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EXPOSIÇÃO GUARDA NACIONAL REPUBLICANA, 103.º ANIVERSÁRIO

Mais uma vez tivemos oportunidade de visitar uma exposição no Comando-Geral da GNR – entrada livre e aberta até 11 de Maio – desta vez alusiva, segundo a organização, à “comemoração do 103.º aniversário da GNR quando se comemoram os 40 anos da revolução dos cravos”. Além da exposição em si, interessante, a visitar sem dúvida, curiosa a visão institucional sobre a participação da Guarda no 25 de Abril de 1974.

A exposição alusiva ao 103.º aniversário da Guarda está patente ao público até 11 de Maio de 2014. [1]

A exposição alusiva ao 103.º aniversário da Guarda está patente ao público até 11 de Maio de 2014.

A exposição está bem organizada, tem espaço para os visitantes circularem e os elementos museológicos escolhidos são, como convém a este tipo de mostras que se destinam ao público em geral e não a especialistas, significativos mas em número reduzido. O percurso sugerido aos visitantes não sendo demorado, é ainda assim maior do que à primeira vista possa parecer, permitindo não só a visita àquilo que foi escolhido para ilustrar os 103 anos de história da GNR, como uma área talvez semelhante em dimensão ou mesmo maior, ao dia 25 de Abril de 1974, e ainda a zona dos claustros e cisterna, onde, além de aspectos relativos ao convento e a D. Nuno Álvares Pereira – que o mandou construir – como vem sendo hábito em exposições anteriores, se colocam meios motorizados e outros de maiores dimensões [2]. Na parte do Largo do Carmo fronteira ao Comando Geral a Guarda promove algumas actividades para o público, as quais, diga-se são muito concorridas e o mesmo nos pareceu acontecer com a exposição, a qual é visitada quer por nacionais quer por estrangeiros.

O Comando-Geral da GNR localizado numa das zonas de Lisboa mais frequentadas por turistas, transforma-se por estes dias em mais um pólo de atracção para quem visita a Baixa-Chiado. [3]

O Comando-Geral da GNR localizado numa das zonas de Lisboa mais frequentadas por turistas, transforma-se por estes dias em mais um pólo de atracção para quem visita a Baixa-Chiado.

A Guarda Nacional Republicana foi legalmente criada em 3 de Maio de 1911 mas vai buscar as suas origens à Guarda Real de Polícia de Lisboa (1801), e depois à sua congénere do Porto, mais tarde extintas e substituídas pelas Guardas Municipais de Lisboa e do Porto, estas também por sua vez extintas pela República em 1910. É assim natural que a exposição abranja não só o período da República mas parte dos seus antecedentes na Monarquia. Seguem-se elementos relativos aos anos 40/80 (esta designação é nossa, pela análise dos equipamentos e fardamentos expostos), alguns guiões heráldicos da actualidade, incluindo de duas unidades empenhadas em operações no Iraque e Timor (ao que nos pareceu, não estavam identificados) e segue-se a visita para o “sector 25ABR74”. Aliás já neste núcleo histórico que referimos, emerge uma espingarda automática G-3 com um cravo vermelho e uma fotografia de grandes dimensões de populares e militares do Exército “no 25 de Abril”.

Logo na entrada da exposição, junto aos guiões heráldicos actuais, uma espingarda G-3 com cravo vermelho (arma que aliás a GNR não usava no 25 de Abril de 1974) dá o mote para um dos temas fortes da exposição. [4]

Logo na entrada da exposição, junto aos guiões heráldicos actuais, uma espingarda G-3 com cravo vermelho (arma que aliás a GNR não usava no 25 de Abril de 1974) dá o mote para um dos temas fortes da exposição.

Os antecedentes da GNR, criada em 1911, não são esquecidos. [5]

Os antecedentes da GNR, criada em 1911, não são esquecidos.

A Guarda Real de Policia de Lisboa foi criada em 1801. [6]

A Guarda Real de Policia de Lisboa foi criada em 1801.

Monarquia e Republica convivem neste espaço museológico! [7]

Monarquia e Republica convivem neste espaço museológico!

