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BÓSNIA, A RESERVA OPERACIONAL EM ACÇÃO

BÓSNIA, A RESERVA OPERACIONAL EM ACÇÃO, categoria “Ontem foi notícia – Hoje é história”, reporta-se a 2002, numa altura em que o Exército empenhava um batalhão na Força da NATO na Bósnia. Cerca de 30.000(*) portugueses serviram na Ex-Jugoslávia em diferentes organizações internacionais, entre diplomatas, militares e elementos de forças de segurança, naquele que foi o teatro de operações onde permanecemos mais anos: 20 (1992/2012). O relato que se segue, escrito em 2002, foi publicado no “Jornal do Exército” de Dezembro desse ano, agora aqui com muitas imagens adicionais. Mais um episódio do esforço dos militares portugueses no estrangeiro.

O 2.º Batalhão de Infantaria Mecanizado esteve na Bósnia-Herzegovina de Janeiro a Julho de 2002, em Visoko - Високо. [1]

O 2.º Batalhão de Infantaria Mecanizado esteve na Bósnia-Herzegovina de Janeiro a Julho de 2002, em Visoko – Високо.

BÓSNIA, A RESERVA OPERACIONAL EM ACÇÃO

Aos primeiros alvores do dia 4 de Junho de 2002, no extremo sudeste da Bósnia-Herzegovina, a 1.º Companhia do 2.º Batalhão de Infantaria Mecanizado (1.ª CAT/2.ºBIMec), disposta ao longo do terreno montanhoso, que faz fronteira com o Montenegro, inicia a operação «Ulisses». Mais uma operação da Reserva Operacional do Comandante da SFOR, numa clara demonstração da intenção da força multinacional em não perder o controlo da situação em todo o território da Bósnia-Herzegovina.

OPRES Terra

A região entre Trebinje e Bileca, onde a Bósnia-Herzegovina confina com o Montenegro, foi assim o palco para uma das missões típicas atribuídas à Componente Terrestre da Reserva Operacional do Comandante da SFOR, conhecida pela sigla OPRES – Operational Reserve.

Embora a situação político-militar na Bósnia-Herzegovina seja relativamente estável, a realidade é que a SFOR mantém-se actuante, com as suas unidades em contacto com a área de operações, num esforço permanente de recolha de informações, de modo a evitar surpresas.

Nesta operação «Ulisses», uma vasta área de fronteira foi passada a “pente-fino” por um Grupo Táctico (GT) da Divisão Multinacional Sudeste (DMNSE). Este GT era composto pela OPRES e por unidades de infantaria de marinha e infantaria mecanizada espanholas, apoiado por helicópteros Super-Puma da DMN SE. Neste tipo de operações, diz-nos um oficial do 2.º BIMec: “nunca encaramos isto como rotina, tudo pode acontecer, desde serem encontradas armas não declaradas, identificarmos pessoas suspeitas de estarem indiciadas prelo Tribunal Internacional de Haia como criminosos de guerra, até detectarmos viaturas e pessoas envolvidas em actividades ilegais que alimentam o mercado negro nos dois lados da fronteira, ou ainda, nada de especial!”.

E foi o caso nesta operação. A companhia portuguesa, subdividida em cinco equipas e utilizando as venerandas VBTP “Chaimite” V-200, efectuou 43 de patrulhas durante as quais montaram 33 postos de controlo temporários (uma hora cada), mas sem detectar situações graves.

Dada por terminada a operação, a OPRES, segue de imediato para a cidade de Visoko, a sua base, 30 Km a noroeste de Sarajevo, de onde tinha partido dois dias antes. Só nestes três dias as viaturas da 1.ªCAT/2.ºBIMec fizeram quilómetros equivalentes a uma volta completa a Portugal!

No inicio de 2000 a SFOR foi reestruturada, sendo o seu efectivo reduzido em 1/3, passando a haver 3 tipos de forças de Reserva:

– As Reservas Tácticas, em cada uma das três divisões multinacionais (Norte de comando americano, Sudoeste de comando inglês e Sudeste de comando francês), com forças dessas divisões e actuando nas respectivas áreas de operações;

– A Reserva Estratégica, colocada fora do teatro de operações e só intervindo em caso de grave crise no interior da Bósnia;

– A Reserva Operacional, na dependência directa do comandante da SFOR, é composta pelo batalhão português, e desde Março de 2000, data da sua activação, cinco batalhões já cumpriram esta missão.

