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DISTINTIVO DE QUALIFICAÇÃO «SALTADOR OPERACIONAL DE GRANDE ALTITUDE – (SOGA)»

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Na sequência do publicado sobre o distintivo de qualificação «INSTRUTOR DE QUEDA-LIVRE OPERACIONAL» apresentamos, neste breve apontamento, alguns dados sobre o distintivo de qualificação «SALTADOR OPERACIONAL DE GRANDE ALTITUDE – (SOGA)», oficialmente aprovado pelo Despacho Nº166/CEME/11.

Esta qualificação aeroterrestre (SOGA), considerada a “elite da elite” no seio das Tropas Paraquedistas, obriga o militar-candidato a percorrer um longo e exigente caminho técnico(*) no seio desta área especializadíssima, não podendo voluntariar-se para a frequência deste curso, sem antes ter passado pelo crivo dos seguintes cursos aeroterrestres:

–  PARAQUEDISMO MILITAR;

– OPERAÇÕES AEROTERRESTRES;

– INSTRUTOR DE PARAQUEDISMO;

– PRECURSOR AEROTERRESTRE.

Apto no Curso de PRECURSOR AEROTERRESTRE, o militar pode, finalmente, candidatar-se à frequência do Curso «SOGA» (QUEDA-LIVRE OPERACIONAL) e conquistar, se obtiver aproveitamento e ficar apto, o direito de ostentar nos seus uniformes o respetivo distintivo de qualificação(1) que se apresenta aos nossos leitores.

Versão metálico do distintivo de qualificação «SOGA». (Col. Sucena do Carmo= [1]

Versão metálica do distintivo de qualificação «SOGA». (Col. Sucena do Carmo)

SIMBOLOGIA HERÁLDICA DO DISTINTIVO DE QUALIFICAÇÃO «SALTADOR OPERACIONAL DE GRANDE ALTITUDE – (SOGA)»

Descrição:

– uma calote tipo “ASA” de um paraquedas de abertura manual, aberta; ao centro, entre os cordões de suspensão uma espada antiga em pala com meio voo, ambos à sinistra; sobreposto na espada, um capacete com máscara de oxigénio, tudo de prata.

Simbologia e alusão das peças:

– A CALOTE tipo “ASA” de um paraquedas, aberta, é o símbolo falante das Tropas Paraquedistas e identifica o domínio da técnica do salto em “Queda-Livre”;

– A ESPADA antiga simboliza o carater de forças de incursão e o seu elevado estado de prontidão operacional;

– O CAPACETE com MÁSCARA DE OXIGÉNIO faz alusão ao operador “SOGA” e à capacidade de atuação em pequenos grupos, infiltrados por aeronaves de longo alcance, através de saltos realizados a altitudes fisiológicas e não fisiológicas;

– O MEIO-VOO representa a mobilidade estratégica das forças aeroterrestres.

Os esmaltes significam:

– A PRATA, humildade e integridade.


Embarque de Saltadores Operacionais a Grande Altitude (SOGA) numa aeronave HÉRCULES C-130. [2]
Embarque de Saltadores Operacionais de Grande Altitude (SOGA), das Tropas Paraquedistas, numa aeronave HÉRCULES C-130.

ALGUMAS REGRAS DE ATRIBUIÇÃO DO DISTINTIVO DE QUALIFICAÇÃO DO CURSO  « SALTADOR OPERACIONAL DE GRANDE ALTITUDE – SOGA / (QUEDA-LIVRE OPERACIONAL)»

Pré-requisitos e objetivos:

– O candidato antes de iniciar a frequência do Curso «SOGA», já deve estar habilitado com o Curso de Precursor Paraquedista.

Após a conclusão, o curso qualifica o candidato na execução de infiltrações a muito grande altitude através de:

– Execução de saltos, com emprego de equipamentos de oxigénio, equipamento individual de combate, paraquedas tipo “asa”, seguindo ou não cargas de acompanhamento, integrado num grupo;

– Execução de saltos a muito grande altitude de perfil “HAHO” e “HALO”.


