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EM PARIS NO MUSEU DO AR E DO ESPAÇO (II)

Depois de termos percorrido as áreas dedicadas à 2ª Guerra Mundial, início e desenvolvimento da aviação a jacto, visitado os Concorde, helicópteros e uma série de aviões contemporâneos que estão ao ar livre, vamos hoje terminar a visita a Le Bourget: aviação no período entre-guerras, a conquista do Espaço, primeiros passos da aeronáutica e  o 1º conflito mundial.

Aquilo que foram os mais importantes vectores da capacidade de dissuação da França estão bem representados em Le Bourget. Aqui um missil SSBS S3 e, ao fundo, o seu posto de conduta de tiro idêntico ao existente no planalto de Albion. [1]

Aquilo que foram os mais importantes vectores da capacidade de dissuasão da França estão bem representados em Le Bourget. Aqui um míssil SSBS S3 e, ao fundo, em baixo, o seu posto de conduta de tiro idêntico ao existente no planalto de Albion.

No período que se seguiu à 1ª Guerra Mundial assistiu-se a um grande desenvolvimento da aviação civil e um sector do museu reflecte exactamente isso. Foram os já chamados, também entre nós, “tempos heróicos” da aviação. Das grandes viagens intercontinentais, das corridas, dos recordes e do aperfeiçoamento das máquinas voadoras, muitas das vezes com custos humanos bastante relevantes.
Este “hall” é sem surpresa designado “Saint-Exupéry” (piloto, artista, pioneiro do correio aéreo e militar) um dos aviadores franceses que marcou a época e ficou para todo o sempre como símbolo de um certo modo de estar na vida, não só pelo que realmente fez como pelo que escreveu. Morreu voando em combate na 2ª Guerra Mundial.
Dos muitos aviões que esta enorme sala apresenta, em vários níveis verticais, destacamos: o Bernard 191″Oiseau Canari” que em 1929 cumpriu a primeira travessia do Atlântico Norte pilotado por franceses; da mesma altura o Breguet XIX Superbidon “Point d’Interrogation” especialmente concebido para bater recordes de “longo curso” e que fez em 1930 o primeiro voo sem escala Paris a Nova-Iorque; o Potez 53 de 1933 construído para uma prova de velocidade, percorreu 2.000 Km em 6 horas, 11 minutos e 45 segundos, uma média de 322,800Km/h; o O Caudron C-635 Simoun, de 1934, rapidíssimo (350Km/h) que foi muito utilizado para transportar correio; o De Havilland «Dragon Rapide» DH-89A de 1934 (que Portugal bem conhece) que no último patamar deste “hall” está a lançar um pára-quedista; vários planadores e muitas outras glórias desta época de ouro da aviação. Mas também motores e outros acessórios e equipamentos da época preenchem o espaço. Não faltam (aliás em todo o museu!) painéis com partes de álbuns de BD com histórias de aviação e um sistema de simulação “tipo jogo PC” para os mais novos testarem a sua habilidade.

Ainda aqui uma homenagem ao moderno ultra leve francês “Sky Ranger” concebido em 1983 e que já vendeu mais de 15.000 unidades detendo alguns recordes na sua área. Em Le Bourget dá-se destaque ao piloto Thierry Barbier que com ele está a cumprir um programa de viagens em todos os continentes tendo já feito muitos voos na Europa e em África.

Uma firma bem conhecida patrocina a exposição dedicada a Saint Exupery. [2]

Uma firma bem conhecida patrocina a exposição dedicada a Saint-Exupéry.

Uma das salas da exposição onde se encontram destroços do avião de Saint Exupery, um modelo do mesmo e objectos pessoais. [3]

Uma das salas da exposição dedicada ao célebre aviador onde se encontram destroços do P-38 Lightning em que voava ao ser abatido em 1944 (só descobertos entre 1998 e 2004, ao largo de Marselha), uma miniatura do avião e objectos pessoais.

Os vários niveis verticais de exposição permitem uma boa visibilidade aos visitantes e uma maior área útil de exposição [4]

Os vários níveis verticais de exposição permitem uma boa visibilidade aos visitantes e uma maior área útil de exposição. O Bernard 191 "Oiseau Canari" e em frente (biplano encarnado) o Breguet Super Bidon "Point d'Interrogation".