Cada um destes batalhões teve uma organização semelhante: Comando e Estado-Maior; Companhia de Comando e duas Companhias de Atiradores.

A missão geral da OPRES é a de assegurar ao comandante da SFOR a capacidade de reforçar as Divisões Multinacionais empenhadas numa situação de crise.

Para isso a OPRES treina os seguintes métodos de emprego:

– Directamente na área de operações, em reforço das reservas tácticas das divisões (todo o batalhão, duas ou apenas uma companhia);

– Rendição em posição, quando a OPRES substitui uma unidade de uma das divisões que por qualquer motivo (nomeadamente uma crise) tenha que ser deslocada para outra área (todo o batalhão, duas ou apenas uma companhia);

– Directamente numa área de crise para controlo de tumultos/alteração da ordem pública, com uma companhia.

Para cumprir cabalmente a sua missão, a OPRES efectua em todo o teatro de operações acções constantes de familiarização com outras unidades, nomeadamente com aquelas colocadas em zonas sensíveis, ou seja, onde é mais provável o futuro emprego da reserva operacional.

Os exercícios nas carreiras de tiro de Glamoc (210Km a oeste do Visoko), usualmente num cenário em que a componente aérea da Reserva também é utilizada, permitem ao batalhão fazer fogo real com todo o seu armamento orgânico, da espingarda automática ao míssil Mílan, passando por metralhadoras pesadas, morteiros 81mm e canhões S/R Carl Gustav.

A OPRES em 2002 continuava a usar as VBTP "Chaimite" V-200, viaturas chegadas à Bósnia em 1996 e que ali se manteriam até ao final da presença do batalhão português. [2]

A OPRES em 2002 continuava a usar as VBTP “Chaimite” V-200, viaturas chegadas à Bósnia em 1996 para a missão da NATO, ali se manteriam até ao final da presença do batalhão português no teatro de operações, já ao serviço da União Europeia.

Manter a segurança a locais de aterragem de helicópteros ainda era por estes tempos uma tarefa habitual. [3]

Manter a segurança a locais de aterragem de helicópteros ainda era por estes tempos uma tarefa habitual.

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Além dos UMM Alter porta-missil Milan, a OPRES também usava os Toyota. Na fotos os militares utilizam o GPS e um telefone satélite. [5]

Além dos Alter porta-míssil Mílan, a OPRES também usava os Toyota Land Cruiser. Na fotos os militares utilizam o GPS e um telefone satélite.

Exercício de defesa do aquartelamento, aqui o sistema míssil Mílan. [6]

Exercício de defesa do aquartelamento, com a apresentação dos principais sistemas de armas do batalhão: aqui o sistema arma anti-carro Mílan equipado com câmara térmica.

Carl Gustav 84mm canhão sem recuo que utilza munições anti-pessoal, anti-carro e iluminantes. [7]

Carl Gustav 84mm (aqui a versão M2), canhão sem recuo de alma estriada que utiliza munições anti-pessoal, anti-carro e iluminantes.

A metralhadora ligeira MG 3 calibre 7,62mm. [8]

A metralhadora ligeira MG 3 calibre 7,62mm.

Espingarda automática G-3, calibre 7,62mm e equipamentos de visão nocturna. [9]

Espingarda automática G-3, calibre 7,62mm e equipamentos de visão nocturna.

Patrulha apeada nas ruas de Visoko. [10]

Patrulha apeada nas ruas de Visoko.

A Cooperação Civil-Militar tinha alguma relevância. Aqui o batalhão apoiava a construção de uma escola. [11]

A Cooperação Civil-Militar tinha alguma relevância por estes tempos. Aqui o batalhão apoiava a construção de um pavilhão escolar.

Na altura os ídolos eram outros mas bem conhecidos na região. Diga-se o que se disser, o futebol foi e continua a ser um grande embaixador nacional. [12]

Na altura os ídolos eram outros mas bem conhecidos na região. Diga-se o que se disser, o futebol foi e continua a ser um grande embaixador nacional. E acredite o leitor, esta criança – hoje terá mais de 20 anos, como recordará os portugueses? – exibiu o “cromo” espontâneamente à passagem da viatura militar, nada lhe foi pedido.