ALGUNS DADOS TÉCNICOS DO DISTINTIVO DE QUALIFICAÇÃO «SOGA»:

Cores:

– totalmente em prata velha e/ou fosca;

Dimensões:

– altura – 5,5 cm X largura – 3,7 cm

– diâmetro da máscara de oxigénio: 1,6 cm

Desenho gráfico do distintivo de qualificação «SOGA» com as dimensões oficiais. (Foto de Sucena do Carmo) [3]

Desenho gráfico do distintivo de qualificação «SOGA» com as dimensões oficiais. (Foto de Sucena do Carmo)


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Versão em metal: o distintivo deve ser produzido a partir de uma liga de cobre (latão ou bronze) com acabamento por “banho de prata velha oxidada” com reverso-liso, e o “cunho” deve ser executado a partir de uma escultura(2) para permitir realçar os baixos e altos relevos que compõem todos os elementos heráldicos da peça; é fixado nos uniformes com dois fechos tipo “prego” (do tipo norte-americano), dispostos longitudinalmente no reverso para contrariar o seu desalinho nos uniformes. A estampagem em reverso-liso permitirá a gravação (facultativa) do número do distintivo.

Versão em pano / baixa visibilidade (para uso nos uniformes operacionais): o distintivo pode ser produzido a negro, bordado, sob fundo verde oliva e/ou camuflado ou em material vulcanizado nas mesmas cores, confecionado em cloreto de polivinil (PVC) pelo processo de modelagem a quente sobre um retângulo imitando tecido de padronagem camuflada ou verde oliva e/ou ainda em metal de cor totalmente escura (preta) sem brilho.

Para finalizar e como curiosidade não menos importante para os militares e colecionadores, é de realçar que a ordem evolutiva nos distintivos de qualificação aeroterrestre é propositada e regulada, permitindo, somente, que o militar habilitado nesta área use o distintivo de maior grau técnico, impedindo assim a exibição nos uniformes regulamentares de distintivos da mesma área, mas de menor grau técnico, simultaneamente.


Formação de um grupo «SOGA» em direção ao objetivo. [4]

Formação de um grupo «SOGA» em direção ao objetivo.

NOTAS:

(*) Este percurso aeroterrestre aqui referenciado não foi exigido na totalidade aos militares do CTOE/Exército e DAE/Marinha para a frequência do Curso SOGA. Igualmente não foram exigidas as provas físicas preliminares.

(1) A autoria dos esboços e desenhos dos distintivos aeroterrestres devem-se aos seguintes militares: SAJ/PARAQ PEDRO MATOS (desenhos/concepção/composição); 1SAR/PARAQ PADILHA FERNANDES (desenho/Corel Draw); outros instrutores da QLA (Queda-Livre Assistida) também deram o seu contributo em alguns pormenores e no seu aperfeiçoamento. Os textos heráldicos foram elaborados pelo SCH/PARAQ ANTÓNIO E. S. CARMO.

(2) Com este tipo de fabrico, dificulta-se o processo de falsificação dos distintivos e o seu consequente “sucateamento”, levado a efeito por intermediários/comerciantes, cujo único objetivo é o lucro puro, ignorando a qualidade e beleza heráldica dos distintivos das Forças Armadas.

SUPORTE DOCUMENTAL

– CARMO, António E.S., «DISTINTIVOS E INSÍGNIAS DAS TROPAS PÁRA-QUEDISTAS PORTUGUESAS», Edição do Autor (em preparação);

– Despacho Nº166/CEME/11;

– Arquivo particular de Miguel Silva Machado & António E. S. Carmo;

– Testemunhos orais recolhidos pelo autor junto de militares da Companhia de Precursores da Escola de Tropas Pára-quedistas.