Memso fora do perído de aulas, muitas escolas visitam o museu e (pelo menos neste dia) os professores explicam aos alunos o que estão a ver. À direita um  Croses-Flicot "Mini-Criquet" com motor Volkswagen de 40 cv. [5]

Mesmo fora do período de aulas, muitas escolas visitam o museu e (pelo menos neste dia) os professores explicam aos alunos o que estão a ver. À direita um Croses-Flicot "Mini-Criquet" com motor Volkswagen de 40 cv.

Um dos aviões que cumpria missões de transporte de correio nos anos 20 e 30 do século XX, aqui numa versão "inacabado" para se ver como era construído. [6]

Um Potez 25 (várias versões de uso militar e civil), aqui da "Aeropostale", onde cumpria missões de transporte de correio nos anos 20 e 30 do século XX. Portugal usou versões militares deste aparelho. Este está "inacabado" e permite ver como era construído.

O Caudron C.635 "Simoun", utilizado para transporte rápido de passageiros e correio, na Europa, Ásia e América do Sul com as cores da companhia "Air Bleu". [7]

O Caudron C.635 "Simoun", utilizado para transporte rápido de passageiros e correio, na Europa, Ásia e América do Sul com as cores da companhia "Air Bleu".

O De Havilland "Dragon Rapide" DH 89A quer foi utilizado em muitos países do mundo nos anos 30 do século XX e serviu em Portugal até 1968. Em França foi muito utilizado no lançamento de pára-quedistas o que justifica esta sua apresentação. [8]

O De Havilland "Dragon Rapide" DH 89A quer foi utilizado em muitos países do mundo nos anos 30 do século XX e serviu em Portugal até 1968. Em França foi muito utilizado no lançamento de pára-quedistas o que justifica esta sua apresentação.

Talvez para ilustrar que a aventura de voar ainda acontece no dias de hoje, o "Sky Train" e as viagens de ...estão presentes. [9]

Talvez para ilustrar que a aventura de voar ainda acontece no dias de hoje, o "Sky Ranger" e as viagens de Thierry Barbier estão presentes.

De seguida saltamos no tempo e vamos até outra “época heróica”, a conquista do espaço. Aqui encontramos mais uma enorme panóplia de foguetes, foguetões, mísseis, satélites, e de tudo um pouco que tenha a ver com a utilização militar e civil do espaço. Os franceses mantêm muito orgulho na sua capacidade nuclear, nos mísseis balísticos, mostram-no ao mundo e ensinam-no aos jovens. Mas aqui não é esquecida, pelo contrário, a utilização civil do espaço e a sua utilização na melhoria das condições de vida na Terra.
Da V-2 alemã, que tem um motor exposto, aos mísseis balísticos portadores de ogivas nucleares SSB3 S, passando pela cápsula soviética (Soyouz T6) utilizada no primeiro voo espacial franco-soviético em 1982, e a muitos satélites das mais diferentes épocas e finalidades, há aqui um pouco de tudo, incluindo vários equipamentos (viaturas, fatos, etc.) soviéticos e americanos.

Incontornável o contributo da engenharia alemã para a generalidade dos programas de misseis de vários países. Motor V-2, um dos que equipavam as cerca de 250 "bombas voadoras" deste tipo que EUA, URSS e França partilharam após a derrota alemã em 1945. [10]

Incontornável o contributo da engenharia alemã para a generalidade dos programas de misseis de vários países. Motor V-2, um dos que equipavam as cerca de 250 "bombas voadoras" deste tipo que EUA, URSS e França partilharam após a derrota alemã em 1945.

Silo de um SSBS S3 (ao centro) e va´rios outrso foguetes e misseis de fabrico francês. Esta ala domuseu apresenta aínda uma quantidade enorme dos mais diversos tipos de satélites militares e civis. [11]

Silo de um SSBS S3 (ao centro) e vários outros foguetes e misseis de fabrico francês. O museu apresenta uma quantidade enorme dos mais diversos tipos de satélites militares e civis.

Módulo Soyouz T6 (URSS) que foi utlizada por 2 astronautas russos e um francês em 1982. [12]

Módulo Soyouz T6 (URSS) que foi utilizada por 2 astronautas russos e um francês em 1982.

Veículos e fatos espaciais de origem soviética e americana, bem assim como muitos objectos usados nestas viagens, são apresentados neste espaço.

