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ATIVIDADE OPERACIONAL DAS FORÇAS ARMADAS – 2017/2018

Realizou-se no passado dia 9 de Janeiro uma conferência de imprensa que nos pareceu relevante, por tentar dar um novo impulso na divulgação da temática em causa, mas também pela importância que lhe foi dada com a presença dos 4 chefes militares – CEMGFA, CEMA, CEME E CEMFA – e do Ministro da Defesa Nacional. Contamos o que vimos, comentamos algumas afirmações, fazemos um balanço dos resultados alcançados e deixamos sugestões.

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O CEMGFA tomou a iniciativa de convocar este “briefing” sobre a actividade operacional das Forças Armadas.

Nova política de comunicação?

Nota positiva para o EMGFA pela iniciativa que tenta divulgar melhor a actividade operacional dos três ramos das Forças Armadas, a qual como é sabido escapa muitas vezes ao cidadão comum. Mesmo que hoje a tecnologia e as redes sociais permitam o contacto directo das instituições com as pessoas, na verdade só os grandes meios de comunicação social, televisões, rádios e jornais, conseguem chegar a milhões de portugueses com este tipo de informação.

E em democracia é assim, com população informada, que se consegue muitas vezes fazer ver àqueles que aprovam as leis e determinam orçamentos, necessidades que lhes escapam por desconhecimento ou mesmo por desvalorizarem determinados sectores do Estado.

Para se ter uma ideia da situação nesta área recorda-se que a última conferência de imprensa deste género – embora apenas dedicada às Forças Nacionais Destacadas (esta de 2018 abrangeu também a actividade operacional em Portugal) e sem a presença de todos os chefes militares nem do ministro – teve lugar exactamente há 9 anos (26JAN2009). Na altura o Operacional noticiou [2] “…Uma nova política de comunicação em relação às missões exteriores levadas a cabo pelas Forças Armadas está em marcha. E já tardava como é reconhecido pelo próprio Chefe do Estado-Maior General das Força Armadas. O General Valença Pinto assumiu hoje no Restelo, perante uma plateia de jornalistas convocados para uma conferência de imprensa, o “pontapé de saída” para uma comunicação regular com os “média” e através destes com a população portuguesa…”.

Na realidade este evento não teve qualquer desenvolvimento e desde então há apenas registada na memória uma ocasião (21DEZ2012), com algumas semelhanças mas de âmbito mais limitado, quando o anterior ministro, Aguiar-Branco, e os chefes militares de então, assistem a uma rápida “vídeo-conferência” de Boas Festas [3] com os militares portugueses nos teatros de operações exteriores (Afeganistão, Kosovo e Somália). Seguiu-se um almoço em S. Julião da barra com militares dos três ramos das Forças Armadas que haviam estado em missões expedicionárias, ocasião para a imprensa abordar o tema, falar com os militares, oficiais, sargentos e praças.

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Além dos jornalistas, ao fundo, a sala estava repleta de militares e alguns civis do MDN.

Não havendo uma estrutura de informação pública unificada nas Forças Armadas, e isso certamente só acontecerá em Portugal se um dia as competências do CEMGFA forem de comando completo da Marinha, Exército e Força Aérea – o que é muito mas mesmo muito pouco provável que venha a acontecer – cada ramo tende a fazer a sua própria divulgação. Um raro exemplo que por vezes funciona outras nem tanto, é o comentário televisivo nas cerimónias do 10 de Junho, em que oficiais dos três ramos comentam em algumas TV’s a parte militar do evento.

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O CEMGFA, General Pina Monteiro fez a apresentação das missões realizadas em 2017 e uma previsão das que se irão desenvolver em 2018. Os efectivos apresentados causaram alguma confusão porque em 2017 foram incluidos os respeitantes às forças de reacção para a NATO e UE que, estando prontas, não chegaram a ser empenhadas.

Tendo sido dito e repetido pelo Ministro da Defesa Nacional em Oeiras que este “briefing” foi uma iniciativa do CEMGFA, o qual desempenha este cargo desde 2014 e está a escassas semanas de ser substituído – tudo indica pelo actual CEMA como foi amplamente noticiado em Dezembro de 2016 – haverá que esperar para ver se realmente isto foi o início de uma nova política de comunicação no EMGFA ou apenas uma espécie de “prestação de contas” em fim de mandato do General Pina Monteiro.

