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G-28 & MG-5 NA UNIDADE DE PROTEÇÃO DA FORÇA (I)

No último dia de Setembro de 2015 a espingarda de precisão HK G-28 7,62mm, foi apresentada a uma audiência seleccionada, no Campo de Tiro, em Alcochete. O Operacional esteve presente e mostra, em dois artigos, esta e a metralhadora HK MG-5 7,62mm, ambas já em serviço na Unidade de Proteção da Força Aérea Portuguesa, que também acaba de receber duas novas viaturas tácticas ligeiras (blindadas).

A Unidade de Proteção da Força, tem ao serviço a HK G-28 7,62mm. [1]

A Unidade de Proteção da Força (UPF) tem ao serviço a HK G-28 7,62mm. Estes militares da Força Aérea Portuguesa têm cumprido várias missões internacionais, do Chade ao Mali do Afeganistão à Síria, integrando os Destacamento Aéreos empenhados em missões expedicionárias ou em missões de evacuação pontuais.

A HK G-28 7,62mm que foi apresentada pela Defmat, Ldª, o representante em Portugal da Heckler & Koch, está fotografada nesta reportagem, é uma das variantes desta espingarda de precisão que a marca alemã comercializa. Com pequenas modificações em relação ao “modelo base” –genericamente conhecido por G-28 E2 Cal. 7,62mm x 51 NATO – a HK dispõe de versões mais “aligeiradas” para Patrulha/Infantaria (G-28 E3) e ainda outras versões com diferente comprimento de cano para finalidades especificas.

A HK MG-5 7,62mm, já apresentada em Portugal em Outubro de 2014 [2], está também na dotação da Unidade de Proteção da Força (UPF) [3], e os participantes nesta apresentação utilizaram a arma na carreira de tiro. Esta arma, bem como uma outra novidade para muitos dos presentes, as novas viaturas tácticas ligeiras (blindadas) da UPF, equipadas com reparo para esta metralhadora MG-5 (ou para a MG-3), serão objecto do próximo artigo.

O Campo de Tiro recebeu, a convite da Defmat, Lda, elementos das Forças Armadas e das Forças de Segurança para assistir à apresentação deste moderno material material HK. [4]

O Campo de Tiro recebeu, a convite da Defmat, Lda, elementos das Forças Armadas e das Forças de Segurança para assistir à apresentação deste moderno material Heckler & Koch. Foi responsável pela apresentação do armamento e sua experimentação em carreira de tiro, Miranda Neto  (por sinal colaborador do Operacional).

Como em outras ocasiões, coube à UPF receber os visitantes e assim proporcionar novo encontro entre operadores de unidades especiais nacionais, momento sempre oportuno para troca de opiniões e experiências que a todos enriquece. [5]

Como em outras ocasiões, coube à UPF receber os visitantes e assim proporcionar novo encontro entre operadores de unidades especiais nacionais, momento sempre oportuno para troca de opiniões e experiências que a todos enriquece.

A UPF tem no seu inventário vários tipos de armas, muitas da Heckler & Koch, algumas comuns a várias forças militares e de segurança. [6]

A UPF tem no seu inventário vários tipos de armas, muitas da Heckler & Koch, algumas comuns a várias forças militares e de segurança.

A HK-416 5,56mm já está ao serviço na Policia Marítima e no Centro de Tropas de Operações Especiais da Brigada de Reacção Rápida [7]

A HK-416 5,56mm já está ao serviço na Policia Marítima e no Centro de Tropas de Operações Especiais da Brigada de Reacção Rápida

Estes encontros são sempre uma oportunidade para trocas de opiniões e experiências entre profissionais. [8]

Estes encontros são sempre uma excelente oportunidade para trocas de opiniões e experiências entre profissionais que trabalham na área da Defesa e Segurança.

A HK 416 5,56mm, aqui manuseada por um oficial do Centro de Tropas de Operações Especiais da Brigada de Reação Rápida do Exército, está ao serviço nesta força e também no Grupo de Ações Táticas da Policia Marítima. [9]

A HK G-28 7,62mm aqui manuseada por um oficial do Centro de Tropas de Operações Especiais da Brigada de Reação Rápida do Exército, está ao serviço nesta força e também no Grupo de Ações Táticas da Policia Marítima.

O calibre 7,62 mm continua a ter muitos adeptos nos militares e policias portugueses, e à luz dos ensinamentos recolhidos nos conflitos e intervenções policias da actualidade um pouco por todo o mundo, não morreu, continua a dar provas. [10]

O calibre 7,62 mm continua a ter muitos adeptos nos militares e policias portugueses, e à luz dos ensinamentos recolhidos nos conflitos e intervenções policias da actualidade um pouco por todo o mundo, não morreu, continua a dar provas.

