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BÓSNIA 96 NA IMPRENSA ESCRITA, O “LE JOURNAL DE L’IFOR / IFOR INFORMER”

Os militares portugueses que participaram na missão IFOR, e depois na SFOR, foram por algumas vezes objecto de notícias/artigos no órgão de informação interna da força multinacional. Com grande difusão pelos diversos contingentes em operações na Bósnia e por vezes mesmo nos seus países de origem – sobretudo no meio militar –, constituía o principal suporte informativo à disposição do comando da força multinacional, uma “ferramenta” importante para fomentar o conhecimento mútuo de militares de tão diferentes origens e o desenrolar da operação.

Em Julho 1996, a missão do 2.ºBIAT aproximava-se do fim, o jornal da IFOR foi fazer uma "grande reportagem" sobre o papel dos portugueses na segurança de Gorazde [1]

Em Julho 1996, a missão do 2.ºBIAT aproximava-se do fim, o jornal da IFOR foi fazer uma “grande reportagem” sobre o papel dos portugueses na segurança do “corredor de Gorazde”.

Recorda-se que em 1996 a internet não estava disseminada – poucos teriam conhecimento da sua existência sequer – era ainda o tempo do telefone fixo e do fax, do jornal em papel e da rádio e televisão. A IFOR mal chegou à Bósnia e Herzegovina em finais de 1995 tratou de criar as condições para passar a distribuir tão breve quanto possível, entre os seus cerca de 60.000 efectivos, um jornal – duas edições, simultâneas, uma em francês e outra em inglês – dedicado sobretudo à informação interna da força, aos militares, para os “informar e divertir”!

O Almirante US Navy, Leight Smith Jr. comandante da IFOR, referia no editorial do n.º 1 (14FEV1996), que os desafios que se colocavam à força para fazer aplicar os Acordos de paz eram enormes – enumerava-os – e só com trabalho de equipa isso seria possível. Assim o jornal devia completar a cadeia de comando para criar esse conhecimento mútuo e compreensão do que estava em curso na Bósnia. Era naturalmente um órgão institucional mas escrito “tipo jornal”, fugindo à terminologia militar técnica e abordando assuntos relativos aos diversos contingentes, ao que se passava no país e ainda com secções como desporto e curiosidades.

Eram publicados dois números por mês, e nos primeiros 6 meses de missão – o objecto deste artigo de hoje – foram publicados 13 números. Portugal ou os portugueses foram referidos na maioria deles como aqui se comprova, primeiro de modo modesto e depois com o avançar do tempo de modo mais expressivo, o que aconteceu não por obra do acaso mas pelo trabalho de divulgação do contingente nacional.

Não sendo pequena a força portuguesa a realidade é que estando no “escalão batalhão” tinha que “lutar contra” os países do “escalão brigada” e do “escalão divisão” para “aparecer”. A força dispunha de 30 batalhões – além de outras unidades de apoio ou especializadas – enquadrados em 10 brigadas e 3 divisões, o que dá uma ideia do patamar em que nos encontrávamos, a que se juntou o facto de não haver oficiais generais portugueses na cadeia de comando, actuando os de maior graduação apenas no escalão brigada. Esta terá sido aliás uma das lições aprendidas nesta missão em 1996, a necessidade de negociar determinados cargos na estrutura de comando de uma força em que se participe, importantes senão decisivos para que muitas decisões tomadas tenham em linha de conta os nossos interesses. E não me estou naturalmente a referir apenas a questões como a informação interna, outros sim mais importantes. Mas isto é outro tema!

O LE JOURNAL DE L’IFOR / IFOR INFORMER começou por funcionar a partir de Nápoles, onde mantinha uma pequena redacção, 3 pessoas, e uma equipa em Sarajevo, também 3 pessoas, que garantiam as reportagens no terreno. Os contingentes nacionais eram encorajados a participar na elaboração do jornal com envio de artigos/fotografias, o que acontecia pontualmente. A tipografia que imprimia a jornal era em Nápoles. Com o desenvolvimento da operação, mantendo-se parte da redacção em Nápoles a equipa de Sarajevo foi reforçada e em Agosto, quando termina este artigo, já ali trabalhavam 6 militares (oficiais, sargentos e praças) que garantiam a grande maioria dos textos e fotografias que eram impressos.

O director do jornal era o comandante da operação e o chefe de redacção o seu oficial de informação pública (Capitão de Mar-e-Guerra US Navy, Mark Van Dyke). Em 31JUL96 o comando da IFOR foi assumido pelo Almirante US Navy T. Joseph Lopez. Os militares em serviço no jornal, em Sarajevo, provinham de diversas nacionalidades, a maioria americanos, mas também ali serviram, neste período, por exemplo espanhóis e franceses. Os americanos, todos os que contactamos, ao contrário de outras nacionalidades, já desempenhavam anteriormente funções semelhantes na imprensa militar do seu país.

O jornal manteve-se durante toda a missão IFOR e depois continuou, embora com algumas alterações, na missão SFOR. Que se saiba, pelo menos a Biblioteca do Exército em Lisboa dispõe de uma colecção completa deste jornal.

Este artigo abrange todos os números do jornal desde o seu n.º 1 (14FEV96) ao 13.º (31JUL96). Aliatóriamente escolhemos as versões em francês e inglês para publicar.