No decurso das patrulhas em certos locais exploravam-se possíveis sectores de tiro. [13]

No decurso das patrulhas em certos locais exploravam-se possíveis sectores de tiro.

Controlo de tumultos

A SFOR dispõe de uma unidade especializada em manutenção da ordem pública, a MSU (Multinational Special Unit). Composta por forças tipo “Gendarmerie” francesa ou “Carabinieri” italianos, está aquartelada junto ao comando da SFOR em Butmir (Sarajevo) e pode ser utilizada em todo o teatro de operações.

A OPRES não tinha, no momento da sua formação, a execução de acções de controlo de tumultos como missão. No entanto, a realidade mostrou que esta capacidade podia muito bem ser necessária. E foi o que aconteceu em Abril de 2001. Nessa altura, na sequência dos graves incidentes em Mostar, Grude, Sitoki, Brijeg, Medjugorje, Vitez e Tomislavgrad, fruto das medidas tomadas pelos representantes da comunidade internacional. Sobre o Hercegovacka Banka, a SFOR sofreu 18 feridos em confrontos de rua. Todas as forças disponíveis foram colocadas em acção, nomeadamente a reserva táctica da divisão sudeste e a MSU mas não foram suficientes. A OPRES foi então chamada a intervir numa situação para a qual não estava treinada nem equipada: controlo de tumultos. O batalhão português, na altura o 1.º BIMec, teve de avançar e viu-se confrontado com a necessidade de equipamento (escudos, viseiras, capacetes, bastões, etc) que não tinha, para, sem empregar força desproporcionada, enfrentar os manifestantes que os apedrejavam. O batalhão que se seguiu no teatro de operações, o 1.ºBIPara, já partiu de Portugal com um pelotão especializado neste tipo de acções, formado em Lisboa pela Guarda Nacional Republicana, e actualmente a OPRES está treinada e equipada para fazer frente a estas eventualidades.

No Visoko tivemos oportunidade de assistir a um treino desta actividade, bem realístico, no decorreu do qual se simulou a situação que localmente nos explicaram. “O nosso pessoal está treinado para resolver situações pontuais, nomeadamente em apoio das autoridades locais, as quais actualmente também já dispõem de uma unidade especializada nestas acções. Neste caso considera-se que a OPRES foi chamada em apoio da polícia local para resgatar altas entidades cercadas por manifestantes hostis. Em primeiro lugar, tentamos manter o nosso dispositivo afastado do local e tentamos negociar a saída das entidades e polícias cercados. No caso de não se chegar a acordo efectuamos uma carga rápida em direcção ao local de refúgio, dispersamos os manifestantes mas não os perseguimos. Protegemos as altas entidades e polícias para o interior dos nossos blindados, mantemos a segurança e retiramos do local. Para que não fiquem dúvidas sobre a nossa capacidade de intervenção – não os perseguimos porque o nosso objectivo era apenas a salvaguarda das pessoas em risco – terminamos a nossa actuação com uma marcha no local da acção”.

Por esta altura o Controlo de Tumultos ainda era quase uma novidade nas forças portuguesas na Bósnia. [14]

Por esta altura o Controlo de Tumultos ainda era quase uma novidade nas forças portuguesas na Bósnia. Um ano antes a força portuguesa teve que lidar com uma situação deste tipo e não tinha equipamento nem treino para isso.

Os primeiros equipamentos,  protecções traumáticas, capacetes, bastões, escudos, haviam sido adquiridos há cerca de um ano e muitos bem há menos, eram novos. [15]

Os primeiros equipamentos, protecções traumáticas, capacetes, bastões, escudos, haviam sido adquiridos, em pequena quantidade, para o batalhão anterior, e agora muitos dos equipamentos eram novos.

A formação inicial em Portugal foi ministrada primeiro pela GNR e depois pela Policia do Exército. [16]

A formação inicial em Portugal foi ministrada primeiro pela GNR e depois pela Policia do Exército. Ainda hoje, a força portuguesa que está no Kosovo, tem no controlo de tumultos uma das suas missões principais.

Os exercícios eram bem realistas e a probabilidade de emprego desta capacidade era levada muito a sério. [17]

Os exercícios eram bem realistas e a probabilidade de emprego desta capacidade era levada muito a sério.