Combatente em África e em França durante a Grande Guerra, colaborou no esmagamento da Monarquia do Norte e foi mais tarde opositor do Estado-Novo e exilou-se no Brasil. Reintegrado após o 25 de Abril foi promovido a general. [8]

Combatente em África e França na 1.ª Guerra Mundial,  distinguiu-se também no esmagamento da Monarquia do Norte e foi mais tarde opositor do Estado-Novo. Exilou-se no Brasil foi reintegrado e promovido após o 25 de Abril de 1974.

Colecção de capacetes usados pela GNR ao longo dos anos, muitos de cerimónia mas também alguns operacionais. [9]

Colecção de capacetes usados pela GNR ao longo dos anos, muitos de cerimónia mas também alguns operacionais.

A GNR está intimamente ligada ao nascimento da 1.ª República Portuguesa e isso não é esquecido. Aliás a história oficial diz que a GNR "...desenvolveu-se exponencialmente... a partir da ditadura militar de 1926 foi reduzida significativamente..." [10]

A GNR está intimamente ligada ao nascimento da República e isso não é esquecido. Aliás a história oficial diz que a GNR “Durante a 1.ª República a GNR desenvolveu-se exponencialmente… a partir da ditadura militar de 1926 foi reduzida significativamente…

por várias vezes nos deparamos com interessantes conjugações foto/objectos. Aqui uma moto Sunbeam S7 de 1956 em primeiro plano. [11]

Por várias vezes nos deparamos com interessantes conjugações foto/objectos. Aqui uma moto Sunbeam S7 de 1956 em primeiro plano.

O uniforme de serviço da GNR que atravessou gerações, anos 50 a 80. [12]

O uniforme de serviço da GNR que atravessou gerações, anos 50 a 80 do século XX.

Este sector pareceu algo desguarnecido, com os guiões da unidades da GNR que serviram no Iraque e em Timor junto ao "25 de Abril de 1974". [13]

Os guiões heráldicos da unidades da GNR que serviram no Iraque e em Timor junto ao “25 de Abril de 1974”.

A memória da Guarda Fiscal com mais uma bela obra do Mestre Soares Branco e uma vitrina com vários elementos museológicos. [14]

A memória da Guarda Fiscal com uma bela obra do Mestre Soares Branco e uma vitrina com elementos museológicos desta força integrada na GNR em 1993.

A GNR rural e as suas condições durante décadas aqui bem representadas. [15]

A GNR rural e as suas condições durante décadas aqui bem representadas neste “Posto”.

Uma cela e uma patrulha usando bicicleta, realidade de uma época bem conhecida no interior de Portugal. [16]

Uma cela – as forças de segurança devem prender os criminosos, e ainda bem é bom lembrar –  e patrulha usando bicicleta, realidade de uma época bem conhecida no interior de Portugal.

Sobre o golpe militar, designado na exposição por “Revolução de 25 de Abril”, vários objectos usados nesse dia estão expostos (ver fotos), há painéis fotográficos com legendas detalhando os acontecimentos que envolveram o quartel e Largo do Carmo e algumas áreas envolventes e mesmo gravações audio a correr sobre a temática. Também o gabinete do Comandante-Geral é em parte visível, neste sector. O Salão Nobre do Comando-Geral onde se encontram as fotografias dos comandantes desde 1801 até aos dias de hoje, pode ser visitado e está também referenciado pela sua utilização no 25 de Abril de 1974.

Fotografias dos Comandantes-Gerais da GNR e antecessoras desde 1801 até 2014. [17]

Fotografias dos Comandantes-Gerais da GNR e antecessoras desde 1801 até 2014.

Esta peça está exposta porque:"Nesta poltrona repousou o Chefe do Governo,  professor Marcello Caetano, durante parte das 14 horas em que se recolheu no interior do Quartel do Carmo de Lisboa, no dia 25 de Abril de 1974". [18]

Esta peça está exposta porque:”Nesta poltrona repousou o Chefe do Governo, Professor Marcello Caetano, durante parte das 14 horas em que se recolheu no interior do Quartel do Carmo de Lisboa, no dia 25 de Abril de 1974″.

As novas tecnologias deliciam muitos dos visitantes que "se colocam" numa das fotos do 25 de Abril de 1974 e depois podem ficar com ela via redes sociais. [19]

As novas tecnologias deliciam muitos dos visitantes que “se colocam” numa das fotos do 25 de Abril de 1974 e depois podem ficar com ela via redes sociais.

