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ARTILHARIA PORTUGUESA RUMA À LITUÂNIA

Uma Bateria de Artilharia de Campanha do Exército Português – a Light ArtyBty/AM2016 – partirá muito em breve para a Lituânia, participando no reforço da componente terrestre da NATO que naquelas paragens desenvolvem as Assurance Measures 2016. São 120 militares portugueses da Brigada de Reacção Rápida (BrigRR), com um conjunto de materiais muito significativo, irão actuar numa região sensível da Europa que já começa a ser familiar para Portugal!

A artilharia portuguesa vai juntar-se a outras unidas Aliadas para actuar na fronteira Leste da NATO. [1]

A artilharia portuguesa vai juntar-se já em Julho a outras forças Aliadas para actuar na fronteira Leste da NATO.

Pela primeira vez uma unidade de artilharia de campanha é empenhada neste tipo de missão exterior, na Lituânia ou em qualquer outro lugar do globo, desde o final da Guerra do Ultramar em 1975, significando na prática, entre outras coisas, a validação operacional de mais uma componente do Exército Português. Esta missão vem no seguimento de outros compromissos internacionais assumidos pelas Forças Armadas Portuguesas naquela região da Europa. Aeronaves da Força Aérea Portuguesa ali têm servido mais do que uma vez – um destacamento com 4 F16 MLU e 89 militares está novamente nesta altura na Base Aérea de Siauliai – e o Exército já ali empenhou em 2015 uma Companhia de Reconhecimento da Brigada de Intervenção: Recce Coy/PRT Army 2015 [2].

O obus Light Gun [3]

O obus Light Gun M119 M/98 105mm/30 é a face visível da bateria de artilharia de campanha, mas na realidade esta unidade é um sistema bem mais complexo, com muitos componentes que podem garantir o seu sucesso no campo de batalha.

O manuseamento rápido das armas, depende da formação e do treino intenso das guarnições. Assim se garante o desembaraço do pessoal, mesmo em situações de tensão. [4]

O manuseamento rápido das armas, depende da formação e do treino intenso das guarnições. Assim se garante o desembaraço do pessoal, mesmo em situações de tensão.

Preparação das cargas [5]

Preparação das munições. As cargas (sacos brancos, numerados) que são deixadas no cartucho (metal amarelo), determinam o alcance do projéctil 105mm (verde) que daqui a pouco irá ser disparado.

Esta unidade que vai ser empregue na Lituânia, passou por um longo e exigente período de treino operacional. Está preparada e ansiava por uma missão deste tipo! [6]

Esta unidade que vai ser empregue na Lituânia, passou por um longo e exigente período de treino operacional. Começou em 2014 e a LightArtBty/NRF2015 foi uma das fases. Está preparada e ansiava por uma missão deste tipo!

Foram vários os exercícios (ver texto), durante mais de um ano, que a generalidade dos militares da bateria cumpriram. Materiais e procedimentos foram repetidamente testados e aperfeiçoados. [7]

Foram vários os exercícios (ver texto), durante mais de um ano, que a generalidade dos militares da bateria cumpriram. Materiais e procedimentos foram repetidamente testados e aperfeiçoados.

As sessões de fogo real foram uma constante para esta unidade. [8]

As sessões de fogo real foram uma constante para esta unidade.

8 Art PRT Lituânia [9]

9 Art PRT LituâniaRebentamentos [10]

O “Light Gun” foi adquirido por Portugal em 1998, – designado no Exército Português por M119 Light Gun 105mm m/98 – para equipar a Brigada Aerotransportada (18 armas). Entre 2005 e 2009 equipou a Brigada de Intervenção e neste último ano passou a equipar o GAC da Brigada de Reacção Rápida. Tem calibre 105mm, a munição pesa 15kg, alcance máximo 11.400 (19.500 com munições especiais), pesa 1.800 kg e pode ser helitransportado pelo EH-101 Merlin. [11]

O “Light Gun” foi adquirido por Portugal em 1998, – designado no Exército Português por Light Gun M119 M/98 105mm/30 – para equipar a Brigada Aerotransportada (18 armas). Entre 2005 e 2009 equipou a Brigada de Intervenção e neste último ano passou a equipar o GAC da Brigada de Reacção Rápida. Tem calibre 105mm, a munição pesa 15kg, alcance máximo 11.400 (19.500 com munições especiais), pesa 1.800 kg e pode ser helitransportado pelo EH-101 Merlin.

A BAC dispõe de 6 M119 [12]

A BAC dispõe de 6 M119

A mobilidade das armas, guarnições e parte das munições, é garantido pelos Unimog Mercedes. [13]

A mobilidade das armas, guarnições e parte das munições, é garantido pelos Unimog Mercedes U1100L .