Oeiras, 09 de Janeiro de 2018

O “BRÍFINGUE SOBRE A ATIVIDADE OPERACIONAL DAS FORÇAS ARMADAS DURANTE O ANO DE 2017 E PROJEÇÃO PARA 2018” teve lugar no Comando Conjunto para as Operações Militares, em Oeiras, e foi organizado pelo Gabinete do CEMGFA. Presentes estavam não só os 4 Chefes Militares e o Ministro da Defesa Nacional, como dezenas de oficiais entre os quais quatro tenentes-generais e um vice-almirante, mais oficiais generais, outros oficiais e sargentos e quadros civis do MDN. Estiveram representados e colocaram questões jornalistas da Agência Lusa, Antena 1, Correio da Manhã, Diário de Noticias, Radio Renascença e TVI.

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Em 9 de Janeiro de 2018 Portugal tinha 394 militares em missões exteriores.

O “briefing” estava bem organizado e havia meios técnicos adequados, começou a horas, mas o tempo previsto para as exposições dos chefes militares e ministro da defesa derrapou… Os 20 minutos para o CEMGFA e 10 minutos para cada um dos restantes intervenientes restantes, ocuparam afinal 1H40 (CEMGFA, 32m, CEMA 17m, CEME 11m, CEMFA 16m, MDN 22m).

A exposição inicial do CEMGFA abrangia parte substancial dos números dos três ramos, quer nas operações exteriores quer no interior do território nacional, mas nas apresentações dos CEM’s como todos se referiram também aos seus números houve uma certa repetição. Isto apesar dos CEM’s terem apresentado alguns elementos que o CEMGFA não abordou, quase e sempre sobre a actividade operacional em território nacional. Note-se no entanto que as informações parcelares dos ramos tiveram muito interesse. O CEMA/AMN transmitiu, entre outros, dados importantes sobre as actividades e meios da Autoridade Marítima quer no Continente quer nos Açores e Madeira – incluindo por exemplo o reforço do empenhamento nas Ilhas Selvagens, as missões hidrográficas, o estado do sistema Costa Segura ou as capacidade do Instituto Hidrográfico mesmo para operações em terra; o CEME desenvolveu uma didáctica explicação do processo que antecede o envio de uma força para o estrangeiro e a sua sustentação no decurso da missão, e entre outros aspectos ficamos a saber por exemplo que em 2018 a FND no Iraque será aprontada pelas unidades dos Arquipélagos – o que não deixa de ser relevante – ou as suas capacidades em termos de apoio militar de emergência, nomeadamente a nível de transmissões a apoio geoespacial; O CEMFA entre outros aspectos mostrou de forma clara que mesmo tendo voado mais horas que no ano transacto, necessita de voar mais em missões de treino, está ainda aquém do necessário – voou 18.000 horas necessitava voar 23.000! – e de forma clara mostrou o peso da Base Aérea n.º 6 na actividade operacional do ramo que é de 41% e as implicações que isto terá na reorganização do ramo com a afectação da infra-estrutura à aviação comercial.

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O Almirante Silva Ribeiro na sua qualidade de CEMA e AMN apresentou a actividade dentro e fora de Portugal da Marinha e da Autoridade Maritima Nacional.

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O Programa Costa Segura estará concluido em 2018 e foi empregue numa situação real bem recentemente, nos Açores (Ilha do Pico) devido ao acidente com um navio.

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Parte desta actividade da Marinha, já havia sido referida pelo CEMGFA.

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O General Rovisco Duarte iniciou a sua apresentação lembrando uma missão que tem sido algo esquecida em Portugal…mas não na Colômbia! O próprio Presidente da República deste país fez questão de o lembrar quando nos visitou em 2017.

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As FND do Exército são preparadas em unidades distribuídas um pouco por todo o território nacional, Arquipélagos incluídos.

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O General Teixeira Rolo não se escusou a referir as limitações do ramo quer em relação às horas de voo quer ao que se pensa possa vir a acontecer no combate a incêndios.

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O que vai acontecer com a Força Aérea no Montijo ainda é uma incógnita pública, mas que não será fácil de resolver é já perceptível.