Tudo feito com segurança. mas mesmo assim alguns "arranhões" eram inevitáveis! [18]

Tudo feito com segurança, mas mesmo assim alguns “arranhões” e “nódoas negras” eram inevitáveis!

Protecção da "Alta entidade" que seria transportada na Chaimite. [19]

Protecção da “Alta entidade” que seria transportada na Chaimite.

Mais uma carga para dispersar a "turba"... [20]

Mais uma carga para dispersar a “turba”…

...e  a demonstração de força final para mostrar que, voltaremos sempre que necessário! [21]

…e a demonstração de força final para mostrar que, voltaremos sempre que necessário!

Patrulha em Srebernica

Srebernica, no passado conhecida como a cidade da prata e das águas termais, é hoje tristemente célebre em todo o mundo pelos acontecimentos dos últimos anos de guerra na Bósnia. Ali tiveram lugar actos de verdadeira barbárie, infelizmente semelhantes a tantos outros que povoaram guerras civis um pouco por todo o mundo. Sendo na Europa, dita civilizada, maior impacto tiveram na opinião pública.

Hoje, Srebernica continua a exibir as marcas da guerra, bem ao contrário de muitos locais na Bósnia, onde a reconstrução é um facto. A recuperação física da cidade tarda em chegar e as forças da SFOR fazem o seu melhor para que o regresso de refugiados tenha lugar em segurança. As patrulhas na região são feitas em viatura e a pé, quer de dia quer de noite e, pelo menos para já, não tem havido relatos de incidentes. Estas patrulhas têm como principal objectivo a clara demonstração do empenho da SFOR na estabilidade da região e também na permanente recolha de informações tendo em vista antecipar qualquer problema latente. Sendo uma zona com algum potencial de conflito, com problemas sociais graves (desemprego, habitação muito degradada) e políticos (grande influência dos partidos radicais e falta de investimento), a OPRES faz familiarizações frequentes nesta região.

Nestas missões, o batalhão português integra uma das suas unidades na força da SFOR na região, a Divisão Multinacional Norte, de comando americano. Acompanhamos esta actividade na Republica Srpska, junto à localidade de Glocova, a partir da «FOB Connor» (Forward Operations Base – Base Operacional Avançada), uma pequena base do US Army, instalada a escassos quilómetros da República Federal da Jugoslávia. Trata-se de um autêntico “forte”, construído com materiais e dispondo de condições de vida do início do século XXI. Instalado no cimo de uma elevação com excelente visibilidade (360 graus), o “forte”, construído por altas paredes de cimento armado, dispõe de um par de vedações em arame farpado em todo os eu perímetro e torres de vigilância periféricas que lhe dão o característico aspecto de forte romano. Mas se o aspecto exterior remete para “Asterix o Legionário” ou para os fortes do “velho Oeste”, o interior é bem dos tempos que correm. Todas as condições que se podem encontrar, por exemplo na “Base Eagle” em Tuzla, a maior base americana na Bósnia, aqui também não faltam. Restaurante tipo self-service (grátis), 24 horas aberto, mantido por uma multinacional do ramo (Brown&Root), cinema, ginásio, campo de jogos, PX (loja/mini-mercado), vendedores de artesanato (devidamente identificados e credenciados), etc.

A «FOB Connor», sob o comando de um jovem capitão, alberga a Companhia Charlie do 1.º Batalhão do 14.º Regimento de Infantaria, proveniente do Hawai. Estes militares americanos, vindos do outro lado do mundo para cumprir sete meses de missão na Bósnia, e os portugueses da OPRES, iniciam as patrulhas, três secções em simultâneo, deslocando-se por itinerários diferentes. Cada patrulha é composta por duas viaturas americanas e uma portuguesa, sendo os graduados de mais elevado posto de cada nacionalidade, sargentos. Todas as patrulhas são acompanhadas por intérpretes (nenhuma força americana se desloca sem a sua companhia) e as viaturas dispõem dos mais modernos meios de comunicações e GPS.