Junto ao gabinete do Comandante-Geral que pode ser visto parcialmente, está um salão onde se ouvem gravações alusivas ao 25ABR74 e outra sala, na foto, onde fotos e legendas mostram os principais eventos dessa data com intervenção da GNR. [20]

Junto ao gabinete do Comandante-Geral que pode ser visto parcialmente, está um salão onde se ouvem gravações audio alusivas ao 25ABR74 e outra sala, na foto, onde fotos e legendas mostram os principais eventos dessa data com intervenção da GNR.

Ainda neste piso superior uma vista panorâmica da exposição exterior. [21]

Ainda neste piso superior uma vista panorâmica da exposição exterior.

No exterior é possível apreciar uma belo conjunto de motociclos que serviram na Guarda e bem assim como algumas das viaturas mais emblemáticas que a instituição foi mantendo, recuperando e hoje se encontram ali disponíveis para visita. Do “Porche 356B” recebido da antiga Policia de Viação e Transito (é esta aliás a única referência a esta policia que viria ser extinta em 1970 e viria dar origem à Brigada de Trânsito), ao “Mini Moke” da também extinta Guarda Fiscal (esta com destaque na exposição), entre várias outras viaturas como um blindado “Shorland” [22] e um “Iveco”. Curiosa ainda a inserção de uma peça de artilharia “Schneider Canet” modelo 1904 de 75mm, não havendo qualquer referência ao seu uso pela Guarda. O Exército português usou-a na Grande Guerra em França e em Portugal até aos anos 40.

A colecção de motociclos é muito completa. [23]

A colecção de motociclos é muito completa.

O "Mini Moke" que ainda teve algum sucesso em Portugal foi utilizado pela Guarda Fiscal (1967) e é uma das novidades da exposição. [24]

O “Mini Moke” que ainda teve algum sucesso em Portugal no mercado civil foi utilizado pela Guarda Fiscal (1967) e é uma das novidades da exposição.

A componente actual da GNR, como este militar do GIPS (junto a material desta unidade aqui a "segurar" o arco do claustro), está relativamente ausente da exposição. [25]

A componente actual da GNR (como este militar do GIPS junto a material desta unidade aqui a “segurar” o arco do claustro), está relativamente ausente da exposição.

Recordação de um tempo em que a GNR dispôs de artilharia? [26]

Recordação de um tempo em que a GNR dispôs de artilharia?

No Largo do Carmo as várias actividades propostas pela GNR, nomeadamente com uso de cavalos, têm grande aceitação do público, sobretudo turistas segundo nos pareceu, havendo da parte dos militares da Guarda uma postura sem dúvida adequada a este tipo de acções.

Trata-se assim de uma exposição a visitar, até 11 de Maio, aberta todos os dias das 10H00 às 18H00 e com entrada livre.

Os vistosos uniformes da cavalaria da GNR fazem as delicias de muitos turistas que não deixam de os fotografar... [27]

Os vistosos uniformes da cavalaria da GNR fazem as delicias de muitos turistas que não deixam de os fotografar…

...e os militares da Guarda alia destacados não se fazem rogados e assumem o seu papel de relações públicas! [28]

…e os militares da Guarda alia destacados não se fazem rogados e assumem o seu papel de relações públicas!

A Guarda persegue paulatinamente e parece-nos com sucesso, o afastamento do rótulo que durante muitos anos carregou de apoiante do Estado Novo, agora para peça-chave no regresso à democracia. O folheto distribuído na exposição é exemplar quanto a isto não só pelo que está escrito sobre estes períodos históricos, como até pelas imagens (2 em 5 são sobre o 25 de Abril). Na realidade depois de um período nos finais dos anos 80 e 90 em que a GNR, pelo rejuvenescimento e profissionalismo dos seus militares – quadros e praças – melhorou a sua imagem junto da opinião pública, nos últimos anos, não só nas obras publicadas como também em ocasiões como esta, é o olhar institucional sobre a sua história que se adapta aos novos tempos.

Veja aqui no Operacional a reportagem fotográfica sobre a exposição alusiva aos 100 anos da GNR:

EXPOSIÇÃO, 100 ANOS GNR [2]