O MDN elogiou por várias vezes as Forças Armadas e os seus chefes pelo trabalho desenvolvido, considerando que o “briefing” era muito importante como “prestação de contas” à sociedade e uma boa maneira de dar a conhecer as missões aos cidadãos portugueses, considerou mesmo que “…acho que tivemos aqui um exemplo muito claro do que é uma abordagem moderna da ideia de responsabilidade e da ideia de dimensão operacional que infelizmente, e esse infelizmente não responsabiliza ninguém, ou que até responsabiliza mais é a parte politica, que é muitas vezes desconhecida dos portugueses, e que era importante que os cidadãos tivessem conhecimento…”. Da sua restante intervenção sobre as orientações políticas às Forças Armadas no respeitante às missões exteriores, fica a sensação que há pouco conhecimento de Azeredo Lopes do que foram estas missões nos últimos 20 anos uma vez que foi transmitida uma ideia de novidade, de inovação, de reorientação, em temas que são recorrentes nestas duas últimas décadas. Não deixa de ser estranho ouvir Azeredo Lopes dizer que “…o contributo das Forças Armadas e de Portugal para a segurança e defesa internacionais é hoje muito maior do que seria expectável para um país da nossa dimensão…” , quando, nesse dia 9 de Janeiro por exemplo, segundo foi mostrado no “briefing”, as Forças Armadas mantinham 394 militares em missões no estrangeiro – cerca de 1,5% do efectivo militar nacional – um dos valores mais baixos dos últimos 20 anos! Durante muitos anos o efectivo que mantemos hoje no mundo inteiro, é inferior ao que mantínhamos só num teatro de operações. Um exemplo concreto, na conferência de imprensa de Janeiro de 2009 já acima referida, passam agora 9 anos, foi referido o número 662 como o número de militares fora do território nacional em cada dia desse ano!

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Azeredo Lopes elogiou os Chefes Militares, as Forças Armadas e apontou esta conferência de imprensa como um exemplo.

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A presença do ministro centrou naturalmente a atenção de muitos jornalistas e desviou o foco dos assuntos da área operacional. A maioria dos jornalistas está bem mais familiarizado com assuntos de natureza politica do que operacional.

Ainda em relação aos números parece haver pela parte do poder político nacional uma intenção de mostrar à imprensa um empenhamento nacional muito significativo nas missões internacionais. Azeredo Lopes chega mesmo a afirmar que o reforço que Portugal vai dar para a missão da NATO no Afeganistão “…é uma decisão muito pesada politicamente e representa, é bom ter noção disso, representa do ponto de vista individual e do ponto de vista absoluto o maior reforço que houve de qualquer país na missão do Afeganistão. Isso é importante destacar, não sei se recentemente os EUA reforçaram para lá dos quase 200 homens e mulheres que nós decidimos empenhar, admito que sim, não estou aqui a falar de campeonatos que são estéreis mas para termos a noção da dimensão e da envergadura do empenhamento do nosso país…”. Sendo certo que mantemos 10 militares no Afeganistão e vamos aumentar para 190, este último número parece-nos absolutamente normal.

Sobre esta afirmação de Azeredo Lopes talvez os números oficiais (USA e NATO) ajudem a compreender a realidade no Afeganistão em 2017, para 2018 logo veremos. Os EUA têm ali deslocados 6.941 militares e 23.659 “contractors” (destes 9.418 são cidadãos americanos, 8.551 de terceiros países e 5.690 afegãos – números oficiais do Comando Central dos EUA). Já depois do “briefing” de Oeiras, a 11JAN2018, o US Army divulgou que iria enviar para o Afeganistão na próxima Primavera uma das suas novas unidades – a 1st Security Force Assistance Brigade – que irá ministrar treino e assistência ao Exército Afegão. Segundo o US Army estas novas unidades (estão previstas seis, mas para já apenas esta 1.ª brigada está formada) vão dispor do melhor e mais avançado equipamento e armamento disponível e deverão acompanhar os afegão nas operações de combate. Trata-se de unidades com cerca de 500/600 militares, todos oficiais e sargentos.

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Efectivos dos vários países que actuam na missão da NATO no Afeganistão (em Maio de 2017). Note-se que são os efectivos em presença e não os acumulados do ano.

