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MAU DIA PARA MORRER!

Dia 10 de Julho de 2016, a selecção portuguesa de futebol, conquista pela primeira vez na história o título de Campeão Europeu. Dia 11 o avião que transporta dirigentes e jogadores aterra em Lisboa, sensivelmente à mesma hora morrem à vista do aeroporto da capital, na Base Aérea n.º 6, no Montijo, 3 militares da Força Aérea Portuguesa, num acidente com um C-130 envolvido numa missão de qualificação de pilotos.

Cockpit de um C-130 da Força Aérea fotografado no decurso de uma missão de apoio às Forças Nacionais Destacadas. Piloto, Co-Piloto e Mecânico de Voo. [1]

Cockpit de um C-130 da Força Aérea Portuguesa fotografado no decurso de uma missão de apoio às Forças Nacionais Destacadas. Piloto, Co-Piloto e Mecânico de Voo.

Em Lisboa o ambiente é de apoteose para com a Selecção Nacional. Milhares de populares envolvem a comitiva, que tem como primeiro destino a Presidência da República. O mais alto magistrado da Nação e Comandante Supremo das Forças Armadas, que se empenhou pessoalmente nesta “campanha” em diversas ocasiões, em França e em Portugal, presta-lhes homenagem e anuncia que lhes serão, oportunamente, impostas condecorações.

Aumentando agora exponencialmente o tempo que já vinham dedicando ao campeonato da Europa de futebol, as televisões – RTP; SIC; TVI – potenciam ao máximo este envolvimento emocional da população com o facto desportivo, emitindo em directo tudo o que se está a passar.

Em rodapé aparece subitamente a notícia do acidente que vitimou os militares.

Rádios e online (jornais, rádios e televisões), dão algumas, poucas, informações, porque também não as há de fonte oficial. A Força Aérea confirma o acidente de imediato mas os detalhes até provêm do INEM que evacuou três mortos e os feridos, um dos quais com gravidade.

Este ramo das Forças Armadas mais tarde emite um comunicado que é brevemente, muito brevemente, referido nos serviços noticiosos das 20H00 e a Presidência da República difunde uma nota de “condolências às famílias” dos falecidos e “célere restabelecimento dos feridos”. O ministro da defesa faz saber também a tempo do “horário nobre” que esteve durante a tarde na BA 6, com o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea e para isso cancelou a agenda: “uma sessão de esclarecimento na sede da Federação do PS de Braga às 21h30”.

A investigação foi iniciada pela Força Aérea e a seu tempo serão certamente difundidas informações seguras. Por agora parece haver mais dúvidas do que certezas como infelizmente não é invulgar nos acidentes de aviação, e o nomes das vítimas foram-se sabendo, oficiosamente. As redes sociais enchem-se de mensagens de condolências de amigos e camaradas.

Sobre tudo isto, hoje, já “mais a frio”, tanto quanto isso é possível, uma nota politicamente incorrecta – mesmo que muito satisfeito e vibrando com a vitória de Portugal. Muitos discordarão, mas é a minha opinião.

O Presidente da República tem dito publicamente em várias ocasiões que presta uma atenção muito especial às Forças Armadas. Na realidade, desde o seu discurso de tomada de posse, até agora, passando pelo dia 10 de Junho, visitas a instalações militares pelo país ou em actividades das Forças Armadas, assim tem feito, saudando efusivamente os militares quer em palavras quer mesmo “de facto” indo ao seu encontro, fazendo-se fotografar a seu lado. Tem assim sem dúvida dado visibilidade às Forças Armadas e honrado os militares, de ontem e de hoje, mesmo que no caso da demissão do Chefe do Estado-Maior do Exército (07ABR16), a sua posição tenha sido praticamente neutra, abstendo-se de intervir.

Ontem, no entanto, exigia-se, no mínimo, uma declaração de viva voz (*) e não lhe ficaria nada mal se deixasse a recepção aos futebolistas na Presidência para o dia seguinte. Os novos heróis nacionais podiam passear pela capital perante o povo, debitar as suas palavras na Alameda, e ser condignamente recebidos hoje em Belém. Certamente não haveria tanta gente a aplaudir na rua frente ao Palácio Presidencial com o pleno dos directos para milhões em Portugal e  no Mundo, mas seria isso mais importante do que um pouco de decoro perante tão dramática coincidência temporal?