Este artigo abrange todos os números do jornal desde o seu n.º 1 (14FEV96) ao 13.º (31JUL96).  Aleatoriamente escolhemos as versões em francês e inglês para aqui publicar recortes alusivos ao contingente português.

 

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No primeiro número o jornal presta homenagem aos militares mortos até esta data (14FEV), incluindo naturalmente os portugueses.

 

Em menos de dois meses de operação a força multinacional já tinha sofrido 10 mortos (2 portugueses). Até Dezembro quando terminou a IFOR, este número aumentaria para 52 (4 portugueses).

Em menos de dois meses de operação a força multinacional já tinha sofrido 10 mortos. Até Dezembro quando terminou a IFOR, este número aumentaria para 52 (4 portugueses).

 

Também no primeiro exemplar do jornal era dado conhecimento da criação da Medalha NATO/OTAN.

Também no primeiro exemplar do jornal era dado conhecimento da criação da Medalha NATO/OTAN.

 

A segunda edição do jornal dava destaque de primeira página à chegada dos portugueses a Gorazde, a cidade que viveu cercada durante anos. [3]

A segunda edição do jornal dava destaque de primeira página à chegada dos portugueses a Gorazde.

 

Gorazde a cidade muçulmana cercada durante anos, teve no contingente português a primeira força da NATO que garantiu a ligação a Sarajevo com a escolta aos "comboios humanitários" regulares.

Gorazde a cidade muçulmana cercada durante anos, teve no contingente português a primeira força da NATO que garantiu a ligação a Sarajevo, com a escolta aos “comboios humanitários” regulares.

 

Fica cara a dimensão da força terrestre que foi colocada na Bósnia e Herzegovina para a missão IFOR. [4]

Fica clara a dimensão da força terrestre que foi colocada na Bósnia e Herzegovina para a missão IFOR.

 

A impressionante componente aérea inicial da IFOR, onde se encontrava ainda um C-212 Aviocar da Força Aérea Portuguesa. Em breve regressaria a Portugal. [5]

A impressionante componente aérea inicial da IFOR, onde se encontrava ainda um C-212 Aviocar da Força Aérea Portuguesa. Em breve regressaria a Portugal.

 

A componente naval da IFOR era compreensivelmente reduzida, mas os navios envolvidos na operação "Sharp Guard" podiam ser empenhados em caso de necessidade. [6]

A componente naval da IFOR era compreensivelmente reduzida, mas os navios envolvidos na operação “Sharp Guard” podiam ser empenhados em caso de necessidade.

 

Das 13 edições do jornal, numa um militar português, o Primeiro-cabo Pára-quedista Pedro Jesus. [7]

Em cada uma das 13 edições do jornal, um militar tinha lugar de destaque, em 24 de Abril de 1996 foi o Primeiro-Cabo Pára-quedista Pedro Jesus.

 

De quando em quando o futebol estava nas páginas do jornal, e o campeonato português também. [8]

De quando em quando o futebol estava nas páginas do jornal, e o campeonato português também.

 

Uma missão do PelRec do 2BIAT em destaque. [9]

Uma missão do PelRec do 2.ºBIAT em destaque.

 

Tratou-se da inspecção a um lugar onde uma unidade blindada da República Srpska estava acantonada, em Zljebovi perto da estrada que ligava Sarajevo - Rogatica - Gorazde. [10]

Tratou-se da inspecção a um lugar onde uma unidade blindada da República Srpska estava acantonada, em Zljebovi entre Sokolac e Han-Pijesak.

 

Desta vez o destaque foi para as Rações de Combate portuguesas. [11]

Desta vez o destaque foi para as Rações de Combate portuguesas.

 

No decurso de várias edições, rações de combate de alguns países foram testadas, meio a sério meio a brincar. As nossas não agradaram por aí além... [12]

No decurso de várias edições, rações de combate de alguns países foram testadas, meio a sério meio a brincar. As nossas não agradaram por aí além…

 

A liberdade de movimentos e o papel do batalhão português ao longo da estrada Sarajevo - Rogatica - Gorazde, era um tema da maior importância no contexto da operação. [13]

A liberdade de movimentos e o papel do batalhão português ao longo da estrada Sarajevo – Rogatica – Gorazde, era um tema da maior importância no contexto da operação.

 

A edição de 17 de Julho de 1996, deu grande destaque ao 2.º BIAT e à sua missão, cobrindo vários aspectos da sua actividade. [14]

A edição de 17 de Julho de 1996, deu grande destaque ao 2.º BIAT e à sua missão, cobrindo vários aspectos da sua actividade.

020 Bósnia 96 IFOR 12 17JUL96 [15]

021 Bósnia 96 IFOR 12 17JUL96 [16]

022 Bósnia 96 IFOR 12 17JUL96 [17]

023 Bósnia 96 IFOR 12 17JUL96 [18]

Ainda neste número, artigo dedicado ao "órgão de informação" da brigada de comando italiano, o "Nema Problema" que contava naturalmente com a colaboração dos portugueses. [19]

Ainda neste número, artigo dedicado ao “órgão de informação” da brigada de comando italiano (na sequência de artigos alusivos a edições de outras unidades multinacionais), o “Nema Problema”, que contava naturalmente com a colaboração dos portugueses.

 

O último artigo dedicado aos portugueses neste primeiro semestre, alusivo ao Capelão Pára-quedista César Fernandes. [20]

O último artigo dedicado aos portugueses neste primeiro semestre, alusivo ao Capelão Pára-quedista César Fernandes.

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