A missão da NATO no Afeganistão, Resolute Support Mission, integra militares de 40 países dos quais os seguintes com contingentes de cerca de 200 ou mais militares: Austrália (270); Republica Checa (223); Geórgia (872); Alemanha (980); Itália (1037); Polónia (198); Roménia (587), Turquia (659); Reino Unido (500). O que se pode dizer, julgamos, é que um contingente de 200 militares é uma participação adequada para o nosso país, para a dimensão das nossas Forças Armadas e para o seu empenhamento internacional actual. Além disto só iremos empenhar mais uma companhia reforçada na República Centro Africana e uma companhia na Lituânia, esta apenas por 4 meses.

Sobre esta questão dos efectivos e no repetido anúncio de reforço da participação militar nacional em missões exteriores em 2018, a verdade está certamente no que o CEMGFA, General Pina Monteiro, integrou na sua resposta à primeira pergunta do “Diário de Noticias”, que questionava sobre os números de 2017 e porque foram considerado pelo CEMGFA de “absolutamente notáveis”, ao que Pina Monteiro respondeu que “…assim eram (notáveis) para o orçamento disponível e que não se tinha gasto nem mais um centavo que os 58 milhões de euros atribuídos…”. O número só é notável face ao orçamento, nada mais. Foi ainda dito que o reforço orçamental para 2018 será – para as FND – de 1 milhão e meio de euros, o que diga-se, não parece muito. Note-se que de acordo com o Ministério da Defesa Nacional, em 2015, por exemplo a missão no Kosovo custou 12 milhões de euros, ou que a participação de um P3-C+ nas Forças de Reacção da NATO custou 1 milhão e 700 mil euros ou ainda, que a participação da Marinha, ainda em 2015, na SNMG 1 custou 12 milhões de euros e a participação na missão do Iraque (60 militares, 30 em cada 6 meses), 1milhão e meio de euros e, de assinalar que esta última missão, para apenas 30 militares, não inclui qualquer armamento pesado nem viaturas.

A obra de consolidação de uma barreira que protege a pequena Praia Formosa, em Santa Cruz, Torres Vedras, vai custar mais de 3 milhões de euros, o dobro portanto do reforço para todas as missões das FND durante 2018. É muito dinheiro?

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Quer do ponto de vista logístico quer técnico a conferência correu bem, havia condições e foi bem coordenada, excepto nos tempos de intervenção que a maioria dos intervenientes ultrapassou.

Seguiu-se a sessão de perguntas e respostas, bem conduzida pelo moderador, mas muito limitada no tempo, que também aqui acabou de passar dos previstos 15 para 45 minutos. As perguntas focaram muito a questão dos efectivos. Aspecto algo confuso porque os quadros distribuídos aos jornalistas incluíam efectivos que estavam atribuídos a organizações internacionais (UE e NATO), prontos para serem empenhados mas que não chegaram a sair de Portugal. Por outro lado, a soma simples dos efectivos também é enganadora porque há missões de duração muito variável (entre algumas horas de voo ou de meses no terreno) e está tudo somado como igual. Parece mais razoável, como era prática corrente durante anos, fazer-se a média homem/dia em missão, dá uma noção mais real do que é efectivamente o esforço militar português no estrangeiro em cada momento.

Em síntese nesta última fase do “briefing”, intervieram os jornalistas Manuel Freire do Diário de Noticias, Maria José Garrido da TVI (que foi a única pessoa a lembrar o nosso militar morto no Mali em 2017 a propósito de uma questão sobre os riscos nas missões), João Cunha da Radio Renascença, Sérgio Vitorino do Correio da Manhã, Marina Castro da Antena 1, e Sónia Ferreira da Agência Lusa. As perguntas incidiram para além da questão dos efectivos, na participação da Força Aérea no combate a incêndios (sem novidades, ainda nada se sabe de concreto, apenas que o ANPC já contratou meios para 2018 e 2019); o uso civil da Base Aérea n.º 6, Montijo (também sem novidades porque os estudos ainda estão em curso); os incentivos para o regime de contrato / Praças (também sem novidades com o processo legislativo em curso); o reforço da componente militar nos arquipélagos e as questões decorrentes do acidente com um navio de passageiros na ilha do Pico. Destes 6 jornalistas apenas Manuel Freire e Sónia Ferreira tratam assuntos de Defesa e Forças Armadas com regularidade.

