ministra da Defesa de Espanha esteve em Mostar (Bósnia) a prestar homenagem aos seus compatriotas ali mortos…depositando flores num monumento com os respectivos nomes.

A Ministra da Defesa de Espanha hoemageou em 2010 na Bósnia os espanhóis ali falecidos, num monumento que permanece em Mostar com o nome destes militares e a simbologia das suas unidades. [7]

A Ministra da Defesa de Espanha homenageou em 2010 na Bósnia os espanhóis ali falecidos, num monumento que permanece em Mostar com o nome destes militares e a simbologia das suas unidades.

Bem sabemos a diferença dos números, mas se homenageamos (e muito bem!) todos os anos os mortos em França – não raras vezes com governantes presentes – porque não deixamos pelo menos os nomes dos nossos mortos na Bósnia ali inscritos?

Os portugueses mortos e feridos em França, na Índia e em África, na Grande Guerra e na Guerra do Ultramar, têm pelo menos dois pontos em comum com os das novas missões: o serviço a Portugal; o sofrimento próprio e das famílias.
Poderá parecer estranho a quem nunca participou numa missão, quem não foi à guerra, quem não tem ou teve um familiar chegado ou amigo nestas condições, que alguns teimem em não os esquecer. O que leva os que regressaram a recordar os outros, os que partiram para sempre ou os que permanecendo entre nós sofrem?
Será que neste caso terá que ser a “sociedade civil” a cumprir em Doboj (cidade Bósnia onde está o monumento português) a missão de repor os nomes dos nossos compatriotas? Muitos acham que sim e quanto antes, nós achamos que só em último caso. Devemos dar espaço de manobra a quem em nome de Portugal o possa fazer.


Feridos

Se “aqueles em quem poder não teve a morte” por isso mesmo serão lembrados, na memória dos homens e nas lápides, como em todos os países civilizados acontece, os feridos, esses, estão felizmente entre nós, mas nem sempre os lembramos. Não que devam ser incensados, o seu maior desejo será aliás – para além de não terem sido feridos – fazer a sua vida o mais normal possível. O que é diferente de ser esquecido!
Quanto me interroguei perante o Tenente-Coronel Pára-quedista José Barbosa – comandava o Destacamento e Apoio e Serviços, ao qual pertenciam os mortos e ferido em Sarajevo na altura do acidente de Janeiro de 1996 – se terei legitimidade para expor este assunto publicamente, responde-me: o filho do Tavares, que tinha meses em 1996 (estive com ele recentemente) insiste agora em saber mais sobre o Pai, quer ir visitar Tancos, força Machado!

Todos os feridos com quem falei e a quem pedi se podia expor os seus casos, todos me deram abertura total para o fazer, mesmo com muitos mais detalhes do que fiz, e com todos a conversa foi longa e franca. Parece confirmar-se o que referem estudiosos estes fenómenos, falar sobre o assunto, debater, ajuda a ultrapassar muitos problemas.

Neste sentido alguma coisa melhorou desde 1996. Então, ao contrário de agora, nenhum dos feridos teve apoio psicológico, a família e alguns camaradas de armas, foram os seus esteios. Nessas alturas é que damos valor aos camaradas, aos comandantes que nos dão uma palavra que seja. Nunca esquecemos essas atitudes. Dizem-me, todos.
Por uma questão da mais elementar justiça e respeito por aquilo que passaram e passam, uns mais do que outros, não podemos deixar de trazer aqui alguns casos dos quais tivemos conhecimento directo. Só por isso nada mais, todos de todos os teatros de operações merecem igual atenção!

Os Sargentos Dias (à esquerda) e Santos foram feridos pela exlosão de uma mina no decurso de uma patrulha apeada perto de Gorazde. [8]

Os Sargentos Rui Dias (à esquerda) e Santos Oliveira foram feridos pela explosão de uma mina no decurso de uma patrulha apeada perto de Gorazde.

