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DISTINTIVO DE IDENTIFICAÇÃO DE UNIDADE – GRUPO OPERACIONAL DE APOIO E SERVIÇOS (GOAS)

INTRODUÇÃO

A história temporal do GRUPO OPERACIONAL DE APOIO E SERVIÇOS (GOAS), abrange onze anos de profícua atividade operacional (1983-1994). Contudo, a sua génese tem início em 1978, após a criação do CORPO DE TROPAS PARAQUEDISTAS (CTP) no seio da Força Aérea Portuguesa (FAP).

Neste breve apontamento, vamos fazer sobressair algumas curiosidades heráldicas do seu “distintivo de identificação de unidade”, vulgarmente conhecido como “crachá”(1), assim como algumas curiosidades da sua história oficial.

BREVE EPÍTOME HISTÓRICO

Fazendo uso de algum rigor histórico e operacional, podemos indicar as localidades de Macedo de Cavaleiros / Santo Ambrósio (1979) e Castro Verde (1980), como os “berços” do nascimento da atividade operacional do GOAS ao serviço do CTP.

Em 21 de Abril de 1981 é criado de facto o GOAS, com o seu Comando sedeado provisoriamente em Lisboa; a sua prontidão operacional, como operador logístico da Brigada de Paraquedistas Ligeira (BRIPARAS), é testada nos grandes exercícios anuais da série “JÚPITER”: Mértola (em 1981) e Sines (em 1982) foram teatros de operações onde o GOAS provou a sua real capacidade no apoio ao combate das unidades paraquedistas.

1993/BOTP-2 (S.JACINTO): a área demarcada na foto a vermelho, identifica as infraestruturas afetas ao GRUPO OPERACIONAL DE APOIO E SERVIÇOS. [1]

1993/BOTP-2 (S.JACINTO): a área demarcada a vermelho, identifica as infraestruturas ocupadas pelo GRUPO OPERACIONAL DE APOIO E SERVIÇOS.

Em 24 de Maio de 1983, por força da Portaria Nº 600 (produzindo efeitos a partir de 29 de Outubro de 1982), o GOAS é legalizado com sede em Aveiro (São Jacinto), na área territorial afeta à BASE OPERACIONAL DE TROPAS PARAQUEDISTAS Nº2 (BOTP-2) e AERÓDROMO DE MANOBRA Nº2 (AM-2), compreendendo a seguinte estrutura orgânica:

– Comando;

– Companhia de Comando;

– Pelotão de Comunicações;

– Pelotão de Administração;

– Pelotão de Abastecimento e Transportes;

– Pelotão de Manutenção;

– Pelotão de Saúde.

Recebe a missão de «…garantir o apoio ao combate da BRIPARAS nas áreas de Pessoal, Administração, Abastecimento, Manutenção, Transportes, Sanitário e outras funções de Serviço de Campanha. Garante o Apoio ao Combate das Unidades atribuídas e em reforço

1991: viatura do GOAS preparando-se para um desfile-treino dedicado ao Dia da Força Aérea. [2]

1991: viatura do GOAS preparando-se para um desfile-treino dedicado ao Dia da Força Aérea.

Viaturas especiais do GOAS empenhadas no Exercício com o nome de código «JÚPITER-91». [3]

Viaturas especiais do GOAS empenhadas no Exercício com o nome de código «JÚPITER-91».

1992 (Ex. JÚPITER): a "refeição quente" fornecida aos elementos de manobra da BRIPARAS era um momento muito apreciado. [4]

1992 (Ex. JÚPITER): a "refeição quente" fornecida aos elementos de manobra da BRIPARAS era um momento muito apreciado.

Após a sua implantação em infraestruturas construídas de raiz, em 1984, o GOAS comemora o seu primeiro “Dia da Unidade” com grande garbo.

Em 3 de Setembro de 1985 recebe o seu GUIÃO, depois de oficialmente aprovado pela Heráldica da Força Aérea Portuguesa.

Neste entretanto, o GOAS continua o seu aperfeiçoamento operacional, testando as suas capacidades nos exercícios anuais da série “JÚPITER”: PORTALEGRE – ARRONCHES (1983); MOGADOURO – BRAGANÇA (1984); MONFORTINHO (1985); EXERCÍCIO VOUGA (1986) na região de Mira; ALTER DO CHÃO (1987); IDANHA-A-NOVA (1988); SERPA (1989); VILAR TORPIM (1990); CHANÇA (1991); SILVEIRA (1992); MONFORTINHO (1993 – o último exercício desta série tutelado pela FAP); ALJUSTREL – CASTRO VERDE / Exercício JÚPITER/APOLO 94 – já com as Tropas Paraquedistas tuteladas pelo Exército).

Com a famigerada transferência de tutela das TROPAS PARAQUEDISTAS para o Exército, fruto de uma “decisão política” anunciada em Bruxelas pelo Ministro da Defesa, Dr. Fernando Nogueira, o GOAS é extinto, e os seus efetivos e meios são transferidos para o Batalhão de Apoio e Serviços (BAS) do Comando das Tropas Aerotransportadas / Brigada Aerotransportada Independente (CTAT/BAI), sedeado nas antigas infraestruturas da Base Aérea Nº3 (Tancos).

Exercício anual da série «JÚPITER": briefing do Comandante do GOAS ao MDN, Dr. Fernando Nogueira. As políticas indigentes e medíocres deste político ficaram na história militar portuguesa como das mais nefastas para as unidades de tropas paraquedistas e tropas comandos. [5]

Exercício anual «JÚPITER»: exposição tática/operacional do Comandante do GOAS ao MDN, Dr. Fernando Nogueira, um dos políticos que mais decisões controversas e nefastas para a Defesa Nacional tomou, nomeadamente os célebres "4 meses de tropa", a extinção dos Comandos e a transferência dos Paraquedistas da Força Aérea para o Exército. Não deixou saudades..