A rapidez de "entrada em posição de tiro" é fundamental na manobra da bateria. [14]

A rapidez de “entrada em posição de tiro” é fundamental na manobra da bateria.

A arma tem que ser apontada às estacas, ao “colimador” (na imagem) e a um ponto afastado, antes de receber os dados que lhe permitem fazer fogo. [15]

A arma tem que ser apontada às estacas, ao “colimador” (na imagem) e a um ponto afastado, antes de receber os dados que lhe permitem fazer fogo

O apontador insere no aparelho de pontaria os dados recebidos do comandante de secção. [16]

O apontador insere no aparelho de pontaria os dados recebidos do comandante de secção e “aponta o obus”.

O comandante de secção pode receber os comandos de tiro via rádio ou com este GDU-R. [17]

O comandante de secção pode receber os comandos de tiro via rádio ou com este GDU-R.

O que é a bateria de artilharia de campanha?

Constituída em 2014 no contexto da Immediate Response Forces/North Atlantic Treaty Organization Response Forces 2015, a BAC – Bateria de Artilharia de Campanha – manteve durante o ano de 2015 um elevado grau de prontidão, com o intuito de eventualmente poder vir a ser empregue na execução de um conjunto de tarefas, com maior probabilidade para as que corporizam missões no âmbito das Peace Support Operations, Collective Defense e Disaster Relief.

Caracterizada por possuir um elevado nível de prontidão, ser projectável, interoperável e autossustentável por um período considerável de tempo, a BAC diferencia-se de uma Bateria de Bocas-de-fogo convencional pelo facto de contemplar na sua organização várias capacidades adicionais das quais se destacam a de realizar levantamentos topográficos, conferindo autonomia na determinação do controlo direccional e horizontal, a de efectuar o planeamento e coordenação do apoio de fogos e, finalmente, aquelas inerentes à posse de um sistema automático de comando e controlo e de um pelotão de apoio.

Equipada com o obus Light Gun M119 M/98 105mm/30, a unidade dispõe de equipas de observação avançada dotadas de capacidade para operar com qualquer tipo de visibilidade e condições atmosféricas garantindo-lhes a possibilidade de adquirir objectivos com elevadas precisão e rapidez, encontrando-se deste ponto de vista em linha com o que de tecnologicamente mais avançado existe em forças congéneres de outros países.

Como nos foi possível observar em Santa Margarida no decurso de um exercício de fogos reais em 2015, esta força, além das armas – os Light Gun – dispõe de uma panóplia de equipamentos tecnologicamente actualizados, que fazem dela uma das mais sofisticadas unidades do Exército empenhadas em missões exteriores.

A sobrevivência da bateria no campo de batalha depende, entre outras coisas da camuflagem e da rapidez com que muda de posição. [18]

A sobrevivência da bateria no campo de batalha depende, entre várias outras coisas, da camuflagem e da rapidez com que todos os meios da força mudam de posição após a execução de uma missão de tiro.

Actuando de modo autónomo, fora do território nacional e mesmo que integrada em forças internacionais, a unidade dispõe de muitos meios adicionais que habitualmente uma fora deste tipo e escalão não contempla. [19]

Actuando de modo autónomo, fora do território nacional e mesmo que integrada em forças internacionais, a unidade dispõe de muitos meios adicionais que habitualmente uma força deste tipo e escalão não contempla.

20 Art PRT Lituânia [20]

21 Art PRT Lituânia [21]

Preparação da força

A responsabilidade de organização e aprontamento da BAC foi atribuída à BrigRR tendo o Regimento de Artilharia nº 4 (RA 4) sediado em Leiria, constituído a unidade mobilizadora, através do Grupo de Artilharia de Campanha da BrigRR. 

O aprontamento da Bateria realizou-se de forma faseada de modo a permitir o treino e validação de tarefas e procedimentos adequados à missão, tendo decorrido em três fases distintas:

 – Fase Stand-Up, realizada no ano de 2014, onde durante o primeiro semestre foram desenvolvidas diversas actividades de treino operacional conducentes à certificação nacional da força pela Inspecção Geral do Exército, através de uma Combat Readiness Evaluation (CREVAL) e durante o segundo semestre, que culminou com a obtenção da certificação internacional, decorrente dos resultados observados por dois observadores estrangeiros provenientes do Quartel-General da Componente Terrestre da NRF 2015. Neste mesmo período, elementos da BAC participaram em dois exercícios internacionais da NATO designadamente no “ NOBLE LEDGER 14”, na Noruega no âmbito da observação avançada, e no “STEADFAST FOUNT 14” na Turquia no âmbito da área logística. 