A patrulha que acompanhamos iniciou-se passando por campos de refugiados sérvios, vindos das antigas províncias da Jugoslávia de onde foram sendo empurrados durante a guerra. Ainda vivem em pequenas casas prefabricadas, enquanto, com algum apoio internacional, outras de alvenaria se vão, lentamente, construindo. Em Bratunac, cidade fronteiriça, os “Hummer” e “Chaimite” detêm-se junto ao estádio da cidade (também ele com uma história de fuzilamentos), a patrulha multinacional avança agora a pé, em direcção ao centro da cidade. Os habitantes, habituados a estas patrulhas frequentes, são indiferentes aos soldados. Não hostilizam nem aclamam. A vida continua o seu ritmo normal. A patrulha segue com os portugueses a tomar contacto com as principais artérias e passagem obrigatória pelos edifícios que albergam organizações internacionais ou postos da polícia local. Imediatamente antes de Srebernica, junto ao antigo quartel holandês do tempo da ONU, a patrulha detém-se por algum tempo. Aqui montou-se um perímetro de segurança ao local que serve de heliporto, junto ao memorial às vítimas de 1995. Uma delegação internacional, sob os auspícios da UNMIBH (United Nations Mission in Bosnia-Herzegovina – Missão das Nações Unidas na Bósnia-Herzegovina), faz uma visita à região e havia solicitado este apoio à SFOR.

Cumprida esta missão, a patrulha segue para a cidade, onde, mais uma vez, portugueses e americanos, primeiro a pé pelo interior da cidade e depois em viatura pelas serranias que a envolvem, efectuam a sua patrulha. Aqui sempre com o apoio de um intérprete, a patrulha estabelece diálogo com alguns populares, interessando-se pelas condições de vida na cidade e pelo ritmo de regresso dos refugiados. Estes últimos são muito poucos, cerca de 400 numa população total de 15.000. Os que regressaram são maioritariamente pessoas idosas, certamente mais preocupados em ali terminar os seus dias, nas suas antigas casas, sobrevivendo com alguma magra reforma, do que em investir em algo produtivo. Sem entidades empregadoras, habitação muito degradada e falta de capitais para efectuar investimentos, apenas o pequeno comercio e a agricultura de subsistência parecem ocupar o tempo da população de Srebernica. É evidente que a presença da SFOR confere paz e segurança, mas o caminho a percorrer até à normalização da região parece longo e certamente muito dependente do exterior.

FOB Connor junto à fronteira com a Sérvia, um dos postos avançados da SFOR, autêntico forte do "velho Oeste" dos tempos modernos. [22]

FOB Connor junto à então República Federal da Jugoslávia (hoje República da Sérvia), um dos postos avançados da SFOR, autêntico forte do “velho Oeste” dos tempos modernos. A OPRES portuguesa estava habituada a servir-se deste local como ponto de apoio para alguns dias de estadia na “fronteira”.

Preparação das patrulhas luso-americanas que em breve iriam percorrer a região. [23]

Preparação das patrulhas luso-americanas que em breve iriam percorrer a região.

Chaimites e HMMWV [24]

Chaimites e HMMWV percorriam regularmente este sector, um dos bem conhecidos da OPRES embora se situasse a mais de 150Km do seu quartel no Visoko.

Chegados a Srebernica a patrulha fez-se apeada. [25]

Chegados a Srebernica a patrulha fez-se apeada. Calma na cidade mas muito longe da normalidade. Muito pouca gente tinha regressado.

A antiga "cidade da prata" ou "mina de prata" como seria conhecida já no tempos do Império Romano, era um "enclave muçulmano" na Republica Sérvia da Bósnia, protegido pelos capacetes azuis quando se seu o massacre de Julho de 1995. [26]

A antiga “cidade da prata” ou “mina de prata” como seria conhecida já nos tempos do Império Romano, era um “enclave muçulmano” na República Sérvia da Bósnia, protegido pelos capacetes azuis, quando se deu o massacre de Julho de 1995.

