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ALCAZAR DE SEGÓVIA: BERÇO DE HERÓIS

«El Alcazar de Segóvia, Cuna de héroes» é o título da exposição que o Arquivo Geral Militar desta cidade da Comunidade Autónoma de Castela e Leão, tem aberta ao público – 5 de Junho a 7 de Setembro de 2014 – para assinalar os 250 anos da instalação do Real Colégio de Artilharia no famoso edifício. Cinco períodos históricos são enaltecidos sem complexos, com um olhar muito especial para os heróis artilheiros, a maioria dos quais morreu em combate ou em acto de serviço.

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O Alcazar de Segóvia, sede do Arquivo Geral Militar da cidade desde 1868, é um edifício singular em Espanha, carregado de história e onde funcionou a Escola de Artilharia desde 1764 a 1862. Tem a sua existência documentada desde o século XII e foi residência real para os reis de Castela durante toda a Idade Média. Ali residiu Isabel “a Católica”, proclamada Rainha de Castela em Segóvia no ano de 1474, o rei Filipe II casou no Alcazar com Ana de Áustria e coube a Carlos III mandar instalar no monumental edifício a Real Escola de Artilharia. Depois de um incêndio em 1862 a artilharia mudou-se para a cidade, onde ainda hoje se encontra a “Academia de Artilleria” do exército espanhol. Em 1896 o rei Afonso XIII entregou o Alcazar ao Ministério da Guerra com aplicação exclusiva ao Corpo de artilharia. Curiosamente foi exactamente em Segóvia, na cerimónia oficial comemorativa dos 250 anos da Academia de Artilleria, a 16 de Março de 2014, que o rei Juan Carlos I realizou o seu último acto oficial militar antes de ter abdicado.

No Alcazar encontramos além do Arquivo já referido, capela, sala do trono, várias outras salas ricamente decoradas que serviram os reis que ali viveram – na chamada “sala dos reis”, onde estão estátuas de todos os reis das Astúrias, Castela e Leão, uma das imagens que tem maior destaque é a de D. Henrique de Lorena, Conde de Portugal, pai de D. Afonso Henriques, rei de Portugal – sala de armas, e Museu da Real Escola de Artilharia.

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A exposição “Cuna de Héroes”, numa das caves do Alcazar, relembra as vidas e acções dos heróis da arma de artilharia desde a criação da escola segoviana, partindo da reflexão do seu «Jefe de Estudios», o padre Eximeno, o qual realizou na sua oração de abertura, incentivo os cadetes, para os quais o objectivo deveria aspirar a serem «un gran matemático, un gran histórico, un gran politico, un gran filósofo, un héroe».

A exposição reflecte assim, ao longo de cinco campanhas, sobre a natureza do heroísmo, uma virtude não apenas de natureza militar, mas que define os cidadãos que estão dispostos a arriscar a sua vida pelos outros, e em alguns casos, mesmo dispostos a sacrificar a vida pela sua Pátria.

Expostos estão uma pequena selecção de documentos, armas, uniformes e insígnias dos diferentes períodos, relacionadas com estes homens, artilheiros e heróis.

Cada período está descrito num painel de grandes dimensões, seguindo-se depois uma selecção de pessoas – cujas biografias são apresentadas – de fotografias, pinturas, objectos que reflectem as acções em concreto que deram origem à escolha.

1.ª Parte: A guerra da independência que nós designamos por “peninsular” (1808-1814)

– Conflito entre o Império Francês e Espanha, esta assistida pelo Reino Unido e pelo Reino de Portugal, pelo controlo da Península Ibérica, durante as guerras napoleónicas. Este conflito é visto como uma das primeiras guerras de libertação nacional e nele teve lugar a emergência de acções de guerrilha em larga escala.

São apresentadas biografias e documentos relativos a 4 oficiais.

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2.ª Parte: Guerras Civis (1820-1876)

– Depois da expulsão dos franceses em 1814 Espanha foi assolada por combates fratricidas, especialmente durante o Triénio Liberal (1820-1823) e as três Guerras Carlistas (1833-1840; 1846-1848; 1870-1876).

São apresentadas biografias e documentos relativos a 4 oficiais.

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3.ª Parte: Guerras do Ultramar (1898-1908)

Muito devido à situação em Espanha os territórios ultramarinos da América e da Ásia, depois de séculos de presença espanhola, foram perdidos. Primeiro a independência das colónias da América do Sul e Central e depois de Cuba, Porto Rico e Filipinas. Tem aqui destaque, por exemplo, a guerra contra os Estados Unidos da América em Cuba.

São apresentadas biografias e documentos relativos a 3 oficiais.

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4.º Parte: Campanhas em África (1909-1927)

A presença espanhola no Norte de África remontava ao século XV e tinha recebido grande impulso dos reis católicos com instalação de vários pontos de apoio na costa ocidental. Desde sempre houve conflitos com as tribos dessas regiões, no Rif e no Sultanato de Marrocos. Especialmente no período de 1920 a 1927 a guerra generalizou-se e passou à história como Guerra do Rif. Nesta teve lugar o chamado “desastre de Annual”, grande derrota de Espanha em Mellila no ano de 1921 e o desembarque de “Alhucemas”, em 1925 , seguindo-se a pacificação da região só conseguida em 1927.

São apresentadas biografias e documentos relativos a 6 oficiais.

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5.ª Parte. Guerra e Paz (1936-2014)

A última Guerra Civil espanhola (1936-1939), um dos períodos mais turbulentos da sua história e a ditadura que se seguiu, depois a Espanha democrática que emergiu a partir de 1975 e levou o país a ingressar na NATO e na União Europeia.

Aqui pontificam os feitos de dois aviadores no voo de Palos de Moguer (junto a Huelva, no Sul de Espanha), a Buenos Aires (Argentina) em 1926 e o destino posterior dos dois pilotos, ambos heróis mas com sortes diferentes. Uma novidade em exposições oficiais que tenhamos visto, o enaltecer não só dos actos de militares nacionalistas, vencedores da guerra civil, como de republicanos, os vencidos.

Grande destaque nesta última parte para a participação espanhola na missão no Afeganistão e uma referência muito particular não a um herói mas a um pintor que tem como poucos dedicado a sua obra à “coisa militar” do país vizinho, Augusto Ferrer-Dalmau. Tem várias obras na exposição e foi inclusive convidado das Forças Armadas Espanholas a permanecer no Afeganistão, apenas para recolher imagens da missão e assim enriquecer a componente actual da sua magnifica obra.

São apresentadas biografias e documentos relativos a 4 oficiais.

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A "Academia de Artilleria" mantém-se em Segóvia e segundo o Exército Espanhol, «Es la Academia Militar más antigua del mundo en activo, fue fundada el 16 de mayo de 1764 como Real Colegio de Artillería en el Alcázar de Segovia» [24]

A “Academia de Artilleria” mantém-se em Segóvia e segundo o Exército Espanhol, «Es la Academia Militar más antigua del mundo en activo, fue fundada el 16 de mayo de 1764 como Real Colegio de Artillería en el Alcázar de Segovia»