– Fase Stand-By, ocorrida durante o ano de 2015, onde a força manteve-se disponível com um elevado grau de prontidão (nunca uma unidade de artilharia teve grau de prontidão tão exigente), tendo ao longo deste ano conduzido diversas actividades de treino operacional e participado em vários exercícios com vista à manutenção das suas capacidades, assim como da certificação obtida, sendo exemplo disso o exercício “ALERTEX 15”, realizado em Abril de 2015, com a finalidade de testar o grau de prontidão da unidade disponibilizada para a NATO, onde se efectivou a activação do plano de convocação do pessoal, a recepção de equipamentos que se encontravam em diferentes unidades do Exército, a execução do plano de carregamento e a movimentação da força para o ponto de embarque (um porto de mar para os materiais pesados e um aeroporto para o pessoal e algum material individual), de acordo com os prazos preconizados para o efeito. Merece igualmente destaque a participação da BAC no exercício do âmbito da NATO “TRIDENT JUNCTURE 15”, realizado, simultaneamente, em Portugal, Espanha e Itália, em Outubro e Novembro de 2015 com o objectivo principal de avaliar e certificar a NATO Response Force 2016 e com o objectivo complementar de demonstrar a capacidade da Aliança em articular um conjunto forças projectáveis, interoperáveis, sustentáveis, equipadas, treinadas e comandadas capazes de operar conjuntamente, em qualquer ambiente operacional. No âmbito das actividades previstas para o exercício de treino cruzado entre unidades de vários países, a BAC executou um incidente de treino Nuclear, Biológico, Químico e Radiológico (NBQR) realizado com uma Companhia de Defesa NBQR da Polónia, onde após ter detectado um agente químico, durante a ocupação de uma Posição de Tiro de Artilharia, actuou em ambiente NBQR e efectuou uma descontaminação de todo o equipamento e militares da Bateria e, em contexto, realizou a travessia de um curso de água com a Bateria de Tiro, utilizando uma ponte montada no rio Tejo, por uma Companhia de Pontes da Alemanha.

– Fase Stand-down, a decorrer durante o ano de 2016; durante o primeiro semestre realizou os exercícios “APRONTEX 16”, em Janeiro, e “VILNIUS 16”, em Abril, no Campo Militar de Santa Margarida, orientados para a projecção e seu empenhamento no quadro das Assurance Measuares 2016 na Lituânia, no segundo semestre de 2016. No contexto do exercício “VILNIUS 16”, para além da realização de tarefas de natureza táctica e execução de fogo real com o obus Light Gun, efetuou-se a regimagem absoluta, processo pelo qual, se determinou o valor actualizado da velocidade inicial de cada obus, permitindo a sua comparação com a velocidade inicial padrão, expressa na tábua de tiro numérica do sistema de armas. O conhecimento do valor actualizado da velocidade inicial, para umas dadas condições de carregamento, permite ao Posto Central de Tiro da Bateria, calcular com maior rigor os elementos de tiro, com ganhos na execução de fogos sem ajustamento prévio, e por conseguinte, na capacidade de sobrevivência.

A bateria transporta em meios próprios, junto às armas e na secção respectiva, uma grande quantidade de munições. [22]

A bateria transporta em meios próprios, junto às armas e na secção respectiva, uma grande quantidade de munições.

Em operações a bateria está pronta a actuar de dia e de noite em quaisquer condições meteorológicas. [23]

Em operações a bateria está pronta a actuar de dia e de noite em quaisquer condições meteorológicas.

O Posto Central de Tiro (PCT) funciona dentro de um Iveco 40.10 adaptado. Na imagem o Battery Computer System do Sistema Automático de Comando e Controlo. Tem a capacidade de seleccionar individualmente cada objectivo, registando os seus elementos topográficos e calcular os elementos de tiro individualmente para cada obus, tendo em consideração a existência de regulações de precisão, velocidade inicial de cada obus e os meteogramas existentes. [24]

O Posto Central de Tiro (PCT) funciona dentro de um Iveco 40.10 adaptado. Na imagem o Battery Computer System do Sistema Automático de Comando e Controlo. Tem a capacidade de seleccionar individualmente cada objectivo, registando os seus elementos topográficos e calcular os elementos de tiro individualmente para cada obus, tendo em consideração a existência de regulações de precisão, velocidade inicial de cada obus e os meteogramas existentes.

Apesar de toda e tecnologia existente, as cartas topográficas continuam como sempre no campo de batalha. [25]

Apesar de toda e tecnologia existente, as cartas topográficas continuam como sempre no campo de batalha.