Desde os primórdios da sua criação até à sua extinção em 1994, o GOAS teve como Comandantes os seguintes oficiais paraquedistas:

– Tenente-Coronel Paraquedista CARLOS FERREIRA MORAIS;

– Tenente-Coronel Paraquedista JOSÉ MANUEL TERRAS MARQUES;

– Tenente-Coronel Paraquedista ARMANDO DE ALMEIDA MARTINS;

– Tenente-Coronel Paraquedista ANTÓNIO M. OLIVEIRA FIGUEIREDO;

– Tenente-Coronel Paraquedista ANSELMO NUNES ROQUE;

– Tenente-Coronel Paraquedista EDUARDO MANUEL LIMA PINTO.

Armas do GOAS: a tradicional representação do paraquedas usada pela heráldica da Força Aérea, é identificada na heráldica do Exército por "círculo canelado". (Col. do autor) [6]

Armas do GOAS: a tradicional representação do paraquedas usada desde sempre pela heráldica da Força Aérea, é identificada na heráldica do Exército por "círculo canelado". (Col. do autor)

SIMBOLOGIA DO BRASÃO DE ARMAS DO GRUPO OPERACIONAL DE APOIO E SERVIÇOS (GOAS)


DESCRIÇÃO HERÁLDICA:

Escudo – De Azul, uma calote de prata tendo no centro um Elefante preto de perfil e andante.

Divisa – “ADSUM”.

Coronel Aeronáutico – Representativo da Força Aérea.

SIMBOLOGIA:

O Azul – Simboliza a lealdade e representa o ar.

A Prata – Simboliza a humildade posta no cumprimento da missão.

A Calote – É o símbolo das Tropas Paraquedistas.

O Elefante – É um animal que revela a mais perfeita inteligência em todos os seus movimentos, mostrando saber conscientemente os meios a por em prática para alcançar determinado fim.

É de preto pela força que representa.

Coronel Aeronáutico – É privativo da Força Aérea e carateriza todos os seus Comandos e Unidades.

“ADSUM” – É uma palavra latina que se usa para responder às chamadas e significa “ESTOU PRESENTE“:

GOAS: versão metálica do "distintivo de identificação de unidade". (Col. do autor) [7]

GOAS: versão metálica do "distintivo de identificação de unidade". (Col. do autor)

GOAS: versão do "distintivo de identificação de unidade" para uso no uniforme nº3 - verde e camuflado. (Col. do autor) [8]

GOAS: versão do "distintivo de identificação de unidade" para uso no uniforme nº3 - verde e camuflado. (Col. do autor)

Alguns dados técnicos do distintivo:

Cores:

– De metal, esmaltados;

Dimensões: (2)

– altura – 5,1 cm X largura – 4,5 cm

Versão metálica:

– a peça em metal, esmaltada, era fixada nos uniformes suspensa do botão do bolso superior direito do casaco e blusão do uniforme nº1, do blusão do uniforme nº2 e, ainda das camisas azuis de manga comprida e meia-manga.

Versão em pano / baixa visibilidade (uniforme de campanha /camuflado):

– o distintivo foi produzido a negro, gravado em tecido plastificado sob fundo verde. Amovível, usava-se no bolso superior direito dos casacos dos uniformes nº3 – azul, nº3 – verde e de campanha (camuflado), ficando o rebordo superior coincidente com a base da portinhola do bolso.

Militares paraquedistas em serviço no GOAS. Note-se o uso do distintivo de "identificação de unidade" suspenso no bolso direito. [9]

Militares paraquedistas em serviço no GOAS. Note-se o uso do distintivo de "identificação de unidade" suspenso no bolso direito.

Localização/uso do distintivo de identificação de unidade:

– de acordo com o RUFA, o distintivo era usado suspenso do botão do bolso superior direito do casaco e blusão do uniforme nº1, do blusão do uniforme nº2 e, ainda das camisas azuis de manga comprida e de meia-manga, por suspensão de carneira de cor preta.

NOTAS

(1) Apesar deste galicismo ser bastante usado no meio militar (a tradução literal daria escarro), é importante referir que o mesmo é inadequado.

(2) Estas medidas só foram introduzidas no RUFA suportado pela Portaria Nº922/91 de 4 de Setembro. No período anterior a 1991, os distintivos “de identificação de unidade” em uso nas Tropas Paraquedistas/Força Aérea detinham as seguintes medidas: altura – 4,7 cm X largura – 3,9 cm.


SUPORTE DOCUMENTAL

– PORTARIA Nº508/76 de 12 de Agosto

– PORTARIA Nº1012-J/82 de 29 de Outubro

– PORTARIA Nº 600/83 de 24 de Maio

– PORTARIA Nº 922/91 de 4 de Setembro

–  MACHADO Miguel e António Carmo, TROPAS PÁRA-QUEDISTAS – A HISTÓRIA DOS BOINAS VERDES PORTUGUESES 1955-2003, Editora Prefácio, 2003, Lisboa, ISBN 972-8563-97-3

– CARMO, António E. S., «DISTINTIVOS E INSÍGNIAS DAS TROPAS PARAQUEDISTAS PORTUGUESAS», Edição do autor (em preparação)

– Arquivo privado de Miguel Silva Machado & António E. S. Carmo