Só nos primeiros 6 meses de missão na Bósnia, 11 portugueses sofreram ferimentos. Desde então, infelizmente, vários outros do Afeganistão ao Kosovo passando por Timor, pagaram esse mesmo preço ficando alguns com situações irreversíveis. Temos dúvidas que alguém saiba quantos são os feridos portugueses em missões de paz. Nunca o vimos divulgado. Aqui fica uma imagem, necessariamente breve, omitindo o dramatismo bem real do momento em que estas situações se desenrolam e fugindo dos aspectos mais pessoais ou íntimos.

O Tenente Augusto Pinheiro numa acção de formação com militares Bósnios. A mina (PMA 3) é idêntica à que feriu os Sargentos Dias e Santos. [9]

O Tenente Augusto Pinheiro, no inicio da missão, numa acção de formação com militares Bósnios. A mina (PMR 2A) é idêntica à que feriu os Sargentos Dias e Oliveira.

Em 2004 August Pinheiro voltou à  Bósnia (aqui em Doboj), onde foi condecorado pelo Ministro da Defesa Nacional, junto do Monumento aos Mortos naquela missão. [10]

Em 2004 Augusto Pinheiro voltou à Bósnia (aqui em Doboj), onde foi condecorado pelo Ministro da Defesa Nacional. Na foto Aurélio Faria da SIC entrevista-o. Pinheiro sempre se mostrou disponível para relatar a sua experiência.

O então Tenente Augusto Pinheiro, aos 35 anos de idade, foi vítima em 2 de Junho de 1996 da explosão de uma mina “PMA 3”, no decurso de uma acção de desminagem, que lhe atingiu o tronco e sobretudo o rosto. Evacuado para Itália, foi ali operado inúmeras vezes, durante 5 longos anos. Passava meses seguidos em hospitais deste país e alguns períodos em Portugal. Não será fácil imaginar o calvário que Augusto Pinheiro passou, as incertezas e as terríveis certezas que cada nova intervenção cirúrgica significava.
Ficou com perda total da visão no olho esquerdo, danos permanentes no olho direito, perda parcial da audição e teve que fazer também várias operações plásticas fruto dos estilhaços que se alojaram no rosto. Sendo considerado Deficiente das Forças Armadas pediu, de acordo com a lei, para prestar serviço activo. Da arma de Engenharia e com o curso de Comandos, foi formado na Bósnia por sapadores franceses e continua um entusiasta da actividade que o feriu e quase matou. Nunca perdeu este interesse e “teima” em transmitir a sua experiência.
Hoje é Tenente-Coronel na Reforma Extraordinária e dá aulas de organização de terreno (entre outras coisas, fala de explosivos improvisados e minas) na Academia Militar.
Sempre sentiu apoio da hierarquia do Exército e ainda hoje se comove quando, por exemplo, um camarada que esteve comigo na Bósnia telefonou-me pelo Natal confesso que fiquei muito emocionado.

Vogosca, Janeiro de1996. Num intervalo do trabalho, militares do DAS. Em baixo, da esquerda: [11]

Vogosca, Janeiro de 1996, pouco tempo antes do acidente. Depois de "desmontar" um bunquer no interior da fábrica, onde estava em lugar de relevo o "medalhão" de Tito. Em pé, da esquerda para a direita: 1º Cabo Biscoito, 1º Cabo Tavares (falecido), 1º Cabo Mouta (falecido), 1º Cabo Oliveira (ferido). Em baixo, mesma ordem: Cap Médico Cruz, 1Sar Veríssimo, 1Sar Fonseca, Maj Barbosa, Saj Faria, Saj Pires.

Um "cluster bomblet" KB 1 idêntica à que vitimou os portugueses e italianos em 1996. Aqui fotografada uma nova, junto a um rolo fotográfico para dar noção das dimensões. [12]

Um "cluster bomblet" KB 1 idêntica à que vitimou os portugueses e italianos. Aqui fotografada uma nova, junto a um rolo fotográfico para dar noção das dimensões.