Os observadores avançados da bateria são a capacidade visual de aquisição de objectivos da força. A introdução de novos equipamentos e as "lições aprendidas" por países aliados em teatros de operações como o Iraque e o Afeganistão, têm conduzido a novas técnicas e procedimentos nesta área. [26]

Os observadores avançados são a capacidade visual de aquisição de objectivos da força. A introdução de novos equipamentos e as “lições aprendidas” por países aliados em teatros de operações como o Iraque e o Afeganistão, têm conduzido a novas técnicas e procedimentos nesta área, por exemplo, a cada vez maior a integração com o apoio de fogos aéreos, também treinado em Portugal.

O Forward Observer System, do SACC, permite simultaneamente processar, armazenar, receber e transmitir diversas informações, designadamente: ordens de operações, a sua própria localização, missões de tiro, informação gráfica, informação sobre objectivos, plano de fogos e listas de objectivos, para além de conduzir missões de apoio aéreo próximo. [27]

O Forward Observer System, do SACC, permite simultaneamente processar, armazenar, receber e transmitir diversas informações, designadamente: ordens de operações, a sua própria localização, missões de tiro, informação gráfica, informação sobre objectivos, plano de fogos e listas de objectivos, para além de conduzir missões de apoio aéreo próximo.

A bateria integra pessoal feminino em todos os postos e nas mais diversas funções das guarnições dos Light-Gun aos Observadores Avançados (na foto), passando pelo apoio logístico. [28]

A bateria integra pessoal feminino nas mais diversas funções e patentes, das guarnições dos Light-Gun aos Observadores Avançados (na foto), passando pelo apoio logístico.

A credibilidade de Portugal e das suas Forças Armadas

Este tipo de missões é sempre um manancial de “lições aprendidas” não só para a força empenhada como para o Exército em geral, e até para as Forças Armadas, aumentando de facto a capacidade de intervenção futura e incrementando a credibilidade internacional de Portugal.

À semelhança do que aconteceu em 2015 no âmbito do exercício “TRIDENT JUNCTURE 15”, a participação da BAC ao dispor da NATO na Lituânia possibilitará o contacto com outras forças e equipamentos de países aliados bem como cumprir missões num ambiente multinacional, consolidando a interoperabilidade com outras forças NATO em diversas áreas de actuação. Concorrentemente possibilitará colocar em prática todos os procedimentos associados à projecção de uma força de escalão companhia por via marítima e aérea.

Não temos a mínima dúvida sobre o profissionalismo dos militares da Light ArtyBty/AM2016, aliás já os vimos a actuar em 2015, num ritmo intenso, em tarefas muito exigentes, [29] com centenas de munições disparadas de noite e de dia, fazendo uso prático com sucesso das armas e da tecnologia disponível.

Estes soldados vão também ser a imagem pública de Portugal e das suas Forças Armadas nos 4 meses que irão passar na Lituânia, em exercícios e fora deles. Sabemos pela experiência da Recce Coy/PRT Army 2015, a Companhia de Reconhecimento da BrigInt que ali operou em 2015, que o interesse dos media locais e dos internacionais que ali se deslocam com frequência para cobrir as actividades da NATO, é muito grande. Pouco comparável àquilo a que estamos habituados em Portugal. As próprias Forças Armadas da Lituânia levam esta componente muito a sério, incentivam-na, praticam-na, até aos mais baixos escalões. É caso para dizer que, neste caso, temos muito que ali aprender e nada melhor que aprender fazendo!

Não esquecemos, não devem ser esquecidos, todos os que na retaguarda, em Leiria, no RA4 em Tancos na BrigRR, na Amadora no Comando das Forças Terrestres ou em Oeiras no Comando Conjunto para as Operações Militares, ficam com o encargo do apoio aos expedicionários, quer em termos logístico-administrativos e operacionais quer nos aspectos ligados ao moral dos seus familiares, factor indispensável à estabilidade de qualquer empenhamento internacional.

Aqui no Operacional desejamos uma boa missão, num cenário que não sendo de conflito envolve sempre um realismo acrescido ao que se verifica em Portugal e que tudo decorra o melhor possível. Felicidades e…sorte!

A artilharia do Exército Português vai cumprir a sua primeira missão expedicionária no Pós-Guerra do Ultramar. [30]

A artilharia do Exército Português vai cumprir a sua primeira missão expedicionária no pós-Guerra do Ultramar. A escolha recaiu numa bateria do Grupo de Artilharia de Campanha da BrigRR, do Regimento de Artilharia 4 (Leiria) que constituiu a Light ArtyBty/AM2016.

São 120 militares que de Julho a Outubro de 2016 serão a face visível de Portugal na Lituânia. Felicidades e sorte! [31]

São 120 militares que de Julho a Outubro de 2016 serão a face visível de Portugal na Lituânia. Felicidades e sorte!