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A culpa não será certamente deles, mas vários jornalistas foram enviados para cobrir este tema da actuividade operacional das Forças Armadas como podiam ter ido cobrir outra coisa qualquer – menos futebol e economia que aí as empresas de comunicação social empregam especialistas!

Resultados práticos

Aqui só há uma maneira de os medir, vendo o que foi publicado. Consideramos duas grandes áreas:

– Os meios próprios do Ministério da Defesa Nacional, do EMGFA (ambos muito activos na divulgação da conferência, em tempo útil quer para os OCS quer para a população em geral) e ramos, que se traduzem no Facebook do MDN – o qual transmitiu a conferência em directo [19] –, o seu canal Youtube onde se encontra um vídeo com a totalidade das intervenções [20], o site/Blog do MDN [21], EMGFA [22] e ramos; 

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Os canais de informação da Defesa Nacional e do EMGFA cumpriram a sua função e em tempo útil.

– Os OCS, quer os que estiveram presentes quer os que aproveitaram o trabalho da Agência Lusa. Do que nos foi possível identificar – e não temos qualquer estrutura que consiga detectar tudo o que foi publicado, mas procuramos exaustivamente e julgamos que pouco nos terá escapado – podemos afirmar sem medo de errar que o resultado foi positivo mas algo escasso. Passou a imagem desejada: reforço das missões exteriores em 2018, mesmo que sem ter conseguido grande espaço/tempo de antena nos media generalistas.

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A conferência teve muito pouco impacto na imprensa escrita.

A Agência Lusa destaca-se com 3 despachos: “Pelo menos 2.800 militares em missões internacionais em 2018 – General Pina Monteiro”; “Incêndios: Força Aérea estuda “gestão mista” dos meios com Protecção Civil (C/ÁUDIO) (C/VÍDEO)”; “Novo regime de incentivos aumenta “quota” para ex-militares nas polícias – ministro”;

O Diário de Noticias escreve um pequeno artigo a duas colunas cujo título é “Mais oportunidades para quem sai das fileiras” e apenas em menos de metade do texto se fala do reforço em pessoal para as missões exteriores;

O Correio da Manhã tem uma pequena coluna intitulada “Comandos sem missões no exterior”, aludindo ao facto de estar a prevista a sua substituição pelos paraquedistas na RCA e a ida da Brigada de Intervenção para o Afeganistão. O CM insere ainda uma foto do general CEMFA e a sua afirmação sobre a necessidade de voar mais – em 2017 só fizemos 18 das 23 mil horas de voo previstas e o voluma de actividade operacional da base do Montijo;

O Público tem uma pequena caixa com uma síntese do texto da Lusa sobre o número de militares que se prevêem em missões exteriores;

A TSF aproveitou o trabalho da Lusa, a Antena 1, RR e TVI, não conseguimos nos respectivos sites encontrar nada, pese embora devam ter feito algum trabalho, o destaque que lhe deram foi certamente mínimo, não chegou a estar online tanto quanto conseguimos descortinar. 

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Os despachos da Lusa foram usados “no online” em vários OCS. Embora discreta em termos das audiências alcançadas a realidade é que o número apresentado dos 2.800 militares a serem empregues no estrangeiro em 2018 e que isso signifca um reforço, passou na maioria dos OCS que falaram da conferência.

Conclusões

A realização de um encontro regular com os jornalistas para tratar assuntos relativos à actividade operacional é uma boa iniciativa e devia ter continuidade.

Nas últimas duas décadas – grosso modo desde que começaram as missões expedicionárias – houve uma altura inicial, 1996, em que estes encontros a nível do EMGFA chegaram a ser semanais e isto porque havia interesse mediático pelas missões, depois caiu em desuso. Em 2009 houve a intenção declarada pelo CEMGFA de voltar a fazer com frequência este tipo de apresentação das missões, mas apenas ao nível do EMGFA sem intervenção dos ramos uma vez que se tratava apenas de missões exteriores e sobre as quais tem a responsabilidade da informação pública.