A SFOR em 2002

A SFOR, que actua na Bósnia neste momento, foi o resultado de uma reestruturação efectuada entre Novembro de 1999 e Abril de 2000, que significou uma redução de 1/3 do efectivo original (a SFOR sucedeu à IFOR em Dezembro de 1996, com cerca de 55.000 militares), passando a ter no teatro de operações cerca de 18.000 militares. Em termos de organização, a força manteve as originais três divisões multinacionais (N- norte; SW – Sudoeste; SE – Sudeste), mas o escalão-brigada desapareceu. Cada divisão passou a controlar directamente quatro Agrupamentos Tácticos, com 850 militares cada. Directamente às ordens do comandante da SFOR, está o Quartel-General, instalado em Butmir (junto ao aeroporto de Sarajevo) com cerca de 500 militares e as Tropas de Teatro, cerca de 1.800 militares, que incluem unidades de transporte, sanitárias, engenharia e a reserva operacional. Até ao final de 2002, está prevista uma nova redução para 12.000 militares. A reestruturação em fase de aprovação, embora ainda não seja completamente conhecida, deverá, segundo um comunicado da OTAN, «…colocar no terreno forças mais ligeiras, mais móveis e flexíveis que, não só oferecem uma melhor relação custo-eficácia, como permitirão também responder aos desafios do momento… …No quadro deste processo as autoridades militares da OTAN estão a elaborar um conceito de forças de reserva que possa complementar o dispositivo no terreno…».

Tudo indica que o Quartel-general será substancialmente reduzido, as actuais divisões darão lugar a brigadas e a actual OPRES, deixará de existir. Uma das soluções possíveis é a constituição de uma Reserva estacionada fora do teatro de operações. Aquartelada no país ou países de origem das forças, ou ainda num país próximo do teatro de operações, a dimensão desta nova reserva e o país ou os países que a constituirão ainda não está definida.

À nossa unidade actualmente na Bósnia, o 2.ºBI/BLI, caberá certamente encerrar esta missão de OPRES e iniciar uma próxima, ou, na pior das hipóteses, encerrar mesmo a nossa participação na SFOR.

O Quartel-general da SFOR em Butmir - Sarajevo. Durante anos e anos, muitos portugueses prestaram aqui serviço em diversos cargos internacionais. [27]

O Quartel-general da Stabilization FORce em Butmir – Sarajevo em 2002. Durante anos e anos, muitos portugueses prestaram aqui serviço em diversos cargos internacionais, primeiro na NATO e depois no período de responsabilidade da União Europeia que ali continua hoje com a Operação “Althea”, na qual também chegou a participar a GNR (2007-2010). Em Janeiro de 2012, já no período da responsabilidade da União Europeia a Bandeira Nacional foi definitivamente arreada exactamente neste QG, em 13JAN2012, depois de Portugal ter decidido abandonar a missão [28], saindo das LOT (Liasion and Observation Teams) de Derventa e Modriga no Norte da Bósnia, perto de Doboj.

Em 2002 muitas vias de comunicação estavam substancialmente melhoradas. [29]

Em 2002 muitas vias de comunicação estavam substancialmente melhoradas.

As mesquitas foram dos primeiros edifícios a ser reparados e muitas novas foram construídas, como esta de grandes dimensões em Sarajevo, inexistente antes da guerra. [30]

As mesquitas foram dos primeiros edifícios a ser reparados e muitas novas foram construídas, como esta de grandes dimensões em Sarajevo, inexistente antes da guerra.

O 2.º BIMec em parada no aquartelamento do Visoko, em 2002, junto à Bandeira Nacional ... [31]

O 2.º BIMec em parada no aquartelamento do Visoko, em 2002, junto à Bandeira Nacional …

...encontrava-se o Monumento de Homenagem aos Militares portugueses mortos na Bósnia que mais tarde seria transferido para o quartel português de Doboj. [32]

…encontrava-se o Monumento de Homenagem aos Militares portugueses mortos na Bósnia que mais tarde seria transferido para o quartel português de Doboj e, em 2007, vitima de alterações. Hoje está muito degradado no espaço público na cidade de Doboj [33].

(*) Número que nos parece “inflacionado” mas referido pelo Presidente da República nas Cerimónias Militares de Recepção às Forças Nacionais Destacadas na Bósnia-Herzegovina em Santa Margarida no dia 7 de Março de 2007. Mais à frente no discurso o PR refere-se aos “…mais de 11.000 militares e elementos das forças de segurança que, ao longo destes quase 15 anos (1992-2007), no território da Bósnia-Herzegovina, no céu dos Balcãs ou no mar Adriático, como elementos isolados ou integrando unidades militares, serviram Portugal e os portugueses, aliando uma competência internacionalmente reconhecida a uma singular forma de relacionamento com as populações locais….”, o que nos parece este sim, ajustado.