O Primeiro-Cabo Aquilino Branco Oliveira, 22 anos de idade, foi ferido na explosão da “cluster bomblet”  KB1 que matou dois dos seus camaradas (e italiano Gerardo Antonucci,   21 anos) a 24 de Janeiro de 1996. Foi gravemente atingido por estilhaços em todos os membros e rosto, ficando com algumas fracturas expostas. Operado imediatamente em Sarajevo num hospital de campanha Francês, foi depois evacuado para Itália e uma semana depois para Portugal. Durante um ano, no Hospital Militar Principal foi operado várias vezes. Hoje apresenta limitações de movimentos, sobretudo numa perna e num pé, além de problemas no maxilar e de audição que se vem agravando. As dores em locais atingidos nunca mais o abandonaram – por vezes bem fortes – e em 2011 ainda tem mais de vinte estilhaços no tronco, membros e maxilar. Foi considerado Deficiente das Forças Armadas sendo Primeiro-Cabo na Reforma Extraordinária.
Vive em Regueira da Ponte, onde faz parte da Junta de Freguesia, é vice-Presidente do Clube de Futebol local e empresário dando trabalho a treze pessoas.
O seu processo administrativo na sequência do acidente foi demorado, teve mesmo ainda em 1996 que fazer declarações públicas à comunicação social para que houvesse desenvolvimentos, e sendo casado e com um filho, passou 3 anos com grandes dificuldades económicas. Só em 1999 o processo ficou definitivamente encerrado. O apoio dos meus chefes e camaradas nos pára-quedistas e da família foi quem me aguentou. A burocracia oficial foi terrível. Chegaram inclusive a não considerar o acidente em serviço, por se ter passado «fora das horas normais de serviço e fora do local de trabalho»! Parece mentira mas é verdade, quem analisou o processo não fazia ideia do que era a missão.

Anos passados do acidente, tudo resolvido legalmente, Oliveira escreveu ao Ministro da Defesa Nacional informando quem era, e perguntando se haveria possibilidade de se deslocar à Bósnia? Gostava de visitar o local (note-se que familiares de um dos mortos o fizeram, por sua iniciativa mas com apoio oficial). Nem resposta me deram, relembra com evidente tristeza.

Preparação para a missão. Em final de 1995, na Carreira de Tiro de Ílhavo, o Capitão Leite Basto (ao centro) com pessoal da sua companhia. [13]

Preparação para a missão. Em final de 1995, na Carreira de Tiro de Ílhavo, o Capitão Leite Basto (ao centro) com pessoal da sua companhia.

Dia do Exército 1996 em Santa Margarida. O Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas e os Chfes de Estado-Maior do Exército e da Força Aérea, cumprimentam Leite Bastos (braço ao peito) e Jorge Oliveira que foram condecorados pela sua acção na Bósnia. [14]

Dia do Exército 1996 em Santa Margarida. O Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas e os Chefes de Estado-Maior do Exército e da Força Aérea, cumprimentam Leite Basto (braço ao peito) e Jorge Oliveira que foram condecorados pela sua acção na Bósnia.