 HK G-28 E2 7,62mm

Trata-se de uma arma de precisão, o que na terminologia americana e em geral nos exércitos ocidentais, é conhecida pela sigla DMR (designated marksman rifle). Destinada a ser operada por militares com algum grau de especialização de modo a tirar partido das suas capacidades e não a ser distribuída “em massa”, tipo arma padrão de um exército. Em alguns países, este tipo de espingarda é distribuído nas unidades de infantaria, por exemplo, uma por secção (de dez militares), ou a alguns dos elementos de destacamentos de forças especiais. Note-se que também não é uma arma “sniper”, preenche esse intervalo entre a de distribuição geral e a “sniper”, o que permite às unidades que dela dispõem uma capacidade acrescida para bater com grande probabilidade de sucesso, alvos a 600 ou mesmo 800m.

Em Portugal, especialmente nas Forças Armadas, pelas vicissitudes que se conhecem em relação à modernização do armamento individual e que mantém em uso material praticamente obsoleto, convém deixar claro que atingir alvos a estas distâncias só é possível com um equipamento que é básico na generalidade dos exércitos modernos e por cá ainda uma raridade, o uso generalizado de miras ópticas. Se isto é verdade para todos os soldados de infantaria, mais ainda naturalmente para os especialistas que vão usar estas armas DMR. Acrescente-se que além da arma e do sistema de pontaria, as munições, a formação e o treino regular do operador, são elementos imprescindíveis para se conseguir “acertar no alvo”.

A G-28, uma modificação militar da arma de uso civil MR.308 (esta passa à história pelo seu uso por Chris Kyle “american sniper”) é semelhante à HK-417 [11](tem muitos componentes que são interoperáveis) mas apresenta ao mesmo tempo diferenças substanciais que fazem dela uma arma superior para a finalidade a que se destina. Por exemplo, a caixa do mecanismo de disparo é em aço (a 417, é em alumínio) e tem uma precisão garantida por fábrica – até o cano registar 20.000 tiros – de 10 tiros num diâmetro de 4,5cm a 100m (esta “relação” é conhecida tecnicamente por “1,5 MOA” –Minute Of Arc).

A arma da UPF está equipada com mira telescópica HK- Schmidt & Bender 3-20×50 PMII com filtro laser DIN EN 207-L4 e Aimpoint Micro-T1 4 Moa, este para uso numa situação táctica em que o atirador seja surpreendido e necessite de fazer um disparo com pouca preparação, levar a arma à cara, apontar o “ponto vermelho” do Aimpoint no alvo e disparar. Já a mira telescópica exige formação e treino para tirar partido das suas potencialidades. Apenas para ilustrar o que significam os “aumentos” nas miras telescópicas – e esta tem de 3 a 20 – se um alvo estiver a 100metros, com os 20 aumentos ela aparece ao atirador a 5m! Fácil ver a vantagem que confere ao atirador no momento de apontar.

Uma nota ainda para o supressor de som, importante por reduzir o ruído causado pelo disparo como por evitar em determinados tipos de ambientes tácticos o levantamento de poeiras à boca do cano,  os quais podem identificar a posição do atirador.

Os detalhes da arma estão bem explicados na figura abaixo (note-se que a arma da UPF usada nesta apresentação não estava equipada com o módulo laser nem com o punho de assalto).

A G-28 E2 em detalhe (documento do fabricante) [12]

A G-28 E2 em detalhe – clique para aumentar (documento do fabricante).

Na apresentação em sala que iniciou este dia no Campo de Tiro, unidade da Força Aérea, mas que tem na sua missão a atribuição de disponibilizar “…aos outros ramos das Forças Armadas, às forças de segurança e às indústrias de defesa, os espaços e a segurança necessários para a execução das práticas e experiências com armamento de treino ou real…”, foram ainda abordados aspectos relativos aos sistemas de visão nocturna que as armas apresentadas podem usar e as suas potencialidades.

As munições de fabricação portuguesa (infelizmente terminada) ainda estão disponíveis e são muito apreciadas como se comprovou em Alcochete. [13]

As munições de fabricação portuguesa (infelizmente terminada) ainda estão disponíveis e são muito apreciadas como se comprovou em Alcochete.

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Regulação da mira HK- Schmidt & Bender 3-20×50 PMII com filtro laser DIN EN 207-L4.

O recticulo da mira que foi usada em Alcochete. [15]

O retículo da mira que foi usada em Alcochete.

13 DSC_5868 G-28 & MG-5 I [16]

Manobrador à retaguarda…a primeira munição do carregador vai entrar na câmara.

14 DSC_5763 G-28 & MG-5 I [17]

Fogo! Note-se por cima da mira, o Aimpoint e neste caso, embora G-28 tenha o bipé “Harris”, o atirador optou por usar uma peça de equipamento para apoiar a arma.

Foi executado tiro a 100, 300 e 600m. [18]

Foi executado tiro a 100, 300 e 600m.