Veículos e fatos espaciais de origem soviética e americana, bem assim como muitos objectos usados nestas viagens, são apresentados neste espaço. A viatura é um Lunokhod 1de 1970

A Banda Desenhada está muito presente no museu. Aqui esboços finais (e posterior publicação) de um livro [13]

A Banda Desenhada está muito presente no museu. Aqui esboços finais (e posterior publicação) do álbum "Prisioniers des Serbes" (Tanguy & Laverdure).

Voltamos a dar outro salto no tempo e dirigimo-nos para a nave central da antiga aerogare civil do aeroporto de Le Bourget, onde se encontra a exposição dedicada aviação na 1ª Guerra Mundial e também um espaço sobre o nascimento da aviação. Antes, note-se, aproveitamos para almoçar no “L’Helice” que tem área de restaurante propriamente dito – serviço à lista – espaço para comidas mais ligeiras adquiridas no local. Depois de recuperar forças, passagem pela loja do museu com um sem número de artigos disponíveis para venda e, então, fomos ao inicio da aviação com os aparelhos dos irmãos Voisin.
Esta enorme ala do museu, vários níveis em altura, com passadeiras para os visitantes poderem ver as aeronaves “em voo” bem de perto, é mais um mundo, com dezenas de aviões de várias nacionalidades, muitos manequins devidamente fardados e equipados, viaturas, armamento, e toda uma panóplia de acessórios ligados “ao ar”. É ainda neste sector que os amantes dos modelos podem ver milhares de miniaturas de aviões de todos os tipos e nacionalidades. E os “ases” da aviação, pilotos que marcaram este conflito nos ares.
Dos aparelhos do inicio da aviação aos dirigíveis, passando por balões cativos, aviões “artilheiros” (autênticos AC-130 “gunship” da 1ª Guerra!) e dezenas de biplanos (e triplanos) deste primeiro conflito, aqui podemos ter uma noção do que foi a aviação nos primeiros anos de vida, do desenvolvimento que conheceu e dos protagonistas, na paz e na guerra, desta actividade que marcou como poucas outras o século XX.

Onde antes passavam passageiros, agora passa a história da aviação francesa. O Farman 192 que em 1930 esteve 35 horas e 45 minutos no ar, com Léna Bernestein aos comandos, batendo o recorde de voo solitário de Lindberg (33 horas e 3 minutos). [14]

Onde antes passavam passageiros, agora passa a história da aviação francesa. O Farman 192 que em 1930 esteve 35 horas e 45 minutos no ar, com Léna Bernestein aos comandos, batendo o recorde de voo solitário de Lindberg (33 horas e 3 minutos).

A oficina de aviões dos irmão Voisan, hoje "utilizada" por jovens visitantes. Em cima um "Voisan-Farman" [15]

A oficina de aviões dos irmão Voisin, hoje "utilizada" por jovens visitantes. Em cima um "Voisin-Farman"do inicio do século XX

Um Maurice Farman MF 7 utilizado antes e durante a 1ª Guerra Mundial. [16]

Um Maurice Farman MF 7 utilizado antes e durante a 1ª Guerra Mundial.

O dirigivel de fabrico alemão Zeppelin LZ 113, usado na 1ª Guerra Mundial a partir de 1917, e entregue a França em 1920 como compensação de guerra. [17]

O dirigível de fabrico alemão Zeppelin LZ 113, usado na 1ª Guerra Mundial a partir de 1917, e entregue a França em 1920 como compensação de guerra.

Aspecto parcial desta ala do museu. Em primairo plano, no solo, um Breguet BR XIV A2, em 1917. [18]

Aspecto parcial desta ala do museu. Em primeiro plano, no solo, um Breguet BR XIV A2, em 1917.

Muitos dos aparelhos, aviões ou outros, são apresentados num "ambiente" adequado. Aqui um balão de observação é rebocado para ser colocado em posição. [19]

Muitos dos aparelhos, aviões ou outros, são apresentados num "ambiente" adequado. Aqui um balão de observação é rebocado para ser colocado em posição.

Notável o poder de fogo deste avião em 1917! [20]

Notável o poder de fogo deste Voisin 10 CA2 em 1918. Podia transportar 300 kg de bombas, uma metralhadora pesada e um canhão de tiro rápido de 37mm.

bilhete

Veja aqui a primeira parte deste artigo:  EM PARIS NO MUSEU DO AR E DO ESPAÇO (I) [21]