Se a opção é apenas a actividade operacional parece excessivo que sejam convocados os chefes dos ramos para uma apresentação deste tipo e mais ainda o Ministro da Defesa Nacional, o qual esteve muito tempo no uso da palavra quer inicialmente quer nas respostas aos jornalistas, desviando naturalmente o objecto declarado do “briefing” de questões operacionais para as da gestão política da Defesa. Estando presente o ministro o que é natural é as questões serem dirigidas à sua pessoa e não aos restantes intervenientes.

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Se numa próxima ocasião o tempo para perguntas for superior ao da informação prestada pelos militares e se os jornalistas souberem fazer perguntas sobre a área operacional, mais e melhor informação chegará às audiências. Agora, para divulgar bem as missões internacionais, nada substituirá a presença de jornalistas nos teatros de operações.

Os órgãos de comunicação social deviam enviar a este tipo de conferências de imprensa jornalistas especializados. Isto foi notório uma vez que a maioria das questões não se focou nas missões expedicionárias em si, nas condições em que são cumpridas e na correcta avaliação de algumas afirmações produzidas, mas em questões como o recrutamento, o combate a incêndios e a utilização futura da Base do Montijo.

É curioso que ninguém se interessou por saber porque é que os militares portugueses conseguem grandes elogios internacionais? Em que operações isso aconteceu e como aconteceu? Se combatemos, fizemos prisioneiros, feridos ou mortos nos inimigos? E o nosso armamento, viaturas e equipamento é o adequado? Que blindados vamos usar no Afeganistão? Morreu um militar nosso no Mali, alguém se interessou em saber como? E como foi ferido o militar dos Comandos? E a evacuação (a qual até foi referida pelo CEMFA), como foi? Nem sequer como está a situação no terreno na RCA ou noutro lado qualquer, nada disto foi questionado, mesmo que o CEMGFA tenha aludido aos riscos elevados nestes locais.

O tempo disponível para o “briefing” devia ser usado exactamente ao contrário, menos tempo na apresentação, mais tempo para as perguntas. Sendo a documentação com os factos mais relevantes e os números difundidos em suporte papel ou digital logo no início do encontro (e bem), não há grande justificação para “queimar tempo” a ler exactamente a mesma informação.

Embora se compreenda que do ponto de vista militar e político este formato é bastante “friendly”, sem riscos, nada substitui a presença de jornalistas nos teatros de operações. O trabalho dos nossos militares – mas também possivelmente as suas limitações – só será bem divulgado e com capacidade para interessar o público, com trabalhos jornalísticos feitos com as “botas no solo”. Aqui as Forças Armadas deviam ser mais activas e apoiar deslocações aos teatros de operações e não apenas “escoltas mediáticas” a visitas de altas entidades! Os exemplos dos nossos aliados deviam ser seguidos, sendo fácil ver reportagens de jornalistas estrangeiros em todos os teatros de operações do globo, portugueses é raríssimo. 

A informação que sai de uma conferência de imprensa destas, sendo importante nunca conseguirá ser verdadeiramente apelativa para a imprensa. Devia ser apenas o complemento de trabalhos feitos com jornalistas embarcados nos navios da Marinha – o que aliás até acontece de quando em quando, e o mesmo com a Polícia Marítima –  caminhando lado a lado com os soldados do Exército  – este ano houve uma reportagem digna desse nome na RCA com as forças portuguesas – em operações, ou a bordo de aeronaves da Força Aérea Portuguesa – o que episodicamente também já aconteceu.

Têm que ser divulgados factos que “sejam notícia” – para além da realização “inédita” da conferência de imprensa – e sem isso, a matéria noticiosa será sempre pouco relevante para os OCS’s.

Parece assim que o empenhamento militar neste briefing foi talvez algo exagerado, inclusive com oficiais generais e oficiais superiores em grande número a assistir. Uma solução que nos parece adequada para o futuro seria a realização de um simples encontro trimestral com os jornalistas, o qual podia ser desenvolvido apenas por um oficial superior de cada ramo e um do EMGFA, falando das operações correntes, podendo uma vez por ano o próprio CEMGFA – por exemplo no início de cada ano – conduzir a apresentação, falar das nossas capacidades e traçar os cenários futuros.