Disparo sem supressor de som sendo visível uma pequena "nuvem" de poeira... [19]

Disparo sem supressor de som sendo visível uma pequena “nuvem” de poeira…

O supressor de som aplica-se em segundos (não esquecer mudar o selector próprio para este tipo de tiro) [20]

O supressor de som aplica-se em segundos (não esquecer mudar o selector próprio para este tipo de tiro).

E aqui já nada "transparece" no solo à boca do supressor que indique ter sido feito um disparo. [21]

Novo disparo, note-se o invólucro, e aqui já nada “transparece” no solo à boca do supressor que indique ter sido feito um tiro.

Militares e policias, tiveram oportunidade de usar a arma/mira e verificar, ainda que apenas numa tarde, as suas potencialidades. [22]

Militares e policias, tiveram oportunidade de usar a arma/mira e verificar, ainda que apenas numa tarde, as suas potencialidades.

20 DSC_6065 G-28 & MG-5 I [23]

21 DSC_6155 G-28 & MG-5 I [24]

22 DSC_6297 G-28 & MG-5 I [25]

Sempre que se coloca o supressor de som é necessário accionar o respectivo selector, sob pena de não haver a correcta ejecção do invólucro e apresentação de nova munição para disparo. [26]

Sempre que se coloca o supressor de som é necessário accionar o respectivo selector, sob pena de não haver a correcta ejecção do invólucro e apresentação de nova munição para disparo.

24 DSC_6263 G-28 & MG-5 I [27]

Na carreira de tiro a maioria dos presentes senão mesmo todos tiveram oportunidade de usar a arma, não houve falta de munições (curiosamente ainda da já extinta fabricação nacional, considerada por todos de excelente qualidade), e assim ficou cumprida a finalidade desta apresentação. Permitir um contacto directo com a HK G-28, saber das suas capacidades, aferir sumariamente as características desta arma que já está testada em combate por alguns exércitos e que certamente agradaria a muitos dos presentes usar nas missões que o Estado Português lhes confere na defesa e segurança de Portugal.

O Cabo-Adjunto Marco Cartaxo da UPF, 24 anos de idade, 6 de Força Aérea, com dua missões cumpridas no Mali, usando a G-28. Aqui o militar usa a arma (e o Aimpoint) numa situação de tiro instintivo - foi surpreendido durante um deslocamento, por exemplo - e não no tiro preparado que é o típico para este tipo de espingarda. [28]

O Cabo-Adjunto Marco Cartaxo da UPF, 24 anos de idade, 6 de Força Aérea, com duas missões cumpridas no Mali, usando a G-28. Aqui o militar usa a arma (e o Aimpoint) numa situação de tiro instintivo – foi surpreendido durante um deslocamento, por exemplo – e não no tiro preparado que é o típico para este tipo de espingarda.

Numa posição confortável, apoiado com o bipé "Harris", Marco Cartaxo prepara o disparo usando a mira telescópica que pode ir até 20 aumentos. Além da G-28, usa o colete balístico NFM Trym QRS e o capacete HC-XP Skeleton. [29]

Numa posição confortável, apoiado com o bipé “Harris”, ajustando bem a coronha, Marco Cartaxo prepara o disparo usando a mira telescópica que pode ir até 20 aumentos. Além da G-28, usa o colete balístico NFM Trym QRS e o capacete Fast da Opscore.

G-28 & MG-5 I.jpg [30]

 

A UPF [31]

Em calçada portuguesa, a insígnia da Unidade de Protecção da Força:
Ares, Deus da Guerra, representado a imponência do poder aéreo e a sua protecção.
A UPF depende do Núcleo de Protecção da Força (NPF), criado em 2007, embora tenha antecedentes mais longínquos, desde logo na Equipa de Resgate de Combate (RESCOM). «A criação deste Núcleo deveu-se à necessidade por parte da Força Aérea em dispor de equipas treinadas nas vertentes de Active Defense, capazes de efectuar a protecção e segurança de meios e Forças Nacionais Destacadas (FND), ao serviço das várias organizações internacionais com as quais Portugal assumiu compromissos políticos no âmbito da Defesa. No entanto, a sua missão não se esgota nas acções de Protecção de meios da FA. O NPF, tem de igual modo vindo a colaborar e a contribuir, de forma activa para o aprontamento de militares da FA e de outros ramos e serviços, principalmente nas vertentes de Tiro e de Técnica e Táctica de Combate». Chade, República Centro Africana, Líbia, Síria, Afeganistão, Egipto, Mali, são alguns dos países onde a UPF já foi empenhada em missões de curta ou mesmo de longa duração.

Leia aqui a segunda parte deste artigo, no qual se apresenta também a Viatura Táctica Ligeira (Blindada) Nissan: G-28 & MG-5 NA UNIDADE DE PROTEÇÃO DA FORÇA (II) [32]