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AIRLIFT BLOCK TRAINING 2010 EM PORTUGAL

Durante o mês de Março nem só aeronaves da Força Aérea sobrevoaram regularmente várias regiões do nosso país. Também C-130 belgas que participavam no exercício AIRLIFT BLOCK TRAINING 2010, tiveram oportunidade de efectuar missões tácticas no espaço aéreo nacional e em diversos aeródromos. Alfredo Serrano Rosa, assistiu a parte desta cooperação que se desenrolou em Tancos e apresenta-nos a sua reportagem fotográfica.

C-130 belga em Tancos. Quatro C-130H da “15th “Wing Tactical Air Transport” estiveram entre nós e operaram a partir do AM 1 cumprimdo missões em vários pontos do país. [1]

C-130 belga no Aeródromo Militar de Tancos. Quatro C-130H da “15th “Wing Tactical Air Transport” estiveram entre nós e operaram a partir do AM 1 cumprindo missões em vários pontos do país.

Decorreu em Portugal no período de 8 de Março a 1 de Abril uma cooperação Luso-Belga no âmbito das forças aéreas dos dois países contando ainda com envolvimento de unidades pára-quedistas dos exércitos de Portugal e da Bélgica.

A Belgian Air Component (BEAC), assim se designa agora oficialmente a “Força Aérea Belga” organiza com uma periodicidade anual, um destacamento aéreo fora do seu território nacional. O principal objectivo deste tipo de actividade é “preparar de modo adequado o empenhamento operacional na Ásia Central e na África Central”, promovendo o treino táctico das tripulações em ambientes realísticos e exigentes.

O destacamento que esteve em Portugal era composto por quatro C-130H da “15th “Wing Tactical Air Transport”. As missões tácticas aqui executadas simulavam um cenário tipo evacuação de não combatentes, treinando voos em parelha, operações tácticas terra-ar, aterragem em pistas curtas e lançamento em pára-quedas de material e pessoal.

Além 52 militares da 15ª Wing participaram 23 militares do Pelotão de Abastecimento Aéreo (Lançamento de Cargas) do Centro de Instrução de Pára-quedismo da “Componente Terrestre” belga e outros militares pára-quedistas belgas estiveram em Portugal para efectuar saltos em pára-quedas.

Foram executadas 150 missões C-130 e militares pára-quedistas belgas efectuaram mais de 800 saltos em pára-quedas automáticos e manuais. Pertenciam à “Capacidade de Reacção Imediata”, designação dada actualmente à antiga Brigada Pára-Comando que foi reestruturada e hoje dispõe do Quartel-General do Regimento Pára-Comando, 2 batalhões de pára-quedistas, 1 de comandos e 2 centros de instrução.

Em termos de treino de tripulações C-130 foram efectuadas diversos tipos de largadas e manobras tácticas e usadas zonas de lançamento em São Jacinto, Arripiado, Santa Margarida e Campo de Tiro de Alcochete e aeródromos de Vila Real, Tancos, Campo de Tiro de Alcochete e Santa Margarida.

O destacamento aéreo belga montou a sua “base” em Portugal no Aeródromo de Manobra n.º 1 em Maceda-Ovar passando assim a ser para este exercício uma “Deployment Operating Base”. A Força Aérea Portuguesa colaborou em algumas missões com aeronaves C-295M da Esquadra 502 do Montijo, tendo mesmo sido possível aos pára-quedistas belgas efectuar saltos em pára-quedas a partir deste novíssimo meio aéreo nacional.

Muitos pára-quedistas belgas vieram a Portugal efectuar o seu treino minimo anual de salto em pára-quedas [2]

Muitos pára-quedistas belgas vieram a Portugal efectuar o seu treino mínimo anual de salto em pára-quedas apoiados pela Escola de Tropas Pára-quedistas de Tancos.

Os procedimentos portugueses e belgas em termos de saltos em pára-quedas são semelhantes. Aqui instrutor belga efectua a "inspecção" aos militares que estão equipados com o pára-quedas principal, antes da colocação do pára-quedas de reserva. [3]

Os procedimentos portugueses e belgas em termos de saltos em pára-quedas são semelhantes. Aqui instrutor belga efectua a "inspecção" aos militares que estão equipados com o pára-quedas "principal", antes da colocação do pára-quedas de "reserva".