Nos anos 20 e 30 do século XX, os aviadores militares portugueses que cobriam o mundo em arriscadas viagens aéreas, contribuindo para a visibilidade do seu país e para o avanço da tecnologia, eram recebidos como heróis pela população, homenageados e condecorados pelo poder político. Hoje para grande parte da população portuguesa o papel de heróis está claramente noutro tipo de profissionais, e os aviadores militares que um pouco por todo o mundo continuam a defender o nome e o prestígio do seu país, em missões determinadas pelo poder político, estão, como em boa verdade as restantes Forças Armadas, remetidos por esse mesmo poder, a uma posição que do nosso ponto de vista não merecem.

Ontem era muito difícil fazer diferente, pois era, mas era o que devia ter sido feito e não foi!

Miguel Silva Machado

(*) O PR  comentou brevemente que estava com gravata preta na recepção à Selecção Nacional em sinal de luto pelos militares falecidos no acidente dessa manhã.

Comunicado da Presidência da República

O Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas apresenta condolências aos familiares das vítimas do acidente com uma aeronave da Força Aérea Portuguesa

“Tendo tomado conhecimento do trágico acidente ocorrido hoje com uma aeronave da Força Aérea Portuguesa, quero apresentar as minhas mais profundas condolências aos familiares dos militares que faleceram ao serviço de Portugal.

Quero igualmente manifestar o meu pesar e solidariedade a todos aqueles que sentem com maior dor a perda abrupta dos seus camaradas e amigos, desejando também um célere restabelecimento dos militares feridos.

Marcelo Rebelo de Sousa”

11.07.2016

Comunicado do MDN:

Acidente com Aeronave C-130

11-07-2016    

COMUNICADO

O Ministro da Defesa Nacional, José Alberto Azeredo Lopes, deslocou-se esta tarde à Base Aérea do Montijo para, em nome pessoal e em representação do Governo, manifestar o profundo pesar pelos acontecimentos que resultaram na morte trágica de três militares da Força Aérea e causaram ferimentos aos outros quatro militares que compunham a tripulação. Um desses militares está ainda em estado grave.

O Ministro da Defesa Nacional reuniu-se na base aérea do Montijo com o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, Senhor General Manuel Rolo, que recebeu as condolências do Governo em nome da Força Aérea e informou o Ministro sobre as circunstâncias do acidente, o apoio prestado às vítimas e aos seus familiares.

O Chefe do Estado-Maior da Força Aérea informou ainda o Ministro da Defesa Nacional sobre o procedimento adotado em acidentes ou incidentes com aeronaves da Força Aérea. Na sequência do acidente de hoje, a Comissão Central de Investigação da Força Aérea iniciou de imediato o processo de investigação respetivo.

Neste momento de tristeza e profundo sofrimento, as palavras pouco ajudam a atenuar a dor.

A dedicação, a entrega e o serviço ao País prestado pelos militares que hoje pereceram não podem ser esquecidos. O Governo manifesta aos familiares, amigos e camaradas das vítimas as suas mais profundas condolências.

Hoje é um dia de luto para a Força Aérea, para as Forças Armadas e para Portugal.

Aos que ficaram feridos e às suas famílias, o Governo apresenta uma palavra de conforto, reconhecimento e votos sinceros de uma recuperação rápida.

11 de julho de 2016

 Atualizado em: 11-07-2016 21:46

 

Comunicado da Força Aérea

Comunicado de Imprensa

11 de julho de 2016

Acidente com aeronave C-130H

A Força Aérea informa que pelas 12H00 de hoje uma aeronave C-130H sofreu um

acidente na fase de descolagem durante uma missão de treino, na Base Aérea N.º

6, Montijo.

A bordo da aeronave estavam sete tripulantes. O acidente causou três vítimas

mortais, um ferido grave e três feridos ligeiros, todos militares da Força Aérea. Os

feridos foram assistidos no local pelas entidades competentes para o efeito e

posteriormente encaminhados para unidades hospitalares.

Neste momento de profundo pesar, os nossos pensamentos estão com os

familiares e amigos destes nossos camaradas, aos quais está a ser prestado todo o

apoio necessário.

A análise às causas do acidente irá seguir os procedimentos previstos, através de

um inquérito conduzido pela Comissão Central de Investigação da Força Aérea.

A Força Aérea está de luto.