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EM NOME DA PÁTRIA

Trata-se de uma obra que merece ser lida por todos os que se interessam pela história das últimas campanhas que as Forças Armadas Portuguesas travaram na Índia e em África. Mas não só! Para chegar ao século XX e ao objecto principal da tese que defende, João Brandão Ferreira faz um percurso, claramente fundamentado, que se inicia com o começo da expansão ultramarina portuguesa. Neste caminho aborda muitos factos que habitualmente estão esquecidos na historiografia publicada nas últimas décadas.

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O índice da obra ilustra naturalmente o seu conteúdo, por isso transcrevemos os seus pontos principais:

– Enquadramento Geopolítico e Geoestratégico de Portugal no Fim da Segunda Guerra Mundial;

– Situação Interna Portuguesa;

– A Ofensiva (da subversão na Índia e em África);

As Acções Defensivas e a Evolução da Guerra;

Da Justiça e do Direito da Guerra;

A Colonização Portuguesa;

A Guerra era Sustentável?

Porque Desistimos da Guerra?

Conclusões.

As 580 páginas do livro (e mais um bem escolhido caderno fotográfico que o integra), mais do que revelações inéditas – embora tenha várias fruto de entrevistas nunca ou pouco conhecidas que o autor fez ao longo dos anos – apresentam a interpretação de Brandão Ferreira sobre muitos aspectos da nossa história, culminando e analisando o que se passou na Índia e em África nas décadas de 50, 60 e 70 do século XX.

O autor apresenta sem dúvida uma alternativa à história que é ensinada hoje nos bancos da escola. Em termos políticos defende claramente, naquele tempo e naquelas circunstâncias, as acções do Dr. Oliveira Salazar, condena muitas do Dr. Marcelo Caetano e arrasa as saídas do 25 de Abril de 1974. Defende intransigentemente as Forças Armadas e embora lhes reconheça por vezes algumas limitações e erros, dá delas uma visão – optimista – de grande competência, eficiência e eficácia.

O livro insere ainda no seu final entrevistas que o autor fez a personalidades “com nome feito em diversos campos profissionais da vida portuguesa“, onde procura no fundo opinião sobre a visão que ele próprio apresentou no livro, questionando:

Os então territórios ultramarinos portugueses, definidos constitucionalmente como «Províncias» e «Estados» eram nossos?

A guerra defensiva que Portugal desenvolveu era justa?

A guerra era sustentável?

Porque desistimos da guerra?

Responderam: General Brochado Miranda; Vice-Almirante Ferraz Sachetti; Embaixador Leonardo Matias; General Loureiro dos Santos; Major-General Martins Rodrigues; Inspector Óscar Cardoso; Vice-Almirante Reis Rodrigues; Tenente-General Silvino Silvério Marques; Professor Doutor Soares Martinez.

Nem todos concordam com as opiniões de Brandão Ferreira, ou pelo menos parte delas, o que demonstra bem, no nosso entender, um dos objectivos do autor: contribuir para um debate sério, fundamentado, sobre o assunto do livro e que o sub-título ilustra de modo claro – Portugal, o ultramar e a guerra justa.

Brandão Ferreira acha que em 1974 Portugal devia ter continuado a combater como sempre o fez na sua história. Devia tentar manter, na medida em que lhe fosse possível, a sua integridade territorial , bens e população. Apresenta argumentos e interpreta factos sustentando ter havido capacidade para o fazer. Refere-se à falta de vontade de sectores militares e políticos em continuar a guerra.

Adriano Moreira que apresentou a obra perante centenas de pessoas que se deslocaram à Academia Militar, em Lisboa, no dia 28 de Outubro de 2009, escreveu no Prefácio:

“A critica severa à contabilidade do passivo que a sua geração (a do autor) herdou, tem o mérito inegável de exigir o reconhecimento dos erros de percepção e de decisão passados, certamente por adesão ao principio  de que apenas a verdade é conciliadora”.

O autor, José João Brandão Ferreira, 56 anos,tenente-coronel piloto-aviador na situação de reforma, comandante de linha aérea e mestre em Estratégia, é conhecido de todos o que se interessam pela coisa militar em Portugal. É autor de vários livros, tem centenas de artigos escritos quer na imprensa militar quer, cada vez mais, na imprensa generalista e também já colaborou com o “Operacional” [2].

“Em Nome da Pátria” é uma edição de Outubro de 2009 das Publicações D. Quixote (grupo LeYa), custa cerca de 16,00€, e tem o ISBN: 978-972-20-3335-0.