Nesta fase o instrutor verifica se o "reserva" está bem colocado e se está em condições de funcionamento (verificando o sistema de libertação que tem a "tampa" aberta) [4]

Nesta fase o instrutor verifica se o "reserva" está bem colocado e se está em condições de funcionamento (verificando o sistema de libertação que tem a "tampa" aberta na parte frontal)

Dois instrutores portugueses passam inspecção. Um ao pára-quedas principal, dando depois ao pára-quedista o "fecho de engachar"; no "reserva", ventral, verifica-se se está pronto a funcionar. [5]

Dois instrutores portugueses passam inspecção. Um ao pára-quedas principal (ARZ 672 29-P), dando depois ao pára-quedista o "fecho de enganchar"; no "reserva" (ARZ511 F2), verifica-se se está pronto a funcionar e é o instrutor quem o "fecha".

Pode parecer o contrário, mas esta é uma das fases mais incómodas do processo! Aguardar pela aeronave depois da inspecção ter sido feita. As duas "patrulhas de salto" (uma para cada porta do C-130) estão já na posição em que irão embarcar. [6]

Pode parecer o contrário, mas esta é uma das fases mais incómodas do processo! Aguardar pela aeronave depois da inspecção ter sido feita. As duas "patrulhas de salto" (uma para cada porta do C-130) estão já na posição em que irão embarcar.

Finalmente o embarque. Estes páras belgas estão equipados com o pára-quedas automático usado em Portugal. Saltando no nosso país, como o nosso pára-quedas, têm direito a receber um "brevet" honorifico português. [7]

Finalmente o embarque. Estes páras belgas estão equipados com o pára-quedas automático usado em Portugal. Saltando no nosso país, com o nosso pára-quedas, têm direito a receber um "brevet" honorifico português.

Um dos momentos que os pára-quedistas em todo o mundo conhecem bem...pelo cheiro do combustivel de avião! [8]

Um dos momentos que os pára-quedistas em todo o mundo conhecem bem...pelo forte cheiro a combustível que é projectado pelos motores do avião!

Os belgas tiveram oportunidade de experimentar o C-295M da Esquadra 502. [9]

Os belgas tiveram oportunidade de experimentar o C-295M da Esquadra 502.

Salto de abertura automática, pelas duas portas laterais, na Zona do Arripiado. [10]

Salto de abertura automática, pelas duas portas laterais do C-130, na Zona do Arripiado.

Mesmo num "simples" salto de treino os incidentes acontecem e relembram que isto não é uma actividade sem risco. Felizmente desta vez - um enganchamento no ar, com o fecho parcial de uma das calotes - não houve danos de maior a registar. [11]

Mesmo num "simples" salto de treino os incidentes acontecem e relembram que isto não é uma actividade sem risco. Felizmente desta vez - um perigoso enganchamento no ar, com o fecho parcial de uma das calotes - não houve danos de maior a registar.

Nos saltos em massa, uma das preocupações dos pára-quedistas é sempre tentar manter alguma distância entre os respectivos pára-quedas. Nem sempre é fácil. [12]

Nos saltos em massa, uma das preocupações dos pára-quedistas é sempre tentar manter alguma distância entre os respectivos pára-quedas (estes são os usados pelos belgas: ARZ 696 MI). Nem sempre é fácil.

Além dos pára-quedas dorsal e ventral estes precursores portugueses transportam umas dezenas de quilos de armamento e equipamento para cumprir uma missão. [13]

Além dos pára-quedas dorsal e ventral estes precursores portugueses transportam umas dezenas de quilos de armamento e equipamento para cumprir uma missão.

Os precursores portugueses embarcam no C-295M para efctuar uma salto automático armados e equipados para combate [14]

Os precursores portugueses embarcam no C-295M para efectuar uma salto automático armados e equipados para combate. Equipam com o pára-quedas automático fendado MC-1C.

Neste tipo de exercicios envolvendo meios aéreos e terrestres,com algum potencial de risco, a coordenação tem que ser permanente em todos os patamares da hierarquia. [15]

Neste tipo de exercícios envolvendo meios aéreos e terrestres,com algum potencial de risco, a coordenação tem que ser permanente em todos os patamares da hierarquia.

O destacamento da componente terrestre belga trouxe até Portugal algumas das suas viaturas blindadas de 4 rodas, aquelas que hoje estão em uso nos teatros de operações exteriores. Esta é uma IVECO AMV. [16]

O destacamento da componente terrestre belga trouxe até Portugal algumas das suas viaturas blindadas de 4 rodas. Esta é uma IVECO LMV do tipo que Portugal bem necessita há muito para uso nas missões exteriores e cujo programa continua adiado.

O “Operacional” agradece a colaboração da Força Aérea Portuguesa na realização deste artigo.

Veja aqui a reportagem da Força Aérea Belga (video e fotos) sobre este exercício: ABT-10 [17]

Nota: Em breve apresentaremos uma outra reportagem dedicada aos saltos de abertura manual.