O então Capitão Leite Basto, aos 31 anos de idade, sofreu ferimentos graves numa mão, ficando sem três dedos, devido ao rebentamento de mina “Gorazde”em 17 de Março de 1996. Tratado no hospital militar italiano de Sarajevo e depois evacuado para Portugal fez tratamento prolongado no Hospital Militar do Porto, e teve uma passagem de avaliação e aconselhamento, por um Hospital Militar Alemão em Hamburgo. Ainda voltou ao serviço, fez o Curso de Promoção a Major, foi promovido. Cerca de 3 anos e meio depois do acidente, quando o seu processo ficou definitivamente resolvido, deixou o serviço activo como Major na Reforma Extraordinária e Deficiente das Forças Armadas.
Teve intervenção política no seu Concelho de Cabeceiras de Basto onde foi vereador durante vários mandatos, sendo hoje membro permanente da Assembleia Municipal, dedicando no entanto a maior parte do seu tempo à família. Para Leite Basto, independentemente de questões do foro mais pessoal, todo o processo administrativo é bastante complexo e demorado (agravado então pela falta de legislação), muito penalizador em termos económicos porque dá origem a um grande corte nos vencimentos enquanto não está definitivamente resolvido – tive uma retaguarda familiar, senão não sei como seria… – também ficou a convicção que a sua experiência (e de outros nas mesmas circunstâncias) quer em termos operacionais quer em termos de todo o processo de recuperação, até psicológica, poderia ter sido aproveitada pela instituição militar. Refere ainda como importantíssima a atenção que tive de alguns camaradas e comandantes nos pára-quedistas e nas operações especiais.
Podiam ser contados outros casos menos graves, que embora tivessem tudo para ser dramáticos, não o foram. Em 1 de Março de 1996, nos arrabaldes de Gorazde, os dos Segundos-Sargentos Santos Oliveira e Rui Dias, no decurso de uma patrulha apeada, accionaram uma mina. Valeu aparentemente a inclinação do terreno que projectou a maioria dos estilhaços noutra direcção. Acidentes com armas de fogo, de viação, um queimado e ainda e outros com consequência físicas menores completam esta “listagem”.
Em 1996 Leite Basto foi condecorado com a Medalha de Prata de Serviços Distintos, juntamente com o Sargento Pára-quedistas Jorge Oliveira que havia socorrido, com evidentes riscos pessoais, o Tenente Augusto Pinheiro, retirando-o do local onde havia sido ferido e permitindo o seu socorro em tempo.
Augusto Pinheiro foi condecorado em 2004 com a Medalha da Defesa Nacional e em 2007 com a Medalha de Prata de Serviços Distintos.

Em 1997 o Segundo-Sargento Rui Dias foi condecorado com a Medalha D. Afonso Henriques – Patrono do Exército – de 4.ª Classe. O Segundo-Sargento Santos Oliveira foi louvado pelo comandante de batalhão – 2.º BIAT (nota do autor: não foi possível averiguar no decurso deste trabalho se foi também condecorado – o próprio desconhece e o assunto está a ser averiguado).

Aquilino Oliveira nunca foi agraciado com qualquer condecoração ou louvor, o mesmo se tendo passado com todos os outros feridos e mortos nesta primeira missão.

O Cabo Gerardo Antonucci falecido em Sarajevo no acidente de 24 de Janeiro , foi condecorado a título póstumo, por decreto de 11 de Fevereiro de 1998 do Presidente da Republica Italiana com a Medalha de Ouro “Alla memoria”.

Aparentemente entre nós nunca foi considerado, por exemplo e no mínimo, conceder a “medalha dos feridos em campanha”. Certamente porque estas missões não são consideradas campanhas… Não será politicamente correcto dizê-lo mas quem assinou as “guias e marcha” para as campanhas ultramarinas, foi quem fez o mesmo para as missões de paz: o Estado Português. A política nada tem a ver com isto!

Ontem como hoje, nas antigas Colónias da Índia e de África em defesa do território nacional, como na Bósnia, Angola, Timor-Leste ou Afeganistão, no cumprimento de missões legalmente atribuídas pelo governo legítimo de Portugal, respeitamos o sacrifício dos portugueses caídos e feridos ao serviço do seu País.
Nunca os esqueceremos!

Quer saber mais sobre a Missão na Bósnia em 1996 e o Acidente de 24 de Janeiro de 1996? Clique aqui! [15]

Quer ler o artigo “À memória dos portugueses mortos na Bósnia e Herzegovina” (“Combatente” de Setembro de 2010)? Clique aqui! [16]

MILITARES PORTUGUESES MORTOS EM MISSÕES DE PAZ [17]